O colégio militar de Florianópolis é o mais antigo de Santa Catarina. São 38 anos de atividades na Capital do Estado. Atualmente, 450 alunos do sexto ano ao ensino médio estudam na unidade. O dia a dia é um pouco diferente de um colégio tradicional.
Feriado em comemoração à Independência nem sempre teve caráter militar – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV“Primeiro, pela manhã, a gente entra em forma. Então, nós somos colocados todos em pelotões. É como se fosse uma escala hierárquica de tudo. Temos os alunos de dia, os comandantes de pelotão e fazemos o hasteamento da bandeira. Prestamos continência à bandeira todos os dias. Aprendemos sobre os hinos, sobre as bandeiras, os brasões de armas e sobre o selo nacional”, contou a estudante Camila Schmidt Silveira, de 18 anos.
Da disciplina ao respeito. Dentro e fora das salas de aula. Lições para valorizar o passado, o presente e os caminhos que levaram a independência do país.
Para Camila, “ser independente é a capacidade de ser brasileiro, de mostrar esse orgulho da pátria, de ser quem agente realmente é”.
Já o jovem de 17 anos Luiz Eduardo da Natividade disse que desde que entrou no colégio militar a “rotina em relação à disciplina, comportamento, mudou drasticamente para melhor. O colégio vai me fazer um cidadão muito mais apropriado pro mundo lá fora”.
Os colégios convencionais tinham uma rotina parecida com a do ensino nas unidades militares, mas isso se perdeu com o tempo. Tanto que em datas como a da Independência, as comemorações têm o militarismo como característica bastante marcante.
“Com a Independência, em 7 de setembro, a gente tem um rompimento e começa uma nova história. Nós tínhamos todo um vínculo com Portugal e agora não existe mais. Agora, nós somos um país independente. A partir daquele momento, os militares tiveram um papel muito importante que foi manter a nossa estrutura”, explicou o diretor do Colégio Policial Militar Feliciano Nunes Pires, tenente-coronel Reginaldo Rocha de Sousa.
As forças armadas se tornaram um dos símbolos do feriado de 7 de setembro. São o ponto alto dos desfiles que levam para as ruas alguns dos símbolos que nos remetem a esta data.
Segundo o general da reserva do Exército Brasileiro, Ricardo Miranda Aversa, “os desfiles militares vêm lá da antiguidade. Eles eram uma forma de mostrar à população as grandes vitórias das nações e isso vem ao longo da história. Alexandre, o Grande, ficou conhecido pelos desfiles das suas tropas. E a formação que nós vemos hoje vem justamente de uma tática de guerra”.
Cecília Helena Lorenzini de Salles Oliveira é doutora em História do Brasil. Conforme a pesquisadora, nem sempre, ao longo dos 200 anos de Independência, o 7 de setembro foi marcado pelo militarismo.
“Esse caráter de uma data com desfiles de militares e uma ênfase muito grande nessa dimensão, isso é coisa da Ditadura Militar. Isso é coisa de 1972, mas depois isso também de esgarçou. A medida que houve a redemocratização do país, os civis assumiram as grandes comemorações nacionais e o 7 de setembro passou a ser uma data de todos”, afirmou Cecília.
O ano de 2022 marca os dois séculos de independência do país. Marca também a retomada das comemorações depois de dois anos sem desfiles oficiais por causa da pandemia de Covid-19.
São 200 anos de independência e de história. Um tempo para refletir e, porque não, resgatar ou reafirmar o orgulho pelo simples fato de vivermos em um país independente chamado Brasil.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis!