Autoconhecimento, troca de ideias, cultura, sustentabilidade, yoga, meditação, oficinas de arte e educação alimentar, leilão de obras de arte. Tudo isso caberá no Centro Cultural Veras, que inaugura nesta quarta-feira, no Córrego Grande, em Florianópolis.
Gugie Cavalcanti trabalhando no mural em que retrata filhas, avós e mãe no Centro Cultural Veras – Foto: Paulo Kurazumi/Divulgação/NDA ideia surgiu há mais de 20 anos, depois que o curador de arte Josué Mattos conheceu a Índia. Desde então, ele sonhava em criar um centro cultural. Agora, o sonho está ganhando vida. E, como o próprio significado do termo “Veras” antecipa, vem aí um espaço de “conhecimento”.
“É uma vontade de cruzar mundos e eu sabia que a Ilha era um bom berço para acolher mundos e culturas distintas. A ideia surgiu em 1999, quando tive contato com a cultura dos Vedas, da Índia, e tinha terminado uma formação em Criciúma, em todas as disciplinas da cultura. Foi uma equação: cultura contemporânea e ancestral”, explica Mattos.
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Centro Cultural Veras inaugura na próxima quarta-feira (17) no Córrego Grande – Foto: Reprodução/NDTVDe 1999 até aqui, praticamente metade do tempo, Mattos dedicou à formação. “Passei quase uma década na França estudando e o restante foi trabalhando para juntar recursos, parcerias e buscar apoio para construir o centro cultural. Não teve um dia que não pensei ou trabalhei para o projeto. O objetivo era chegar onde estamos conseguindo agora”, detalha Mattos.
União que constrói e concretiza
A empresária Doralysa Nezello é uma das que está ajudando a tornar o sonho realidade. “Eles precisavam realmente desse último fôlego, de um apoio da sociedade, da compreensão de que realmente precisamos desse espaço”, enfatiza Doralysa.
A arquiteta Gabriela Favero também se interessou de imediato pela ideia. “Depois que ele [Mattos] contou tudo que aconteceria aqui, falamos. “É isso que acreditamos como cidade e isso que gostaríamos de ser como urbanistas e arquitetas’”, afirma Gabriela.
Já para a artista e professora de yoga Aline Blasius, o Veras será o lugar perfeito para colocar em prática tudo que aprendeu.
Quando conhecou o conceito do Veras, Gabriela não hesitou em ajudar – Foto: Reprodução/NDTV“Vou trazer esses encontros, que são vivências a partir de práticas corporais, para provocar outros estados de consciência, para adentrar estados perceptivos por meio de práticas que tragam saúde e uma outra percepção do corpo, da realidade”, diz Aline.
O Centro Cultural Veras vai oferecer um cardápio variado, de forma gratuita. Para se manter, entretanto, precisa de apoio. As empresas do Estado podem ajudar.
“Temos uma carta de captação da FCC (Fundação Catarinense de Cultura), com uma programação que envolve, por exemplo, ações artísticas, cursos, exposições, espetáculos, estudos de literatura do yoga”, ressalta Mattos.
Segundo ele, a iniciativa privada pode patrocinar sem gastar nada, pois graças à carta de captação, conseguem destinar recursos ao centro cultural por meio de renúncia fiscal do governo.
De onde vim, pra onde vou
Josué Mattos gosta de definir o Centro Cultural Veras como um espaço transcultural. “Vai envolver ações entrecruzadas, de educação alimentar e ambiental, arte contemporânea, educação extracurricular, práticas ligadas mais à tradição do yoga”, explica.
Há mais de 20 anos Mattos sonhou com o Centro Cultura que, hoje, é uma realidade – Foto: Reprodução/NDTV“Minha expectativa é que a gente consiga olhar para esse espaço com essa urgência de novas experiências que esse período pós-pandêmico exige. São expectativas também mais abstratas, ligadas a uma ideia de luta, se não por uma nova sociedade, ao menos pelo fortalecimento de comunidades que se identificam com causas humanitárias, sociais, espirituais e artísticas”, completa.
Entre os atrativos da inauguração, estão previstas uma ocupação com cestarias de uma comunidade de Kaingangs, de Chapecó, e uma intervenção artística de Gugie Cavalcanti.
Natural de Brasília, moradora de Florianópolis desde os dez anos, Gugie está com 29 e na melhor fase da carreira.
Há algumas semanas, ela trabalha no mural “De onde vim, para onde vou”, em que vai retratar, num paredão do Centro Cultural Veras, o rosto das duas avós, da mãe e das duas filhas.
“Quando estava compondo, pensei em colocar um autorretrato, mas falei para o Josué: ‘não vou me colocar, eu estou aqui em cada uma delas’”, comenta Gugie que, no último sábado, viu Celso Piarelli, seu pai, colocar a mão na massa e ajudá-la na obra.
Pai de Gugie, Celso Piarelli ajudou em parte da criação no sábado (13) – Foto: Paulo Kurazumi/Divulgação/NDGugie se sente feliz por realizar mais esse importante trabalho em Florianópolis. Ela também é coautora da pintura de Antonieta de Barros e de “Histórias no Peito”, que retrata um motorista de aplicativo e sua mulher. As obras estão em prédios no Centro e Gugie fala com orgulho do convite para criar o mural no Veras.
“É um lugar muito importante. Minha arte é daqui [de Florianópolis] e fico muito feliz de surgir um espaço tão potente e cheio de conexões, de pessoas muito importantes e qualificadas”, afirma a artista.
No mural, as duas avós de Gugie estão costurando, uma bordando, a outra na renda de bilro. “A minha mãe está com as minhas pequenas, que estão vestidas de princesas. E estou usando as cores que uso muito: laranja, rosa, roxo e várias tonalidades delas”, ressalta Gugie.
Depois que o espaço estiver em funcionamento, ela vai inaugurar seu ateliê, no local, e oferecer um curso para dez mulheres artistas negras. A inauguração, na próxima quarta-feira, será das 15h até 21h. Depois disso, o Centro Cultural Veras vai funcionar de terça a domingo, das 10h às 20h, com entrada gratuita.
Serviço
- O quê: Inauguração Centro Cultural Veras
- Onde: rua Vera Linhares de Andrade, frente ao 2063, Córrego Grande
- Quando: quarta-feira, das 15h às 21h. Depois, o local funciona de terça a domindo, das 10h às 20h
- Quanto: gratuito