Floripa, ópera móvel

Talvez uma ópera “buffa” (cômica), por contadas eleições “dramáticas” que 2022 promete

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Uma ópera é uma peça lírica acompanhada de orquestra, dança, personagens e o enredo contado por meio do canto. Entre as quatro grandes óperas de Mozart, qual delas escolheríamos para representar a Florianópolis deste meio outono, de céus abertos, mas também de inóspitos ciclones? Talvez uma ópera “buffa” (cômica), por contadas eleições “dramáticas” que 2022 promete.

Ópera – Foto: PixabayÓpera – Foto: Pixabay

Óperas famosas como “As Bodas de Fígaro”, “A Flauta Mágica” ou “Cosi Fan Tutte” (“São Todas Assim”) bem retratariam este momento de drama e de comédia. Diante da inevitável superlotação da Ilha formosa, mais adequado e mais dramático do que Mozart talvez fosse a grande interjeição musical da cantata de Carl Orff – a “Carmina Burana”.

Peça que mais parece refletir um grito de protesto contra os engarrafamentos e o conflito urbano.Uma queixa ao mesmo tempo musical e dolorosa,um eco da revolta de quem veio “curtir” a Ilha e se descobre no meio de uma “Ópera Imóvel”,encarcerado no labirinto do trânsito – ou na tragédia da falta de água ou de luz, como costumava acontecer quase todo ano.

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Nessas duas carências até que as coisas melhoraram nos últimos tempos.Imaginem a Ilha de Santa Catarina – com seus dois umbigos, a Lagoa do Peri e a Lagoa da Conceição -desfilando sob os olhos extasiados do próprio criador, incrédulo com sua própria “criação”, ao som da “Sonata ao Luar”, concerto para piano do quase surdo Beethoven.

Às vezes, há uma heróica ópera de Wagner (o quarteto“As Valquírias”, talvez), rugindo sobre os costões da Joaquina ou da Mole, surfistas cavalgando ondas. Claro, não haveria de faltar “As Quatro Estações”,de Vivaldi, com a lembrança de que as estações estarão, neste ano, contaminadas pela vilã “La Niña”e pela insistência com que os seres humanos teimarão em habitar a “mesma” Ilha, ao mesmo tempo.

Reconheça-se que a ópera já esteve mais imóvel.Testemunhamos hoje uma prefeitura mais ágil,tentando dar à Ilha-Capital uma maior funcionalidade espacial. Há bons projetos em andamento, como o da revitalização do centro histórico, das ruas antigas e do velho terminal rodoviário.

A via expressa sul está sendo reurbanizada, com novos canteiros e ciclovias. E o tão falado programa do BRT parece estar sendo reanimado, com a duplicação da rua Antônio Edu Vieira,obra que desobstruirá o entorno da universidade.Vamos torcer para que dê certo – e que acidade recupere parte da sua mobilidade.

Formosa Ilha. Um concerto sinfônico de águas mornas e claras, areias douradas e o verde da mata nativa, debruando o dorso sensual das encostas. Do Oriente, brota o mar vindo da África,em ondas eternas, lavando os costões de pedras nuas, que rebrilham ao sol. Nesta Ilha do Atlântico Sul repete-se todos os dias o milagre da multiplicação da beleza, nas mãos sempre imperfeitas do ser humano…

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