Selecionada para a residência artística na R.A.R.O, coletivo de Buenos Aires que desde 2014 gera espaços de reflexão e produção para artistas, curadores e gestores, a fotógrafa e artista visual Maria Luiza Amorim apresentou o projeto “Sonhei que sonhávamos juntas”, com pesquisa e trabalho realizados durante a temporada argentina.
Intitulada “Yo <3 Buenos Aires”, a mostra reuniu, além dela, outros 10 artistas de países como Peru, Chile, Equador e Colômbia. A curadoria é assinada pela colombiana Violeta González Santos, que tem acompanhado o processo criativo dos artistas durante o período de residência.
Maria Luiza expõe resultado do projeto “Sonhei que sonhávamos juntas” em Buenos Aires – Foto: Divulgação/NDA pesquisa de Maria Luiza Amorim trata da mulher e utiliza a técnica de cianótipo. A artista estuda a mulher contemporânea, sua relação com a história e com os mitos que cercam sua atmosfera. Abrange temas do sexo feminino e da ancestralidade, e suas obras abraçam também a paisagem.
SeguirA mostra apresentou o trabalho de Maria a galeristas, jornalistas de arte e colecionadores de Buenos Aires, onde as obras estão à venda. Ela pretende montar uma exposição quando voltar para Florianópolis em 2023.
Em suas obras, a fotografia se configura como algo mutável, deixando espaço para invenções, sobreposições e também para entender desejos e sonhos. O processo de cianotipia faz parte do trabalho: a aparência de uma imagem borrada e desbotada que vai ganhando linhas e contornos é um processo que pode ocorrer tanto na memória quanto nos sonhos.
“O projeto originalmente tinha um formato, mas, chegando em Buenos Aires e nos ateliês que fiz parte durante o processo, tudo foi se transformando. Comecei gravando os sonhos recorrentes de pessoas que conheci no processo e, em sua grande maioria, eram sonhos que falavam sobre traumas, dores e o processo de se autoconhecer”, explica Maria Luiza.
Conheça mais sobre o trabalho da fotógrafa e artista visual
Nascida em Florianópolis, a artista visual Maria Luiza da Cunha Amorim é graduada em Design pelo IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina). Tem a fotografia como seu principal meio de expressão e a literatura, história e crendice popular como motores de produção, com interesse especial na criação de publicação de artistas.
A atmosfera de sua poética abrange questões do sexo feminino, da ancestralidade e do imaginário que constitui essa figura, abrange também a paisagem em seus trabalhos recentes.
A artista estuda a mulher contemporânea, sua relação com a história e com os mitos que cercam sua atmosfera. Abrange temas do sexo feminino e da ancestralidade, e suas obras abraçam também a paisagem – Foto: Divulgação/NDTeve trabalhos expostos na Mostra Fotográfica Internacional “Mulheres Rurais em Ação”, realizada no âmbito da Campanha Mulheres com Direitos XXVIII REAF Presidência Pro-Tempore do Paraguai no Mercosul (2018), exposição coletiva Corpografia NEFA (2019), residência artística Na Foto Cartografias Catarinense (2020), residência artistica NaCasa (2022) e residente R.A.R.O Buenos Aires (2022).
A viagem da fotógrafa à capital da Argentina também foi possível graças à campanha de financiamento coletivo Malu na Residência Artística Internacional R.A.R.O, realizada no mês de setembro em parceria com o NEFA – Grupo de Estudos de Fotografia e Arte, que contou com apoio de empresas e profissionais de Florianópolis.
“Buenos Aires é uma cidade com muita cultura, sempre tem alguma exposição acontecendo e há um incentivo bem grande para isso. Ver de perto esse movimento é muito rico e tudo que aprendi aqui pretendo levar para Floripa, fico feliz de poder retornar algo para minha cidade, mesmo sabendo que é um trabalho de formiguinha”, finaliza a artista.