A quinta edição da mostra internacional “Dislexia Quando Arte” abriu as portas na sexta-feira (6), em Florianópolis. A exposição traz a obra de 30 artistas diagnosticados com dislexia e provoca reflexões sobre o estigma que cerca o transtorno.
A exposição “Dislexia Quando Arte” aborda o transtorno de aprendizado como potência criativa e questiona os estereótipos – Foto: Beatriz Rohde/NDA mostra é uma iniciativa do Instituto Domlexia, gratuita e aberta ao público. O tema desta edição é “NÓS” e a identidade foi elaborada pelo artista plástico Lesse Pierre Lima.
“A gente quer colocar o foco no lado positivo da dislexia. Não queremos falar de dislexia como dificuldade de leitura e escrita, mas sim como potência criativa”, explica Nadine Heisler, fundadora do Instituto Domlexia e organizadora do evento.
SeguirA curadoria conta com artistas de 11 países diferentes. A exposição de arte pode ser visitada até dia 22 de setembro no Museu da Escola Catarinense, localizado na Rua Saldanha Marinho, número 196, no Centro de Florianópolis.
“A gente tem uma curadoria extremamente democrática, o que não é comum no mundo da arte. Temos artistas consagrados e artistas inéditos que estão expondo pela primeira vez, lado a lado. O que os une é o viés da dislexia e a forma como eles enxergam o mundo”, destaca Nadine.
A ideia da mostra “Dislexia Quando Arte” nasceu em 2020 e começou com uma exposição digital. Na época, o perfil no Instagram foi transformado em uma galeria de arte virtual com a adesão de 12 artistas. Desde então, a iniciativa cresceu e se tornou um evento presencial em Florianópolis.
A mostra deste ano também oferece oficinas gratuitas com artistas convidados e exibe curta-metragens. O documentário “Fernanda Young – Foge-me ao Controle” será exibido na próxima sexta-feira (13), às 19h.
Cantor Renato Godá se apresenta na abertura da mostra “Dislexia Quando Arte”
O cantor Renato Godá, que se apresentou na abertura da mostra, contou sua trajetória pessoal com a dislexia – Foto: Beatriz Rohde/NDA abertura da mostra internacional “Dislexia Quando Arte”, na noite de sexta-feira, teve show do cantor e compositor paulista Renato Godá no hall do Museu da Escola Catarinense.
Diagnosticado com dislexia e TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), o artista já participou das edições anteriores e compartilhou sua história pessoal acerca do tema, como as dificuldades na escola durante a infância.
“Até então eu me sentia o único disléxico do mundo, porque eu tive uma história muito traumática. Eu sou um cara dos anos setenta e naquela época não se falava sobre isso. Você só era um aluno ruim, um vagabundo, um preguiçoso”, lembra Godá.
A exposição “Dislexia Quando Arte” está aberta no Museu da Escola Catarinense, no Centro de Florianópolis, até 22 de setembro – Foto: Beatriz Rohde/NDA partir do convite do Instituto Domlexia para participar do projeto “Dislexia Quando Arte”, o cantor passou a conversar com outros disléxicos em um grupo de WhatsApp.
“Quando a Nadine me apresentou essas pessoas, foi um sopro de esperança. Me deu um conforto, eu encontrei o pessoal que saiu da mesma nave que eu, sabe?”, descreve.
“Quando eu estava sozinho nisso, eu era só um disléxico. Quando virou uma coisa de plural, a vida tomou outro sentido. Eu vi o quanto figuras como a Nadine são importantes, que têm a coragem de proporcionar esse tipo de ação no país que a gente vive, onde a educação é a última pensada”, ressalta Renato Godá.
Artistas compareceram à abertura da mostra “Dislexia Quando Arte” na noite de sexta-feira (6) – Foto: Beatriz Rohde/NDO propósito do evento, segundo a organizadora Nadine Heisler, é justamente trazer outras perspectivas sobre a dislexia e inspirar crianças e jovens disléxicos que não são valorizados em escolas tradicionais.
“Para os artistas, traz um local de reconhecimento e pertencimento, porque muitas vezes eles não conhecem outras pessoas com dislexia e é naquele momento em que acha o seu grupo”, observa.
“Mas, além disso, a gente propicia para outras pessoas que às vezes nem sabem que têm dislexia e, a partir das histórias dos artistas, se veem ali e vão atrás de um diagnóstico”, completa.