Dois meses antes do início de uma das suas principais festividades, Florianópolis recebeu nesta segunda-feira (28) a única coroa faltante do Divino Espírito Santo. O presente, dado pelo governo de Açores preenche a lacuna existente na paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no José Mendes. Dentre as organizadoras da Festa do Divino, é a mais nova.
Padre Marcos Mario Bubniak e o o secretário regional da Agricultura de Açores, Antônio Ventura – Foto: Felipe BottamediO ornamento, utilizado para coroar o imperador da festa, foi trazido pelo secretário regional da Agricultura de Açores, Antônio Ventura. A coroa é toda produzida em prata e foi fabricada em território português. É fundamental que ela venha de lá, uma vez que a festa é uma das tradições símbolo da cultura açoriana em Florianópolis.
A cerimônia começou por volta das 18h, com uma missa rezada pelo padre Marcos Mario Bubniak. Além de Ventura, foram homenageados o presidente da Casc (Casa dos Açores de Santa Catarina), Sérgio Luiz Ferreira, e o casal Paulo e Osmarina Villauva, frequentadores da igreja. Eles foram fundamentais para a conquista da coroa.
SeguirAinda em 2021, Paulo e Osmarina redigiram uma carta contando a necessidade do ornamento, e a levaram até Ferreira. Ano após ano, para contornar a falta da coroa, a paróquia pedia uma emprestada para as outras 13 igrejas da cidade que realizam o festejo. Foi quando o presidente da Casc levou o pedido até Açores, ainda em outubro de 2021.
Após missa e homenagens, comunidade celebrou entrega da coroa do Divino com fotos – Foto: Felipe Bottamedi/NDSímbolo
Para Ventura, a coroa simboliza o Espírito Santo, que ele considera a força vital dos Açorianos. “Esta entrega tem significado muito alto na nossa vida espiritual. Os açorianos, desde o povoamento, têm se agarrado ao Espírito Santo. E ele está nos momentos fáceis e difíceis”, afirma o secretário. “Foi essa fé que os permitiu vencer nessa região”.
Durante os festejos, o ornamento é exposto no altar. A origem da tradição remonta o século XIII e uma promessa feita pela rainha Isabel em meio a disputa pelo trono entre Portugal e o reino independente de Aragão. “Se ela conquistasse a graça, escolheria um casal de meninos pobres que teriam um dia de reinado”, conta Edson Aranha , paroquiano e festeiro.
Aqui a festa começou no século XVII, sendo realizada nas comunidades de Santo Antônio de Lisboa e Lagoa da Conceição, diz Ferreira. As comunidades da Barra da Lagoa e de José Mendes são as mais recentes no circuito, que contempla 14 paróquias. “Isso é prova da vitalidade da celebração”, pontua o presidente da Casc.
Segundo Ventura, “trazer uma coroa do Espírito Santo, passados 275 anos, para uma paróquia que não tinha vai além de um contato institucional. Tem um significado, é um contato espiritual e primitivo com aqueles primeiros moradores desta terra”.