Os escritores de Santa Catarina estão em plena atividade e deram trabalho à comissão especial da ACL (Academia Catarinense de Letras) que definiu os seis vencedores do Prêmio Catarinense de Literatura 2021 nas categorias romance, contos, poesia, crônica, história e ensaio.
Roberto Bertolin, Isabela Hoffmann, Moacir Pereira, Paulo Clóvis Schmitz e Marcelo Campanholo – Foto: Leo Munhoz/NDAlém dos diplomas aos escritores, a academia conferiu diplomas de honra ao mérito a duas personalidades e a dois projetos especiais exibidos em televisão. O Grupo ND foi homenageado pelo documentário sobre Anita Garibaldi e pelo trabalho do jornalista Paulo Clóvis Schmitz.
A sessão solene foi realizada na noite desta quinta-feira (19), na Casa José Boiteux, sede da ACL, em Florianópolis, e foi conduzida pelo atual presidente da instituição, o jornalista Moacir Pereira. Ano passado o evento foi online, mas, neste ano, foi presencial e, conforme a expectativa de Moacir, um evento com casa cheia.
Seguir“São reconhecimentos, primeiramente, pela qualidade dos trabalhos. A minissérie ‘Anita: Amor, luta e liberdade’, por exemplo, teve reconhecimento nacional e até internacional. Foi muito bem feito, então, a academia resolveu prestar essa homenagem até como forma de estimular outros projetos dessa natureza”, disse o presidente da ACL sobre um dos diplomas conferidos ao Grupo ND.
Noite de casa cheia no Prêmio Catarinense de Literatura relativo a 2021 e entregue em 2022 – Foto: Leo Munhoz/NDA minissérie, dirigida pela cineasta e jornalista Isabella Hofmann, tem como idealizador o diretor regional do Grupo ND em Florianópolis, Roberto Bertolin, que recebeu o diploma no evento. Para Bertolin, o reconhecimento à obra sobre Anita Garibaldi, realmente, veio para estimular o grupo a investir em produções desse porte.
“Recebo essa homenagem com grande alegria e com a responsabilidade de ter que continuar trabalhando e investindo para fazer novas produções com o mesmo desempenho. O diferencial foi que enaltecemos a pessoa, o caráter da Anita como mãe, mulher e com seus ideais”, ressaltou Bertolin.
45 anos de jornalismo
Outro homenageado, o jornalista Paulo Clóvis Schmitz, que atua desde os anos 1970 em Jornalismo, se disse lisonjeado e surpreendido. Formado em letras, logo que chegou à Capital, em 1977, PC começou a trabalhar no extinto Jornal O Estado. Na época, não existia curso de Jornalismo na cidade – o primeiro surgiu em 1979.
O jornalista Paulo Clovis Schmitz – Foto: Leo Munhoz/NDAlém d’O Estado, PC atuou em assessorias de imprensa, em outros veículos de comunicação e numa editora até chegar ao jornal ND em 2006, onde trabalhou até se aposentar em 2018. Atualmente, PC escreve matérias especiais nos finais de semana.
“O jornalismo é estimulante porque estamos sempre aprendendo. Não existe profissão que você, todo dia, conheça uma coisa, um cenário, uma pessoa, uma situação diferente. Quem trabalha em redação se depara com situações novas e desafiadoras todo dia. É um aprendizado constante. A gente vira uma pequena enciclopédia ambulante”, disse PC sobre a profissão que exerce há 45 anos.
Para ele, a cartilha do bom jornalismo envolve base cultural, muita leitura e inquietação. “Leitura é uma base fundamental, além do cuidado, da ética e da fidelidade aos fatos e versões”, completou.
Todos os homenageados – Foto: Leo Munhoz/NDPC tem crônicas publicadas em livros e é autor de obras sobre memória e história de Florianópolis. Ele destacou dois livros da sua produção: “Rancho de pescador na Ilha de Santa Catarina”, onde entrevistou diversos pescadores da Capital, donos de rancho e de barcos de pesca e “Florianópolis em preto e branco”, em que ouviu pessoas entre 70 e 80 anos que conheceram a Capital na metade do século passado.
No momento, ele se dedica a reportagens especiais no Jornal ND e a grandes viagens, que gosta de fazer na companhia da mulher. No mês que vem, eles visitam Croácia, Bósnia e Eslovênia, na Europa.
Demais homenagens
Na noite de quinta, a academia também entregou diploma de honra ao mérito ao engenheiro agrônomo e escritor Glauco Olinger, que completa 100 anos em 2022, e a NSC, pela série de pequenos programas televisivos sobre escritores do Estado.
Glauco Olinger nos primeiros minutos com seu novo diploma em mãos – Foto: Nícolas Horácio/NDOutro homenageado, este com o Prêmio Othon Gama D’Eça, pelo conjunto da obra, in memorian, foi o poeta Lindolf Bell, de Timbó. Quem recebeu a homenagem foi sua neta, Luiza Hering Bell.
Figuras ilustres compareceram à sessão solene, entre as quais, a maestrina Rute Gebler, a ex-primeira-dama do Estado, Maria Angélica Colombo, a deputada federal Carmen Zanotto, a vice-governadora do Estado, Daniela Reinehr e o presidente da FCC (Fundação Catarinense de Cultural), Edinho Lemos.
Confira os seis vencedores do Prêmio Catarinense de Literatura – 2021
Romance: Cristóvão Tezza, com o livro “A tensão superficial do tempo”
Contos: Carlos Henrique Schroeder, com “Aranhas”
Poesia: Sérgio Medeiros, com “O passo do macaco”
Crônica: Ana Lavratti com “Você mulher é ainda melhor”
História: Nelma Baldin com “Tão fortes quanto a vontade”
Ensaio: Dennis Radunz, com “Roça barroca: mundos torrentes”