Há 10 anos falecia em Florianópolis o professor e desembargador Norberto Ungaretti

Lagunense brilhou no ensino do Direito, na magistratura, na política e na fundação de várias entidades culturais e sociais

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Há exatos 10 anos falecia em Florianópolis, o advogado, professor, escritor e desembargador Norberto Ungaretti, um dos mais brilhantes intelectuais e líderes educacionais de Santa Catarina.

Ungaretti tomando posse na Academia Catarinense de Letras, que presidiu – Foto: ArquivoUngaretti tomando posse na Academia Catarinense de Letras, que presidiu – Foto: Arquivo

Tive a honra de publicar e lançar há três anos o livro “Norberto Ungaretti: Espírito Iluminado”, da editora Doisporquatro.

Natural de Laguna, veio jovem para Florianópolis em 1956 para ser o secretário particular do governador Jorge Lacerda.

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Diplomou-se na Faculdade de Direito e, ainda acadêmico, foi subchefe da Casa Civil do governo Heriberto Hulse.

Em 1965, prestou concurso para professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde lecionou durante 37 anos. No mesmo ano, tornou-se vereador em Florianópolis e foi duas vezes presidente da Câmara municipal.  Secretário de Estado do Interior e Justiça durante cinco anos, na administração do governador Ivo Silveira, presidiu a comissão que elaborou o projeto de Constituição de Santa Catarina, em 1967, e a Lei Orgânica dos Municípios, no ano seguinte. Foi consultor jurídico e procurador fiscal do Estado.

Voltou ao palácio do governo como assessor especial do governador Jorge Bornhausen, em 1978, tendo permanecido na função durante o governo de Esperidião Amin, a partir de 1983.

Mais tarde desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, foi professor e diretor da Escola Superior da Magistratura de Santa Catarina, tendo sido distinguido com o título de sócio honorário do Instituto Brasileiro de Direito de Família.

Em 2006, por ocasião do seu 70° aniversário, o Poder Judiciário catarinense publicou o livro Direito e Processo: estudos em homenagem ao desembargador Norberto Ungaretti, volume de cerca de novecentas páginas, reunindo trabalhos de 60 juristas, incluindo desembargadores, juízes, professores, membros do Ministério Público e advogados.

Destacou-se também como autor de estudos históricos. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, foi distinguido com o título de sócio emérito. Pertenceu ao Colégio Brasileiro de Genealogia, ao Instituto de Genealogia de Santa Catarina e foi presidente da Associação dos Amigos do Arquivo Público de Santa Catarina.

Fundador e presidente do Conselho Deliberativo do Lagoa Iate Clube (LIC), em Florianópolis, dedicou-se também a atividades filantrópicas. Foi fundador e presidente do Conselho Deliberativo da Associação Catarinense para a Integração do Cego (ACIC), vice-presidente e presidente de honra da Sociedade Espírita de Recuperação, Trabalho e Educação (Serte), maior obra filantrópica do norte da Ilha de Santa Catarina, e presidente da Sociedade Espírita Obreiros da Vida Eterna (Seove), entidade que mantém asilo para idosos carentes.

Autor da obra de ficção histórica Laguna: um pouco do passado, foi titular da Cadeira n. 40 e vice-presidente da Academia Catarinense de Letras, tendo também participado de obras coletivas em homenagem ao Conselheiro Manoel da Silva Mafra e aos professores e historiadores Henrique da Silva Fontes e Oswaldo Rodrigues Cabral.

Norberto Ungaretti foi homenageado pelo governo catarinense com a Medalha de Mérito Anita Garibaldi, pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina com a Medalha de Mérito Castorina Lobo de São Thiago, pelo TJSC com a Medalha do Mérito do Poder Judiciário e pela Câmara de Vereadores de Florianópolis com o título de Cidadão Honorário e a Medalha do Mérito do Município.

Faleceu em 9 de janeiro de 2014, antes de concluir a biografia de Jerônimo Coelho, fundador da maçonaria e da imprensa em Santa Catarina (com informações da editora Dois por Quatro).