Siri colossal, bruxas e fantasmas: confira 4 ‘histórias de pescador’ de Florianópolis

No aniversário de 350 anos da capital catarinense, o portal ND+ reuniu histórias de pescadores manezinhos que vão te deixar de queixo caído

Foto de Lídia Gabriella

Lídia Gabriella Florianópolis

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Com certeza, você já ouviu aquela famosa expressão “história de pescador”. Sua definição é bem simples: evidencia os grandes contos fabulosos contados por pescadores das cidades interioranas do nosso país. Para homenagear um dos grandes símbolos de Florianópolis, o ND+ reuniu quatro histórias de dois pescadores antigos da Ilha, Claudinei José Lopes, do Campeche, e Laurentino Benedito Neves, da Barra da Lagoa.

pescadores, histórias engraçadas, lendasConfira 4 histórias mirabolantes de pescadores de Florianópolis – Foto: Freepik/ND

Siri colossal

Neves conta que em um dia ensolarado, dez pescadores queriam sair de canoa da Barra da Lagoa. Quando chegaram no meio do caminho, estavam em um lugar muito fundo, mesmo assim a canoa ficou encalhada e não ia nem para a frente nem para trás.

Os pescadores pensaram que poderia ser uma pedra gigantesca, mas se surpreenderam quando viram que era um siri. Com muito esforço, conseguiram pegar o animal e fizeram um ensopado que alimentou 200 famílias da Barra da Lagoa.

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Com a casca do siri, os pescadores ainda fizeram uma canoa de 12 metros de diâmetro.

A canoa que foi construída com o casco do siri – Foto: Laurentino Chinha/Arquivo Pessoal/Reprodução/NDA canoa que foi construída com o casco do siri – Foto: Laurentino Chinha/Arquivo Pessoal/Reprodução/ND

‘Raia Galalau’

Ainda na Barra da Lagoa, Neves estava arrumando a rede para pegar tainha. Quando olhou para o horizonte, viu algo que parecia uma asa delta e chamou seu amigo, que concordou com ele, mas achou estranho porque volta e meia o planador sumia dos olhos dos dois pescadores.

Laurentino correu até sua casa e pegou um binóculos para ver o planador melhor. Quando olharam mais adiante era uma raia de 6 metros de largura que estava nadando pelo mar, eles não mexeram com ela, mas nunca esqueceram da ‘raia galalau’.

As bruxas da Lagoa do Peri

Neste conto, Claudinei diz que em um tempo muito distante, quando se podia pescar na Lagoa do Peri, estava seu amigo e um outro pescador em uma noite sem vento, no meio da lagoa.

De repente, uma luz muito forte apareceu no alto do céu e um dos pescadores perguntou o que poderia ser aquela luz. O outro respondeu que decerto seria uma bruxa.

Quando o amigo de Lopes olhou para trás, viu que o outro pescador tinha caído na água, como não tinha vento eles estranharam a queda do pescador.

Claudinei explica que quando estão em cima de uma canoa, não podem falar sobre bruxas porque isso atrai energia ruins. Pode ter sido por isso que o outro pescador caiu, não acha?

O ‘Fantasma das Dunas’

Sempre que outros pescadores iam ao Campeche para pegar peixes, aparecia uma assombração em cima das dunas. Todos morriam de medo do tal fantasma. O tio de Claudinei era policial e, em um certo dia, foi armado até o local.

Quando a assombração chegou, começou a gritar: “Saiam daqui! Aqui é meu, eu posso estar morto, mas quem pesca aqui sou eu!”

O tio dele ficou “encucado” com aquela cena e foi confrontar o fantasma. Quando chegou perto, descobriu que na verdade, o fantasma era um ancião do bairro.

Para se tornar o fantasma das dunas, esse senhor pegou um lençol, fez dois buracos para os olhos e se cobriu. Assim, se tornou uma completa assombração.

O ancião explicou ao policial que fazia aquilo porque não gostava que as pessoas de outros bairros fossem pescar no Campeche, por isso assustava a todos.

A raia turista

Há muitos anos, o avô de Claudinei, pescador de espinhel, encontrou uma raia muito grande. Ao tentar puxá-la, ele notou que não conseguiria pegá-la.

O pescador buscou uma enxada, muito querida, e cravou nas costas da raia para conseguir matá-la. Por conta do seu tamanho, ele não aguentou e a soltou, então ela foi embora, levando consigo a enxada do avô de Claudinei.

Tempos depois, ele viu a notícia de que uma raia gigantesca teria sido capturada no Rio Grande do Sul, em São José do Norte. Ele ficou cismado e partiu para a cidade, quando chegou no local, ele conversou com o pescador que a capturou, contou toda a história e perguntou se ela estava com uma enxada cravada nas costas.

O pescador confirmou, o avô de Claudinei estava muito constrangido, mas mesmo assim perguntou se ele não queria vender a enxada, porque ela tinha um valor sentimental para ele.

O pescador disse que se a enxada era dele de verdade, ele poderia levar. O mais engraçado disso tudo, é que a raia viajou 685,5 km com uma enxada cravada nas costas e não morreu. Curioso, não?

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