Organização filantrópica católica, assistencial e sem fins econômicos, a Ides (Irmandade do Divino Espírito Santo) é uma das mais antigas instituições de Santa Catarina. Foi fundada em 10 de junho de 1773 e completará 250 anos em 2023. Em 1910, começou suas atividades sociais com o Asilo de Órfãs Lar São Vicente de Paulo, atual Abrigo Lar São Vicente de Paulo, em plena atividade. Em 1977, a irmandade criou o Ceig (Centro de Educação Infantil Girassol) e incorporou a Promenor (Associação Promocional do Menor Trabalhador).
Ides foi fundada em 10 de junho de 1773 e completará 250 anos em 2023 – Foto: Divulgação/NDAlém de realizar as celebrações da Festa do Divino, propagando o culto ao Divino Espírito Santo como tradição nascida na Península Ibérica, a missão da irmandade é atuar na assistência e formação de crianças de zero a 11 anos e adolescentes em situação de vulnerabilidade. “Temos quatro grandes programas que atendem a cerca de 800 crianças e jovens em situação de exclusão na Grande Florianópolis”, informa o provedor Paulo Teixeira do Valle Pereira. Os projetos sociais têm como um dos focos a preparação de jovens para o mercado de trabalho e o exercício da cidadania. O programa Formação Aprendiz, por exemplo, facilita o acesso desse público ao primeiro emprego.
Outras 130 crianças são atendidas no contraturno escolar, onde têm acesso a aulas de informática e à prática de esportes. Para outra faixa etária, o CEIG atende a 400 crianças, em programa desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Florianópolis. Já o Abrigo São Vicente de Paulo alcança 20 menores que dependem de tutela. Todo esse trabalho é realizado com a participação de voluntários. A irmandade tem títulos de utilidade pública municipal, estadual e federal.
SeguirA Irmandade do Divino Espírito Santo tem o apoio da Prefeitura de Florianópolis, por meio da Fundação Franklin Cascaes, de empresas da cidade e de mais de 400 voluntários, para viabilizar o evento. Tombada como patrimônio imaterial no município e no Estado, a festa reflete o peso da religiosidade dos descendentes dos açorianos que ocuparam a Ilha de Santa Catarina e o litoral catarinense em meados do século 18. E também ajuda a Irmandade a obter recursos para seus projetos sociais, que beneficiam centenas de crianças e adolescentes na Capital.
Missão da Ides é atuar na assistência e formação de crianças de zero a 11 anos e adolescentes em situação de vulnerabilidade – Foto: Divulgação/NDManifestação autêntica da alma açoriana
O culto ao Divino Espírito Santo é a manifestação mais autêntica e representativa da alma açoriana nos países onde se deu a diáspora dos povos do arquipélago português. Em todos esses lugares, a religiosidade se exprime na forte devoção à terceira pessoa da Santíssima Trindade. Seja nas igrejas, seja nas festas, cantigas e rituais de caráter profano, essa veneração – que começou na vila portuguesa de Alenquer no ano de 1321 – é uma marca da presença dos nativos dos Açores e de seus descendentes. Com um vasto mosaico étnico, o Brasil tem distintas formas de expressar o fervor ao Divino, agregando sempre elementos e a cor local a uma tradição multissecular.
A Ilha de Santa Catarina, para onde vieram cerca de 6.000 açorianos a partir de 1748, é um dos pontos onde essa tradição se mostra muito consolidada, a ponto de o ciclo do Divino abarcar todos os bairros e balneários de maior expressão, como Canasvieiras, Santo Antônio de Lisboa, Lagoa da Conceição, Ribeirão da Ilha, Pântano do Sul, Campeche e Trindade. E são poucos os municípios do litoral para onde essa adoração não se espraiou, de Barra Velha a Jaguaruna, sem falar nos vales que demandam para o interior e até em Lages e São Joaquim, na região serrana.
Mesmo tendo um caráter popular, em sua gênese, as festas do Divino foram incorporadas pela igreja católica e, em maior ou menor grau, dependendo de onde acontecem, mesclam rituais religiosos com cortejos, desfiles e o espocar de fogos de artifício nas comunidades que as realizam. Se celebram a fé, elas também contemplam a solidariedade, por meio da partilha, da comunhão, da distribuição de alimentos aos pobres.
O dia do Divino costuma ser sete semanas após a Páscoa, festejando o Pentecostes e lembrando que o Espírito Santo desceu do céu sobre a Virgem Maria e os apóstolos na forma de línguas de fogo.
As cerimônias religiosas incluem novenas e tríduos na sede das paróquias, nas capelas e nas residências da comunidade. A missa de coroação, solene, é um dos pontos altos da celebração. A tradição também prevê o pagamento de promessas com pão (feito de massa doce ou sovada) com a forma da parte do corpo que deu motivo ao pedido – são graças alcançadas pela cura de doenças. São pães na forma de mãos, braços, pés, corações, cabeças, seios e corpos inteiros (bonecos). A parte profana da festa inclui música, bailes e barraquinhas onde se vende de tudo, principalmente alimentos e bebidas.
Os projetos sociais têm como um dos focos a preparação de jovens para o mercado de trabalho e o exercício da cidadania – Foto: Divulgação/NDPara manter acesa a chama do Divino
Uma das celebrações religiosas mais importantes de Santa Catarina, a Festa do Divino Espírito Santo começa a ser preparada um ano antes de acontecer. Líderes da irmandade que organiza o evento em Florianópolis estiveram na sede do Grupo ND para convidar seu presidente, Marcello Corrêa Petrelli, para ser o festeiro da próxima edição, que vai ocorrer a partir de maio de 2023. O empresário disse ter ficado muito feliz com o convite e ressaltou a responsabilidade que vai assumir. “É uma responsabilidade muito grande, é uma data importante de 250 anos. Aceito com muita humildade e alegria, e vamos procurar fazer o melhor”, afirmou. Este ano, o ciclo do Divino na Capital começou em 2 de junho e se estenderá até 25 de setembro no Centro e em 13 outros bairros da cidade.
O provedor da Irmandade, Paulo do Valle Pereira, disse que a instituição costuma convidar para festeiros pessoas com influência e representatividade e que tenham envolvimento com a cidade e sua cultura. “O projeto do Grupo ND voltado para os Açores, de onde veio o culto do Divino, demonstra esse compromisso”, afirmou.
Ele também destacou os 250 anos de criação da irmandade, que serão comemorados em 2023. “Marcello Petrelli é uma pessoa importante em nossa sociedade e pode nos ajudar a divulgar ainda mais a festa dentro do calendário de Florianópolis”, reforçou.
A irmandade realiza em todos os segundos sábados de cada mês a Festa dos Irmãos, e neste dia 9 a ocasião será aproveitada para que o festeiro de 2023 assuma o posto, em solenidade que terá como sede a capela do Divino Espírito Santo, no Centro de Florianópolis. Após uma missa, às 18h, o festeiro de 2022 passará a função para o próximo, que organizará, junto com uma equipe de voluntários, o evento do ano que vem. Em 2020 e 2021, a festa não foi realizada por causa da pandemia de Covid-19, retornando agora, seguindo todas as recomendações sanitárias.