Panorama parcial de área central da cidade de Joinville, onde aparecem o Moinho de Trigo, Rio Cachoeira e Mercado Público Municipal (1950) Foto: Divulgação/Arquivo Histórico de Joinville/NDSe tem um monumento emblemático na paisagem joinvilense, esse é o Moinho Joinville. Muito antes de abrigar uma escola, o prédio imponente do bairro Bucarein movimentava a economia com a produção do trigo moído e a movimentação do Porto de Joinville. O Moinho, hoje patrimônio da cidade, guarda mais de um século de história.
O que é o Moinho Joinville?
O Moinho Joinville foi uma indústria de farinha de trigo que teve suas operações de 1913 a 2013, como escreve a pesquisadora Anelise Bonaldi Kloppel, no sua pesquisa de Mestrado intitulada Evidências de um Patrimônio Industrial: Memórias do Trabalho no Moinho Joinville.
Segundo Anelise, a fundação do Moinho acompanha a própria criação da cidade. O seu surgimento faz parte do movimento da chegada dos imigrantes europeus (que iniciou oficialmente em 1851) e das primeiras indústrias.
SeguirProdução de trigo
Os grãos de trigo para produção da farinha eram importados da Argentina. O insumo chegava no Brasil através do Porto de São Francisco do Sul.
Entretanto, a farinha de trigo era um produto muito consumido no Estado de Santa Catarina, por isso o governo começou a movimentar estratégias para que o cereal fosse cultivado no estado.
Nesse contexto, como apontou Anelise, o apelo patriótico pela construção do Moinho Joinville revelava um mercado de trigo ainda em formação em Santa Catarina. O empreendimento indicava não só a expectativa econômica na produção de farinha, mas também o impulso à agricultura local.
Início das obras de construção do Moinho de Trigo de Joinville (1912). Foto: Divulgação/Arquivo Histórico de Joinville/NDQuem fundou o Moinho Joinville?
O empreendimento foi criado sob a sociedade Oscar Schneider & Cia. A gestão era feita por Oscar Antônio Schneider, que na época era superintendente do município, cargo equivalente ao de prefeito hoje.
Também participava da administração Domingos Rodrigues da Nova Junior, e a sociedade contava ainda com outros sócios solidários e comanditários. Entre eles estava o médico e político Dr. Abdon Batista.
Ele foi vendido e passado para diversos outros grupos empresariais no decorrer do tempo. O grupo Bunge foi o último proprietário do Moinho Joinville antes de encerrar as atividades em 2013.
Localização estratégia, o Porto de Joinville
O Moinho fica próximo ao Mercado Municipal, em uma região onde funcionava o Porto de Joinville, hoje desativado. O local fazia ligação da cidade, via Rio Cachoeira, para a Baía Babitonga e para o Porto de São Francisco do Sul.
A construção do Moinho Joinville no local foi escolhida de forma estratégica: facilitar o recebimento da matéria-prima e o escoamento do produto final, conforme levantou Anelise.
Moinho foi adquirido em 2019 pela Fiesc
Em 2019, o prédio e a área de 56 mil metros quadrados onde fica o Moinho foram comprados pela Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina). O investimento para a aquisição foi de R$ 12,8 milhões.
A fachada do Moinho foi restaurada e foi construído no local a Escola Sesi de Referência do Brasil. Segundo a entidade, foram investidos mais de R$ 150 milhões no local.
Moinho Joinville foi adquirido pela Fiesc em 2019 e passou por uma revitalização – Foto: Divulgação/Filipe Scotti-Fiesc/ND