Império Vermelho e Branco faz pedido de socorro a indígenas Yanomami e expõe crise humanitária

Enredo, planejado desde 2020, expõe o sofrimento causado pelo garimpo ilegal nas terras dos povos originários na Amazônia

Maria Fernanda Salinet Florianópolis

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A escola de samba Império Vermelho e Branco pensou em chamar atenção à gravidade dos problemas enfrentados pelos indígenas Yanomami, na Amazônia, muito antes de a crise humanitária vir à tona há algumas semanas. Já em 2020, o enredo “Urihi: a terra floresta pede socorro” começou a ser planejado.

Império Vermelho e Branco vai levar à avenida um pedido de socorro aos indígenas Yanomami – Foto: Leo Munhoz/NDImpério Vermelho e Branco vai levar à avenida um pedido de socorro aos indígenas Yanomami – Foto: Leo Munhoz/ND

“Quando vejo as fantasias, a emoção vai vindo, o coração bate forte. É um momento difícil. Estamos levando um enredo em um momento crucial”, destaca a diretora de comunicação da escola, Camila de Lima.

No desfile do Complexo Nego Quirido, em Florianópolis, todas as fantasias, alas e carros alegóricos contarão um pouco do sofrimento causado pelo garimpo ilegal, cujo mercúrio destrói as plantações, contamina a água dos rios, os animais, o solo da floresta e até o ar.

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Segundo o relatório “Yanomami sob ataque”, produzido em abril de 2022 e entregue na última quarta-feira (1º) ao subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua, o garimpo ilegal cresceu 3.350%, de 2015 a 2020.

“O nosso socorro era para ser antes, para não deixar acontecer o que está acontecendo. Quantos indígenas foram mortos por garimpeiros? O nosso pedido de socorro era para ter evitado tudo isso”, desabafa Camila.

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    Enredo foi pensado ainda em 2020, muito antes da crise humanitária vir à tona - Leo Munhoz/ND
    Enredo foi pensado ainda em 2020, muito antes da crise humanitária vir à tona - Leo Munhoz/ND
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    A escola de samba Império Vermelho e Branco foi fundada em 1991, no bairro Pantanal, em Florianópolis - Leo Munhoz/ND
    A escola de samba Império Vermelho e Branco foi fundada em 1991, no bairro Pantanal, em Florianópolis - Leo Munhoz/ND
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    A agremiação do Pantanal será a segunda escola a desfilar no dia 18 de fevereiro, no Complexo Nego Quirido - Leo Munhoz/ND
    A agremiação do Pantanal será a segunda escola a desfilar no dia 18 de fevereiro, no Complexo Nego Quirido - Leo Munhoz/ND
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    As fantasias, alas e carros alegóricos contarão um pouco do sofrimento causado pelo garimpo ilegal - Leo Munhoz/ND
    As fantasias, alas e carros alegóricos contarão um pouco do sofrimento causado pelo garimpo ilegal - Leo Munhoz/ND
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    Os indígenas que vivem em Palhoça e Biguaçu também farão parte do desfile de 18 de fevereiro - Leo Munhoz/ND
    Os indígenas que vivem em Palhoça e Biguaçu também farão parte do desfile de 18 de fevereiro - Leo Munhoz/ND

Os indígenas que vivem em Palhoça e Biguaçu também farão parte do desfile de 18 de fevereiro. Assim que viram o enredo proposto pela Império, diz Camila, entraram em contato.

“Eles estão se sentindo importantes nesse momento, porque disseram que nunca foram abraçados por nenhuma escola.” A agremiação do Pantanal, além de realizar uma ala dedicada a eles, também organizou a vinda deles a Florianópolis.

Valorização da cultura

Mas além da destruição imposta aos indígenas, o enredo vai exaltar a cultura e a riqueza que os Yanomami têm a oferecer. “Vão ser mostrados os valores que a terra deles têm para a gente, no ouro, no brilho”, detalha a diretora de comunicação sobre os adereços e fantasias.

Para isso, os preparativos não param, com os barracões funcionando 24 horas. Atualmente, são cerca de 40 pessoas trabalhando com o propósito de concluir todas as fantasias até uma semana antes dos componentes pisarem na avenida.

“A expectativa está bem grande. Por mais que a gente seja uma escola que subiu do acesso, a comunidade está voltando com a gente, com a escola. Acredito que a letra do samba está muito bonita e muito forte, vai ser bastante emocionante.

Ficha técnica

Império Vermelho e Branco

Localidade: Pantanal
Fundação: 15/11/1991
Cores: Vermelho e branco
Títulos: Campeã Grupo de Acesso – 2012
Componentes: 1.200

Enredo 2023: “Urihi: a terra floresta pede socorro”
Compositores do Samba-enredo: Severo Pereira, Tiago Mainers, Rafael Tubino

Sou eu!
Da terra verde, eterno guardião
Sou um pajé que clama proteção
Em noite de lua cheia
O filho…Herdeiro Xapiripë, um xamã
Omama e Yoasi, a voz do amanhã
Evocação na aldeia
Vitória régia que perfuma doces águas
Natureza que deságua
O broto da vida que o índio semeia

Auê! auê! Minha flecha é certeira
Auê! auê! Mãe baiana curandeira
Lava esse meu pranto, traz a energia
Renasce o mistério e a magia

E toda maldade que vai despertar
Riquezas ao olhar da ambição
Os ianomâmis não vão se curvar
A tribo resiste a qualquer invasão
Amazônia!
Teu verde é o lugar dos passarinhos
Entenda que ao trilhar novos caminhos
A floresta há de chorar
Meu grito é mais que um clamor de esperança
Feito curumim, uma eterna criança
Faço do samba um hino para preservar

É no toque do maracá, no batuque do tambor
Que a nação imperiana se manifesta
Eu também quero ser índio pela luta guardiã
Sob as bençãos de tupã e o canto da floresta

Parcerias

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