Morreu aos 61 anos a fotógrafa e artista plástica gaúcha Rochelle Costi, conhecida por valorizar situações do cotidiano. Ela foi vítima de um atropelamento no sábado (26), na região do Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.
Artista morreu aos 61 anos vítima de um atropelamento – Foto: IARA MORSELLI/R7/ND“A morte de uma artista tão jovem e com um pensamento tão refinado quanto o de Rochelle Costi cria impacto e perplexidade, além da dura constatação de que se rompe um ciclo que dava frescor e, ao mesmo tempo, profundidade à produção contemporânea brasileira. Irreparável perda”, lamentou a jornalista e integrante da Associação Brasileira de Críticos de Arte, Néri Pedroso.
Obras no Masc em SC
Néri destaca que Costi esteve poucas vezes de modo oficial ou institucional em Santa Catarina. No entanto, em 2003, participou do 8º Salão Nacional Victor Meirelles, realizado em Florianópolis, quando conquistou o terceiro prêmio com a série ‘Casacega’, fotografias coloridas criadas em 2002 em que registra fachadas e interiores de casas.
SeguirGraças a isso, hoje o Masc (Museu de Arte de Santa Catarina) dispõe de obras suas no acervo, o que demonstra a importância de um salão de arte que lamentavelmente sofre pela constante descontinuidade”, destaca a jornalista.
Néri ainda complementa que “com trabalhos inseridos em importantes museus do Brasil e do mundo, multimídia, ela pode ser ‘lida’ em diferentes claves, pede atenção para a ironia, a perda da identidade, a questão da memória e do corpo”.
A jornalista destacou que a artista mexia com uma imensidão de temas, como a cidade, o público e o privado, a morte, a vida. “Num momento tão delicado no país, a arte e a pessoa de Costi vão fazer enorme falta, porque não se pode prescindir de sua força e do privilégio da atuação”, finaliza Néri Pedroso.
Artista gaúcha
Rochelle nasceu em 1961, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Logo aos 3 anos passou por uma cirurgia nos olhos e precisou realizar exercícios óticos para reconstruir a visão do mundo.
A artista se formou em 1981, em Porto Alegre, no curso de Comunicação Social, pela PUC (Pontifícia Universidade Católica). Fez um curso de extensão sobre fotografia na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), enquanto morou em Belo Horizonte.
Rochelle também morou um tempo em Londres no início dos anos de 1990. Nas últimas décadas morava em São Paulo. De acordo com informações do R7, a artista começou a fotografar porque não sabia desenhar, inclusive, foi a fotografia que a levou às artes plásticas.
Em reportagens a artista destacava o uso de materiais encontrados no cotidiano. “Sempre trabalho com materiais que estão presentes no dia-a-dia, como perucas, espelhos… Coleciono esses materiais durante anos antes de utilizá-los em meus trabalhos”, disse ao Estadão, em 1995.
Trabalhos expostos pelo Brasil
Os trabalhos da artista, além de expostos em vários cantos do Brasil, também foi apreciado em outros países, como Estados Unidos, Espanha, China, Equador, Inglaterra, Portugal e Guatemala.
Entre as obras de Rochelle, uma das principais é o “Os Quartos” de 1998. Neste trabalho, a artista buscava mostrar como “a intimidade, de tão pessoal e profunda, se torna universal”.
O trabalho a Terceira Margem está entre as exposições mais recentes da artista. Por meio de fotos impressas o público pode observar parte dos cenários que Rochelle se deparou em uma viagem à Amazônia. Entre as cenas capturadas estão: uma loja de produtos chineses na divisa entre Bolívia e Brasil e a sede de um coletivo cultural do povo indígena Huni Kuin, no Acre.