Israel e as raves: entenda a cultura do psytrance atacada pelo Hamas

O ataque mais mortífero da história já realizado a um concerto está diretamente ligado à relevância do psytrance na cultura israelense

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O massacre realizado no dia 7 de outubro pelo Hamas ao Festival Universo Paralello (de origem brasileira), resultou no mais letal ataque a um evento musical na história. A investida que ceifou a vida de cerca de 260 pessoas está diretamente ligada à relevância do psytrance na cultura israelense.

Denominado oficialmente como “Universo Paralello Israel Edition – Supernova Sukkot Gathering“, o festival obteve a licença da marca de seu homólogo brasileiro fundado por Juarez Petrillo, DJ e pai de Alok. O evento estava programado para coincidir com o final do feriado judaico de Sucot, uma celebração de uma semana que comemora a colheita e a libertação dos israelitas da escravidão no Egito.

O festival apresentaria mais de uma dezena de DJs em três palcos, incluindo Astral Projection, NoFace, Artifex e Jackalon, juntamente com artistas internacionais, como Man With No Name da Alemanha, Protonica do grupo alemão, Spectra Sonics do Japão e Jumpstreet da Suíça, entre outros.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
Israel e as raves: entenda o que é a cultura do psytrance atacada pelo HamasJuarez Petrillo, pai de Alok, é criador da rave que foi atacada pelo Hamas em Israel – Foto: Reprodução/Instagram

Origem do Psytrance

O psytrance, também conhecido como trance psicodélico, é um subgênero da música eletrônica que se originou na Índia no final dos anos 60. Esse estilo musical é caracterizado por batidas rápidas e faz uso de sintetizadores para criar arranjos e camadas melódicas complexas.

Nos anos 80, com o fim dos requisitos de visto para israelenses na Índia, muitos jovens, recentemente liberados do serviço militar obrigatório, buscaram na Índia uma forma de escapar e processar o trauma. As viagens eram quase um rito de passagem, como retratado no documentário “Free People.”

Carros foram destruídos durante massacre do Hamas em festa rave – Foto: Record TV/ReproduçãoCarros foram destruídos durante massacre do Hamas em festa rave – Foto: Record TV/Reprodução

Na década de 90, as festas de psytrance começaram a ocorrer em áreas remotas de Israel. Esses eventos costumam ter música tocando 24 horas por dia. Para os participantes, é mais do que apenas música; é uma cultura que prega o amor, a paz e a preservação ambiental.

No início, esses eventos enfrentaram resistência em Israel, principalmente por parte das camadas mais conservadoras da sociedade, que se opunham ao uso de drogas e a filosofia que pregava a busca de elevação espiritual.

Hoje, Israel é uma das principais referências do gênero psytrance, atraindo pessoas de todo o mundo para festivais como Zorba Festival, Unity Rising Spirit e Tamar Festival. Até mesmo palestinos participaram desses eventos em 1993, em um período de menor tensão na região.

Ataque a rave de Israel

No entanto, o sonho de uma comunidade musical com ideais de pacifismo, menos violência e preconceito foi interrompido abruptamente na madrugada de sábado, quando os insurgentes do Hamas bombardearam o local e invadiram o evento, resultando no assassinato de centenas de pessoas e no sequestro de dezenas como reféns.

Os ataques não foram aleatórios; foram coordenados e sofisticados, aponta o jornal New York Times. Os atacantes chegaram em caminhões, vestindo coletes à prova de balas e carregando rifles de assalto AK-47. Eles conseguiram desativar as comunicações militares israelenses e as metralhadoras controladas remotamente usando drones, permitindo que abrissem um buraco na cerca da fronteira.

Cerca de 260 pessoas, que estavam unidos em seu amor pela música, foram assassinados no local. O Universo Paralello tornou-se não apenas o pior massacre civil israelita, mas também o ataque de concerto mais mortífero da história.

Veja como ficou o local após massacre

O local da rave virou uma cena de filme de terror, com carros queimados e itens que foram deixados para trás. Pelo menos 3 brasileiros morreram no local.