O edital municipal da Lei Aldir Blanc, que prevê apoio emergencial para o setor cultural de Florianópolis, foi publicado na última sexta-feira (27). A plataforma para inscrições está disponível a partir desta segunda-feira (30).
O setor cultural foi um dos mais afetados pela pandemia – Foto: FCC/Divulgação/NDVanderleia Will é atriz de teatro há 30 anos. O público a conhece mais como Dona Bilica, mas como toda artista ela possui muitas facetas. A maior parte delas com uma dosagem generosa de humor, que nos últimos tempos acabou dando espaço a outros sentimentos, por uma série de razões.
“Ficar completamente parados, sem poder trabalhar, se ressignificar nesse lugar de viver de modo online. Várias profissões se adaptaram com home office, mas para nós artistas foi bastante complicado”, contou a atriz.
Vanderleia Will, mais conhecido como Dona Bilica, é atriz de teatro há 30 anos – Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação/NDO público já se acostumou a ver os teatros fechados, mas quem depende deles para ter uma fonte de renda ainda não conseguiu se reerguer. O setor cultural foi um dos mais afetados pela pandemia de Covid-19 e está sendo um dos últimos a voltar ao ritmo de trabalho. O período está sendo longo, as dificuldades imensas e as ajudas simbólicas.
Segundo Cristina Villar, que é presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Florianópolis, “muita gente está passando necessidade, a gente fez campanha até o mês passado, todos os meses recebendo diversas doações de entidades, de movimentos sociais, distribuindo cestas básicas pro setor cultural. E a gente sabe que é um pinguinho que a gente pode fazer, mas existem muitas outras necessidades”.
“A gente sabe que aquela quantia de dinheiro não mantém um artista que tem a sua casa, a sua família, todos os seus gastos e o seu custo para sobreviver. Nós queremos viver, existir e trabalhar com a nossa arte e voltar ao mercado, voltar às apresentações”, contou Vanderleia.
Enquanto não volta o espetáculo, um novo auxílio começa a ser disponibilizado através da Lei Aldir Blanc. Depois de polêmicas na primeira edição, no ano passado foi feito um levantamento das necessidades da classe artística e, segundo o conselho municipal de cultura, o novo formato mais democrático permitiu a exclusão da obrigatoriedade da certidão negativa de débitos.
Para Cristina, “desta vez, o edital vai poder chegar a mais pessoas porque muitas pessoas estão com dívidas, não têm certidão negativa de débitos municipal ou estadual para poder concorrer ao processo”.
novo auxílio começa a ser disponibilizado através da Lei Aldir Blanc – Foto: Julio Cavalheiro / Arquivo / SecomSerão distribuídos R$ 1,4 milhão em 125 prêmios para pessoas físicas no valor de R$ 5,5 mil, 60 prêmios para microempreendedores individuais no valor de R$ 7,5 mil e 30 prêmios para pessoas jurídicas no valor de R$ 10 mil.
“Como a gente tem uma urgência no setor cultural de colocar esse dinheiro na ponta, o nosso pescador, que é considerado patrimônio imaterial cultural, pode entrar. O rancho de pesca pode entrar. Os nossos centros de Candomblé podem entrar. A ideia é democratizar esse recurso e o mais rápido possível”, disse o superintendente da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Fábio Botelho.
As inscrições podem ser feitas a partir desta segunda-feira (30) até o próximo dia 13 de setembro pelo site da fundação.
De acordo com Botelho, os interessados “vão precisar baixar o edital, subscrever um projeto, que nós vamos pagar por premiação. Premiação significa que o artista ou artesão ou a pessoa que vive de cultura [precisa comprovar] algo que ela já fez e a gente vai, através de uma curadoria, escolher e pagar por premiação”.
Todas as casas de cultura da cidade vão estar disponíveis para auxiliar artistas na produção dos projetos. Além disso, carros com técnicos da fundação de cultura vão até pessoas que apresentem dificuldades na inscrição. A avaliação será por tempo de trabalho e relevância da contribuição cultural na cidade e quem já concorreu ano passado, poderá se inscrever novamente.
“Não é só o artista que pode acessar essa lei. Foi levantado no âmbito da lei federal todas as profissões e os fazeres artísticos que envolvem essa cadeia produtiva. Então, maquiadores, cenógrafos, sonoplastas, iluminadores, produtores culturais, arte-educadores, todos esses que trabalham com o cerne da cultura vão poder acessar”, afirmou Cristina.
Um pouquinho de alívio para quem faz a vida pulsar. “Ela pulsa no olhar, ela pulsa no toque, ela pulsa na gargalhada que tu ouve e que reverbera na plateia, no aplauso, que ecoa no ouvido, que entra e toca o coração. Isso a máquina não permite”, descreveu Vanderleia.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.