Artistas vendendo instrumentos, abandonando a carreira e até passando fome. Esta é a realidade de muitos profissionais da cultura na pandemia de Covid-19. Em Florianópolis, a partir de segunda-feira (30), eles poderão amenizar os problemas financeiros, participando do edital Aldir Blanc, que vai premiar pessoas físicas com R$ 5 mil, MEI’s (Microempreendedores Individuais) com R$ 7,5 mil e pessoas jurídicas com R$ 10 mil.
Banda Nouvella, de Florianópolis, vai participar do Edital Aldir Blanc para concorrer à premiação – Foto: Dan Pelicciari/Divulgação/NDPara a produtora Emanueli Dalsasso, a notícia vem em boa hora e a expectativa é de que, em 2021, o edital seja diferente de 2020, quando a burocracia e a falta de tempo hábil, por exemplo, atrapalharam a distribuição.
Emanueli gerencia a carreira de duas bandas: Grillo e os Mosquitos e Nouvella e duas artistas: Iara Germer e Anis de Flor, todos da Capital e credenciados para concorrer no edital.
Seguir“Eles querem produzir e inventar projetos. Querem gravar, lançar, mas temos vários impedimentos. Tem casos que o artista precisa trabalhar em outras atividades e não tem grana para investir ou não tem tempo mesmo”, relatou a produtora sobre o atual momento dos artistas.
Para pagar as contas, Emanueli está fazendo trabalhos extras com outros artistas, como consultorias, produção executiva e estratégia de lançamentos: “Trabalho muitas horas por dia em outros projetos para conseguir fechar a conta no final do mês. Em condições ideais, não precisaria estar trabalhando tanto e em tantos projetos”.
Na visão dela, entretanto, a situação está ficando um pouco mais tranquila e os artistas estão voltando a vislumbrar novos projetos.
“Alguns artistas estavam tão fragilizados, que nem o edital fazia sentido. O Aldir Blanc, em 2020, foi muito conturbado, com documentos que os artistas não familiarizados com editais não entendiam. Acho que estamos entrando em um período um pouco mais otimista”, declarou Emanueli.
Banda Nouvella fez uma live, durante a pandemia, para arrecadar recursos e gravar seu primeiro EP: The Sun Will Rise Again – Foto: Dan Pelicciari/Divulgação/NDSegundo ela, nem a produtora, nem os artistas agenciados tentaram participar do edital no ano passado. “Não foi falta de interesse, foi porque estavam procurando outras coisas. Vi muitos amigos vendendo instrumentos. Eles não estavam bem e não tinham cabeça para cumprir os requisitos”, contou Manu.
Neste ano, será diferente: “Enquanto não tivermos show, precisamos dessa entrada de grana”, disse a produtora. Ela está feliz por saber que, em 2021, o edital da lei Aldir Blanc será menos burocrático.
Como funcionará o edital Aldir Blanc em 2021
O edital Aldir Blanc, em Florianópolis, será conduzido pela Fundação Franklin Cascaes. Para evitar problemas com o edital, como em 2020, o novo superintendente da fundação, Fábio Botelho, disse que intensificou o diálogo com o Conselho Municipal de Cultura. “Não lançamos o edital sem o conselho analisar. Construímos em conjunto e não teremos problema nenhum”, registrou Botelho.
A partir de segunda, os artistas podem começar a enviar seus projetos: “Quanto mais rápido, eles forem submetidos, vamos analisando e pagando”, disse o superintendente. Qualquer artista, baseado em Florianópolis, pode participar:
“Todos os profissionais da cultura, artesãos, pescadores artesanais, rendeiras, músicos da noite, do hip hop, da cultura negra, DJ’s, todos que fazem cultura e que consigam comprovar que, neste período da pandemia, fizeram alguma ação cultural e que têm registro disso, poderão concorrer ao prêmio”, explica Botelho.
Superintendente da Fundação Franklin Cascaes, Fábio Botelho disse que edital Aldir Blanc está desburocratizado em 2021 na Capital – Foto: Leo Munhoz/NDDe acordo com o superintendente, a ideia é que o dinheiro chegue ao máximo de artistas. Ao todo, a fundação tem em caixa R$ 1,4 milhão para repassar aos artistas, que terão duas opções: a primeira é comprovar algum trabalho realizado durante a pandemia, por exemplo, uma live.
A segunda maneira é elaborar algo para o futuro. Ou seja, quem não tem projeto pode inscrever uma ideia para concorrer e, se contemplado, executar.
“A ideia é desburocratizar e colocar, rapidamente, esse dinheiro para quem está precisando, porque a classe cultural foi muito atingida com a pandemia”, disse Botelho.
Para garantir mais participação do que em 2020, quando cerca de 700 artistas se inscreveram e pouco mais de 100 foram contemplados, será disponibilizado computador e internet nos locais administrados pela fundação para que os artistas consigam submeter seus projetos. Além disso, a fundação fará um trabalho de busca ativa dos artistas, visitando seus endereços e para auxiliar quem não sabe fazer projeto.
Para participar da lei Aldir Blanc, os artistas de Florianópolis podem visitar o site da fundação. As inscrições começam na segunda-feira e encerram no dia 13 de outubro, às 19 horas. Os pagamentos serão em parcela única e chegarão aos artistas assim que aprovados pela comissão curadora:
“Eu tenho até dezembro para pagar. Se puder pagar tudo em outubro, melhor ainda. À medida que forem aprovados, a fundação vai pagando. Quero fazer rápido, porque esse dinheiro não pode ficar na nossa conta, precisa entrar na conta das pessoas”, afirmou Fábio Botelho.