O que é muito discutível, Prates? O que vou agora contar. Tudo por conta de um professor israelense que leciona Felicidade na Universidade de Harvard, EUA. Leciona nas faculdades que formam administradores de empresas. Aulas de Felicidade em Harvard? A que ponto chegamos!
Alunos – Foto: Kelly Borges/NDTVEsse professor, cujo nome é Tal Ben…, perguntado, numa entrevista, sobre que conselho ele daria aos jovens estudantes a caminho das áreas de administração e gerências, ele foi “discutível”. Disse que “aprendam a encarar a realidade”. Aqui está o discutível, leitora. O que é realidade? Na Psicologia, estudei uma cadeira interessante – O Mundo dos Diferentes Percebedores. Vale dizer, ninguém percebe as mesmas coisas do mesmo jeito.
E aí, como é que se faz? A única ciência que até agora não admitiu discussões é a Matemática, com ela não se brinca, o mais é filosofia. E em filosofia tudo pode ser e tudo pode não ser, desde que não seja sob o mesmo ponto de vista e ao mesmo tempo… Voltando aos administradores, e administradores somos todos nós, temos a mais árdua das administrações: a de nós mesmos.
SeguirO empresinha difícil essa, a de nós mesmos! A grande questão do nosso cotidiano é “encarar a realidade”. Nesse caso, toma-se realidade como um problema, um caso a ser resolvido. Dia destes, li uma frase num dos tantos livros da Martha Medeiros, escritora gaúcha, e guardei comigo na carteira. Diz mais ou menos assim – “Não te acorrentes ao que nunca mais vai voltar”!
A Martha escreveu para mim? Tudo bem, uma realidade, as correntes. Correntes que vieram de algo traumático, traumático, mas passado. Ficar com essas correntes do passado não nos leva a nada. Mas não é fácil arrebentar as correntes do que nunca mais vai voltar. A realidade muitas vezes é um sapo que não queremos engolir.
Como é que se encara essa realidade? Realidade é o que eu vivo, é como avalio as pessoas, os fatos, tudo, enfim, que me cerca e me faz parte da vida. Encarar a realidade é um ato de ficção, ninguém sabe o que é realidade. Vivemos, por fora, convenções produzidas pela sociedade, mas dentro de nós vivemos sozinhos, com nós mesmos. A vida é uma realidade pessoal, cada um tem a sua. Eu e minhas correntes.