Somos produtos, produtos sociais, e como qualquer produto precisamos de embalagem agradável por fora e boa qualidade por dentro. Ocorre que estamos num momento em que o que mais vale é a embalagem, a aparência. E o que é aparência? Cada um de nós tem uma ideia do que seja boa aparência, não raro, essa ideia leva a encrencas.
Pensamentos – Foto: PixabayA maioria sempre interpreta aparência pelo seu viés. E essa é uma luta eterna, tanto é verdade que na Faculdade de Psicologia que fiz na PUC/RS estudávamos uma cadeira chamada de O Mundo dos Diferentes Percebedores. Cada um interpreta tudo como quer.
Poucos têm qualidade para interpretar e viver bem. Temos que cuidar da nossa “embalagem” social e, mais que tudo, do conteúdo interior. Os casamentos, por exemplo, não fracassam porque ela ficou feia ou ele ficou desleixado, atirado, barrigão lá no nariz. Nada disso. O que desmancha casamentos é o conteúdo interior, a qualidade interna das aparentemente bonitas embalagens externas.
SeguirLi há pouco um pensamento de Aristóteles, o grego, o pensador, o criador de caso por suas verdades incontestáveis. Aristóteles dizia, por exemplo, que “É o cargo que permite conhecer o homem”. Irretocável. E essa verdade se vê todos os dias pelos exemplos dos políticos eleitos. Bah, se revelam como os porquinhos da história infantil… Não conseguem disfarçar, são quem são, só que os abobados que os elegeram só vão descobrir isso quando mudarem seus mundos perceptivos interiores.
Já um antigo senador brasileiro, Célio Borja, de uma feita fez uma frase grifada pelos jornais, tenho-a comigo: “A virtude não é popular, ninguém se elege porque é virtuoso”. Nada como a inteligência para ver uma verdade solar. Encurtando a conversa, leitora, quem se preza não lambe-botas, não aluga sua língua, não se refestela diante de alguém falsamente no poder.
Não há poder senão o poder da dignidade, da honradez, da liberdade interna. Condição de poucos, condição dos que não apenas cuidam da embalagem externa como se preservam dignos pela independência de suas cabeças. E essa independência pode ser encontrada num morador de rua, aparentemente um nada. Mas muito mais gente que muitos dos bem “embalados” que andam por aí…