‘Maior corno do Brasil’ bomba na internet e exalta fetiche por ‘chifre’: ‘tenho até tatuado’

Conhecido como cuckolding, o fetiche por ser traído está em alta no Brasil; prática naturaliza a "traição" e a classifica como consenso e prazer

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Rafael Guimarães, de 40 anos, conhecido como “o maior corno do Brasil”, segundo ele mesmo, explicou ao portal ND+ como é ser um praticante de cuckolding. O nome faz referência ao fetiche que está em alta no país: o de levar “chifres”. 

O termo vem fazendo tanto sucesso no Brasil, que recebe inúmeras pesquisas diárias no Google. Mensalmente, o termo cuckold é buscado mais de 110 mil vezes.

Casal conta que vê traição como prática normal – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/NDCasal conta que vê traição como prática normal – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/ND

O cuckolding (também conhecido como cuckold) é um fetiche que envolve ver a parceira mantendo relações sexuais com terceiros. A nomenclatura tem referência no pássaro cuco (“cuck” em inglês) que permite que fêmeas depositem ovos de outros machos no ninho que construiu.De acordo com o blog do médico João Branhura, é importante observar o “dicionário” da prática. Entenda:

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  • Cuckold: é o homem que pratica o cuckolding, ou seja, o marido que vai observar a parceira mantendo relações sexuais com terceiros. Pode ser chamado também de cuckold clássico.
  • Cuckquean: é a mulher que pratica o cuckolding, ou seja, a esposa que vai observar o parceiro mantendo relações sexuais com terceiros.
  • Bull: é quem realiza a traição com a parceira do cuckold.
  • Stag: é um tipo de cuckold que domina a relação, participando da escolha da terceira pessoa, de como e quando vai acontecer a “traição”. São homens praticantes que não desejam o jogo de humilhação e submissão.
  • Hotwife ou Hothusband: é a pessoa com quem o cuckold ou cuckquean tem um relacionamento e vai performar a “traição”. Esse termo é utilizado com frequência no Brasil, mas em alguns países pode significar uma prática diferente de fetiche.

“Não é questão de ser corno”

Rafael e a esposa, Monica Lima, de 27 anos, são de São Paulo e hoje trabalham com conteúdo adulto. O casal está junto há mais de 15 anos e fala abertamente sobre o assunto.

“O que me dá mais tesão é a liberdade dela, a iniciativa que ela pode tomar”, conta Rafael. Para Rafael quem não tem a cabeça liberal, nunca terá.

“Não é questão de ser corno. Eu não sei se é autoestima ou autoconfiança, mas eu me garanto. Eu estou casado com ela há tempos, sei tudo sobre ela e ela, tudo sobre mim”, relata.

Os dois contam que tomam todos os cuidados necessários, como sempre usar preservativos para evitar IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

O casal fala ainda sobre a hipocrisia de algumas pessoas sobre o assunto, pois crê que há muitas pessoas que praticam de maneira escondida, mas socialmente criticam o cuckolding.

Psicólogo explica fenômeno

O psicólogo Rafael Frasson conta que uma das culturas mais comuns do mundo é a monogamia, no entanto, há países em que a questão não é tão relevante.

“Socialmente falando há culturas colocadas por regras sociais que dizem que a gente não pode ter relações sexuais com outras pessoas. E para alguns, a regra social não é mais importante quanto o desejo”, conta.

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    Casal mostra tatuagem em homenagem à prática - Reprodução/Arquivo Pessoal/ND
    Casal mostra tatuagem em homenagem à prática - Reprodução/Arquivo Pessoal/ND
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    Casal mostra tatuagem em homenagem ao fetiche - Reprodução/Arquivo Pessoal/ND
    Casal mostra tatuagem em homenagem ao fetiche - Reprodução/Arquivo Pessoal/ND

Para o psicólogo, o primeiro ponto a ser analisado é o desejo. Sendo assim, muitos sedem, ou não aos seus desejos.

“A monogamia não é um problema de lei, mas esse desejo vem de onde? Isso sempre remete à infância e como a pessoa lida com as próprias questões sexuais. Como foram tratadas as questões sexuais anteriormente. Isso é o que mais vai ‘pegar’ quando pensamos em fetiches. Se na infância a sexualidade foi tratada de uma forma pouco cuidadosa ou estigmatizada, isso pode refletir na vida adulta”, diz.

Frasson conta que a prática pode parecer “estranha” socialmente, mas existe “desde que o mundo é mundo”. O psicólogo diz ainda que nesta prática não há egoísmo sexual. Há desapego e prazer em fazer algo socialmente não aceito.

Teoria defende prática

Uma teoria chamada Human Sperm Competition especula que parceiros que possuem pênis e assistem ao cônjuge mantendo relações sexuais com outras pessoas fazem sexo mais duradouro e vigoroso.

Publicada no The Handbook of Evolutionary Psychology, em 2015, a pesquisa mostra um aumento na quantidade de esperma e uma diminuição no período refratário entre as ejaculações de homens que praticam o cuckolding.

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