Neide Mariarrosa presente! Cantora, radioatriz e comunicadora que marcou época, Neide (1936-1994) será homegeada na quarta-feira (22), com a Medalha Cruz e Sousa, a maior honraria da área da cultural em nosso Estado, concedida pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC).
Além de Neide Mariarrosa (in memorian), também serão homenageados a pesquisadora e escritora Ida Maria Freire, o diretor e dramaturgo Jefferson Bittencourt, o músico e produtor Arnou de Melo (Festival de Música de Itajaí), a pesquisadora Djalma Lamas, o Palhaço Biriba, a mais que centenária Associação Musical Amor à Arte e a artista Drag Suzaninha.
Cantora, atriz e comunicadora Neide Mariarrosa (1936-1994) é homenageada com a Medalha Cruz e Souza – Foto: Reprodução/NDPara Suzaninha e Neide, o Conselho faz justiça histórica. A primeira, personagem criada pelo performer, artista, pesquisador e ativista Arthur Gomes, teve sua indicação à Medalha Jennifer Celia Henrique negada pela Câmara de Vereadores de Florianópolis.
Com Neide Mariarrosa é o reconhecimento a uma das mais brilhantes catarinenses e uma das maiores cantoras brasileiras.
Mulher, preta, dona do seu destino. A honraria não foi em vida, mas acontece com a força do simbolismo de Cruz e Sousa, da Semana da Consciência Negra e Dia da Música e dos Músicos (22/11).
Por isso eu convidei a jornalista Fernanda Peres, autora do documentário “Ai, que saudades da Neide! – Biografia da cantora Neide Mariarrosa” (2008) e uma defensora apaixonada do legado da artista, a falar sobre a importância da honraria do Conselho Estadual de Cultura.
Neide Mariarrosa, a intérprete mais consagrada do hino da cidade – Foto: Reprodução FacebookMedalha Cruz e Sousa honra o legado de Neide Mariarrosa
“Em 2024 completam-se 30 anos que Neide Mariarrosa foi levada pela luz que emanava toda vez que subia num palco, como bem descreveu o também saudoso músico Marcelo Muniz ao se lembrar da morte da cantora e radioatriz florianopolitana.
Ela será uma das agraciadas pelo Conselho Estadual de Cultura na entrega da Medalha Cruz e Sousa nesta quarta-feira.
Ainda que não seja exatamente surpresa que só agora uma figura tão emblemática e decisiva para a história da cultura catarinense esteja sendo devidamente celebrada, a homenagem é mais um capítulo em uma biografia que poucos conhecem, mas ultrapassou as divisas de Santa Catarina.
Multifacetada e vanguardista, Neide foi uma mulher à frente do seu tempo. Em meados dos anos 1960, tomou as rédeas da própria vida ao entrar em um Ford 51, dirigido pelo amigo e poeta Zininho, para aceitar o convite de Elizeth Cardoso e se mudar de vez para o Rio de Janeiro.
Na capital cultural do país, uniu-se à efervescente cena carioca e fez história.
Neide nunca foi tão atual como é hoje. O resgate de sua memória – ainda que fragmentado em poucas homenagens, como o painel que estampa a cantora ao lado de Zininho na Casa da Memória de Florianópolis – vem bem a calhar no Brasil de 2023.
Para além das barreiras geográficas e culturais que quebrou, ao longo de sua vida ela nunca se curvou ao preconceito por ser mulher e negra em uma realidade ainda bastante machista e racista.
Não por acaso, a medalha que está prestes a receber vem em plena Semana da Consciência Negra e por meio de uma condecoração que leva o nome do poeta Cruz e Sousa.
Muito mais do que um merecido reconhecimento à figura ilustre e ainda pouco lembrada da nossa história recente, a homenagem a Neide Mariarrosa contempla e encoraja todos aqueles e aquelas que insistem em não deixar nossa memória morrer.
São poucos e abnegados que inspiram a toda uma geração, que não conhece o próprio passado, a buscar mais informações sobre aqueles que alicerçaram o caminho que hoje percorremos.
Nossa Ilha já não é a mesma em que Neide viveu, mas “num cantinho qualquer, de um bar qualquer” ainda há de ecoar a voz que representou, para muito além do mainstream local, o talento de tantos e tantas artistas que ainda pisam o chão do nosso estado.”
Assista o documentário “Ai, que saudades da Neide! – Biografia da cantora Neide Mariarrosa” (Fernanda Peres, 2008)