Moradora de SC mantém folclore vivo com ajuda de histórias; confira

Pesquisadora do folclore brasileiro trabalha há 13 anos contando histórias e mantendo viva as tradições

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Redação ND Florianópolis

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O folclore está presente nas festas populares, nos mitos, contos e lendas e se mantém vivo por pessoas como Bell Bandeira, uma carioca que encontrou em Santa Catarina um lugar para viver e trabalhar, há 13 anos contando histórias e ajudando a manter viva esta tradição.

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    Pesquisadora do folclore brasileiro trabalha há 13 anos contando histórias e mantendo viva as tradições do folclore - Foto: Jary André Carneiro Junior/Divulgação/ND - Jary Andre Carneiro Junior/ND
    Pesquisadora do folclore brasileiro trabalha há 13 anos contando histórias e mantendo viva as tradições do folclore - Foto: Jary André Carneiro Junior/Divulgação/ND - Jary Andre Carneiro Junior/ND
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    Contar histórias da cultura popular e brincar com cantigas, é uma forma de tratar o folclore como manifestação viva a cada encontro - Foto: Jary André Carneiro Junior/Divulgação/ND - Jary Andre Carneiro Junior/ND
    Contar histórias da cultura popular e brincar com cantigas, é uma forma de tratar o folclore como manifestação viva a cada encontro - Foto: Jary André Carneiro Junior/Divulgação/ND - Jary Andre Carneiro Junior/ND
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    Através do contar histórias que os mitos, lendas e a tradição dos povos se mantém viva, podendo ser repassada aos mais novos - Foto: Jary André Carneiro Junior/Divulgação/ND - Jary Andre Carneiro Junior/ND
    Através do contar histórias que os mitos, lendas e a tradição dos povos se mantém viva, podendo ser repassada aos mais novos - Foto: Jary André Carneiro Junior/Divulgação/ND - Jary Andre Carneiro Junior/ND

“Contar histórias da cultura popular e brincar com cantigas, é uma forma de tratar o folclore como manifestação viva a cada encontro. Folclore é espanto e naturalidade! Folclore é para ser vivido e sentido, sem explicações ou nomenclaturas, partindo sempre das ‘grandes ignorâncias’. No Folclore o espanto vira história transformada em voz e emoções, e de espanto em espanto, atravessa livremente regiões, seguindo a linha da imaginação”, explica Bell.

Através do contar histórias que os mitos, lendas e a tradição dos povos se mantém viva, podendo ser repassada aos mais novos. Sendo assim podemos dizer que uma contadora de história é uma guardiã da cultura. E o objetivo de manter viva as culturas de base, de tradição e transformação de outros povos que norteiam o trabalho de Bell Bandeira.

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De acordo com as pesquisas feitas por ela, o folclore brasileiro tem uma base em comum e muitas lendas têm nomes ou personagens nomeados de forma diferente conforme a região do país.

Um exemplo disso é o Boi que possui diversas facetas no Brasil e também no Mundo. “No Brasil o povo indígena é quem fez essa base. E depois em cada região, o povo indígena + o colonizador + o povo africano + os imigrantes desenvolveram novas culturas. Nessa mistura de culturas, criou-se mitos, lendas, culturas e tradições”, explicou.

Um exemplo disso é o Boi que possui diversas facetas no Brasil e também no Mundo  – Foto: Daniel Babinksi/Divulgação/NDUm exemplo disso é o Boi que possui diversas facetas no Brasil e também no Mundo  – Foto: Daniel Babinksi/Divulgação/ND

A história da Noite sem Fim

Um exemplo claro dessa mistura de povos e culturas gerando versões em cada região do país é o mito “A História da Noite sem Fim”.

Ela é uma das três histórias do espetáculo “Como Surgiram Os Seres e as Coisas”, sobre a visão de nossos antepassados a respeito da origem de seres e coisas na criação do mundo.

Bell Bandeira conheceu essa lenda através do conversar e ouvir das narrativas passadas de boca em boca. Nessa busca ela chegou em algumas versões dessa história e também de outras como a do “Grande Dilúvio” e da “Grande Cobra”.

Seguindo a pesquisa com base nas obras do Folclore Brasileiro, em que os contos foram “separados” por região brasileira, a pesquisadora concluiu que, mesmo passando por diferentes transformações, todas as histórias no final acabavam se conectando com a história do “Boitatá”, compartilhou.

Em um livro, que leva o mesmo nome do espetáculo, ela reforça a teoria que o local de origem das histórias é o mesmo, a base da cultura indígena, e por isso elas acabam tendo esses fins tão parecidos.

“Da curiosidade de um indígena surgiu a primeira noite, desta noite muitas coisas surgiram, mas a própria noite se transformou no maior alimento da curiosidade do homem, que começou a buscar sobre o porquê das coisas. E assim, aos pés das fogueiras acesas, no trepidar do fogo doméstico, foram surgindo as histórias que contamos até hoje”, ela escreveu no livro.

Contando histórias por aí

Depois de levar suas histórias e conhecimentos para a  região sul do Brasil, Bell leva o projeto “Como Surgiram os Seres e as Coisas”, em circulação desde 2014, para o interior de São Paulo.

Serão duas temporadas entre o final de agosto e outubro. As 21 apresentações serão em escolas de Quatá, Macatuba e Lençóis Paulista no Estado de São Paulo para alunos da rede estadual e municipal de ensino.

Também serão realizadas sete formações gratuitas de contadores de histórias para educadores e educadoras. O objetivo é desenvolver técnicas de expressão vocal e corporal, criar conexão com o público e a história, e também ensinar como preparar um texto para narração de histórias.

É a primeira vez que seu trabalho sai do Sul do Brasil e vai para São Paulo. Esse projeto é realizado pela A Braço Arte e Educação, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, além do apoio da Diretoria de Ensino – Região de Tupã, Secretaria de Educação e Secretaria de Cultura de Quatá.

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