O poeta catarinense Fernando José Karl, 60 anos, um dos mais expressivos do Estado, morreu nesta segunda-feira, dia 16, deixando um vazio para o mundo das artes.
Poeta e jornalista Fernando Karl deixou uma legião de admiradores. – Foto: Redes sociais/divulgação NDFernando Karl nasceu em Joinville. Além de poeta, foi jornalista, roteirista de cinema e artista visual. É autor das obras “Brisa em Bizâncio” (poemas, 2002) e “O livro perdido de Baroque Marina” (Prêmio Cruz e Sousa 2010/Categoria Romance/Editora da UFSC), entre outros trabalhos, alguns inacabados. Sempre teve forte ligação e transitou entre os mestres da poesia.
Estava internado em Curitiba, no Paraná, cidade onde vivia atualmente. A causa da morte foi uma parada cardíaca.
SeguirFernando José Karl será velado nesta terça-feira, dia 17, das 7 às 11 horas na capela 3 municipal Água Verde, em Curitiba.
Karl deixa dois filhos, além de parentes e amigos.
No mundo das artes e nas redes sociais, muitas homenagens a um dos mais criativos poetas de Santa Catarina.
Joel Gehlen, jornalista, escritor e poeta, que, inclusive, trabalhou com Fernando José Karl em um jornal de Joinville, resumiu a perda:
“Fernando era um urso generoso. Costumava ter longos períodos de hibernação, que era seu recolhimento de produção. E, em público, o Fernando sempre foi a pessoa mais generosa que eu conheci. Ele dimensionava em uma grandeza todas as pessoas, todas as coisas, todas as artes, as expressões. Ele era isso: um urso generoso.”
A poesia catarinense fica sem sua pele, a pele enquanto percepção exterior daquilo que vai dentro do poeta, que é a sua motivação para produzir. Quem lê só percebe a pele, não faz ideia dos tensões e dos ossos quebrados internamente. Ao ausentar-se do Fernando, a poesia catarinense perde sua pele.” Joel Gehlen
Gugue Meneghim, jornalista e artista catarinense, também fez questão de externar a tristeza pela partida de Fernando Karl.
“Ele era fenomenal. A poesia dele vinha da alma, ele vivia a poesia. Fernando Karl dava valor à poesia. A obra dele é muito maior do que as pessoas imaginam e isso será reconhecido. Estou arrasado”, comentou Gugue.
Ele, aliás, faz questão de dizer que Fernando Karl foi seu mentor na poesia. Por meio do premiado livro “O livro perdido de Baroque Marina”, Gugue se aproximou do poeta ainda mais.
Gugue criou uma música a partir de um texto do livro e Fernando Karl gostou tanto que o convidou para musicar outros doze poemas inéditos, projeto que estava quase pronto.
“Fernando tinha gostado muito. Estou muito triste”, finalizou.
Outros amigos e artistas se manifestaram pelas redes sociais lamentando a morte de Fernando Karl.
“Caros amigos das letras, tenho hoje uma incumbência difícil a pedido da amiga Silvana Stival: é com grande pesar, com dor e lágrimas em meu coração que comunico a partida do nosso grande poeta e escritor FERNANDO JOSÉ KARL. Na certeza que ele deixou um legado e sua marca na “Palavra Selvagem”.

O amigo Anisio Garcez postou, recentemente, um texto em que se refere a uma obra do poeta.
“AS TEMPESTADES NÃO ENVELHECEM
As pinturas de Fernando Karl são um patrimônio considerável de sua fértil imaginação. São seus poemas em formas pictóricas, assim como seus versos lembram pinturas caligrafadas. Suas figurações aludem a coisas que são o que são, mas também podem ser outras, o um é o outro de Rimbaud. O um é o outro de Miró, de Picasso, de Wilfredo Lam, e, por que não, de Basquiat.
Jazz bruto, a pintura espasmódica como as notas dissonantes de Charlie Park. Pegar o pássaro em pleno voo, o onírico em plena deambulação e fazer com isso fábulas coloridas, riscadas, rabiscadas, significadas. Fábulas do reino animal, vegetal e mineral, objetivação de uma escotilha, de um tango, de uma orquestra. O planeta na hora da sesta, do ócio, do sonambulismo criativo que olha pela fresta do olho.
O artista tem razão: só as tempestades não envelhecem. Elas viram aluvião. Viram o menino Karl dando cambalhotas, o mundo de pernas ao avesso, e isso é arte, o que se mede sem começo.
Anísio – escrito em algum momento para um catálogo de uma exposição de F.Karl.“
