As escolas de samba consideram inviável realizar desfile de Carnaval no aniversário da Capital, segundo a Liesf (Liga das Escolas de Samba de Florianópolis). A proposta seria discutida com a Liga nesta quinta (6), conforme divulgou com exclusividade a coluna do Cacau Menezes. Mas a escolas não foram contatadas até então.
Desfile da escola de samba Dascuia no Carnaval de 2020, o último realizado na Capital- Foto: Rony Costa/Divulgação/NDA reportagem procurou a secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Florianópolis, que informou que ainda quer realizar a reunião com o grupo. A intenção é encontrar alternativas para auxiliar as escolas de samba da cidade, não deixando quem depende do Carnaval à deriva, segundo a pasta.
O encontro deve ser realizado ainda nessa semana, mas ainda deve ser marcado. A Secretaria não informou o motivo da não realização e também se manterá a intenção de realizar o evento em outra data. De toda forma, a proposta de um Carnaval fora de época foi discutida pelos grupos.
Seguir“Tivemos uma reunião dos presidentes na noite de ontem [quarta-feira] e questionei se havia possibilidade, e não havia”, destacou o presidente da Liesf, Bernardo Corrêa Spessi. O evento foi cancelado pelo prefeito Gean Loureiro na noite de terça-feira (4).
Os representantes acreditam que não haverá melhora sanitária no espaço de um mês, período que separa a data inicial dos desfiles de Carnaval e as festividades de 349 anos da Capital, celebrado no dia 23 de março. Na ocasião do cancelamento, o prefeito anunciou que procuraria as escolas para “parcerias no futuro”.
Pessi argumenta ainda que o cancelamento gera uma “desmobilização” das escolas. “É inevitável. Profissionais são dispensados, trabalhos são suspensos, mesmo com a possível viabilidade sanitária. Essa discussão do Carnaval fora de data não cogitamos”.
“Feriu o pessoal do samba”
O motivo do cancelamento é a explosão de casos de Covid-19 na Capital desde a última segunda-feira (3). Mais de 100 registros da variante Ômicron, a mais transmissível, foram feitos na cidade. Nesta quinta (6), a cidade contava com 1750 infecções simultâneas registradas – 389 foram detectadas entre segunda e quarta-feira, segundo dados do Covidômetro.
A maneira como o evento foi cancelado provocou desconforto na relação entre as escolas e a prefeitura. “É muito difícil o desfile acontecer pois faz dois dias que o prefeito foi para o Twitter e jogou tudo pro ar. Não teve conversa antes”, destacou o presidente.
Em nota publicada nesta quarta, e divulgada na coluna do Marcos Cardoso, a entidade falou em “seletividade”, uma vez que até então os eventos privados não foram cancelados. “Isso feriu bastante o pessoal do samba”, disse o presidente.
Além de Florianópolis
Cientes do possível cancelamento, o investimento gasto até então pelas escolas de samba foi direcionado para material humano, que pode ser “guardado” para Carnavais futuros: sambas, enredos e coreografias, explicou o presidente.
“Até foi investido em coisas como serralheria, serragem e fantasias, mas muito pouco. Justo por conta do impacto financeiro. Mesmo assim há impacto nos profissionais que dependem disso”, ressalta Pessi.
Outras 13 capitais brasileiras também cancelaram as festividades até esta quinta-feira (6). As cidades do Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, São Paulo, Recife, Fortaleza, Cuiabá, Campo Grande, São Luís, Belém, Maceió e Belo Horizonte não terão Carnaval.