No Dia do Escritor, entenda a importância do hábito da leitura

Uma lista divulgada pela PublishNews revela quais foram os 10 livros mais vendidos no Brasil em 2021

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Yasmin Mior Florianópolis

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No dia 25 de julho é comemorado no Brasil o “Dia do Escritor”. A data, que foi criada em 1960 a partir de uma iniciativa do presidente da União Brasileira de Escritores da época, João Peregrino Júnior, simboliza, entre muitas coisas, a rica e vasta literatura brasileira. Além disso, o dia relembra a importância do hábito da leitura na vida das pessoas.

Celebrado no dia 25 de julho, o Dia do Escritor relembra alguns dos maiores nomes da literatura nacional, como Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles, Clarisse Lispector, Carlos Drummond de Andrade, entre muitos outros – Foto: Freepik/Reprodução/NDCelebrado no dia 25 de julho, o Dia do Escritor relembra alguns dos maiores nomes da literatura nacional, como Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles, Clarisse Lispector, Carlos Drummond de Andrade, entre muitos outros – Foto: Freepik/Reprodução/ND

Na época, a data foi oficializada pelo Ministro da Educação Pedro Paulo Penido, por meio de uma portaria publicada no dia 23 de julho daquele mesmo ano. Desde então, 21 editoras de livros foram fundadas no Brasil. Entre elas está a Editora Rocco, criada em 1975 por Paulo Roberto Rocco.

A Rocco foi responsável por colocar à venda alguns dos livros mais lidos no Brasil, como é o caso das desventuras do bruxinho Harry Potter. Lançado pela primeira vez em 1997 nos Estados Unidos, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” encantou gerações através da escrita de J.K. Rowling.

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Bruno Zolotar, diretor de marketing e vendas da Editora Rocco, diz que “boa parte do que faz muito sucesso no mundo do audiovisual hoje começou como autor solitário, colocando no papel a sua ideia. Às vezes, uma ideia de uma história criada num café pode virar uma franquia gigantesca como Harry Potter e isso muito mágico”.

Entretanto, para que um livro chegue às prateleiras das livrarias, é necessário que ele passe primeiro por várias etapas, para garantir o sucesso da obra.

Da escolha editorial até a publicação

Segundo Bruno, as editoras escolhem os livros que querem lançar seguindo uma linha editorial própria. “Dentro dessa lógica, o editor, que é uma espécie de curador, procura obras originais nacionais ou estrangeiras que acredita que possam vender bem e que tenham demanda no mercado”, comenta.

Depois dessa seleção, assina-se contrato com o autor da obra, e só então a editora passa para a a fase de preparação de texto onde “o editor atua junto ao autor para aprimorar pontos do livro”, revela Zolotar.

Após esse processo, vem a revisão e diagramação da história. Esse é o momento em que é pensada a tipologia do livro, o tamanho da mancha do texto na página e ainda se a obra terá ilustrações. Muitas vezes, esse processo ocorre em paralelo com a criação da capa do livro.

A escolha do papel e de como será feita a encadernação do livro é fundamental no processo de construção da obra – Foto: Freepik/Reprodução/NDA escolha do papel e de como será feita a encadernação do livro é fundamental no processo de construção da obra – Foto: Freepik/Reprodução/ND

Na sequência, vem a fase gráfica, onde se escolhe o papel, a encadernação, os acabamentos do livro, bem como seu formato, e somente então ele é impresso.

E os livros estrangeiros?

Após serem adquiridos os direitos das obras, o diretor de marketing da Rocco conta que os livros passam por tradutores brasileiros, que trabalham em cima do texto, passando o conteúdo dos livros, bem como suas expressões idiomáticas, para o nosso idioma.

Segundo Bruno, “o bom tradutor consegue também manter o ritmo original do texto, a sua fluência, o estilo do autor, mesmo num idioma diferente. E é muito comum tradutores e editores entrarem em contato com autores estrangeiros para tirar dúvidas sobre alguns termos ou passagens específicas. Isso é fundamental para que não aconteçam erros de interpretação e de tradução”.

O hábito da leitura e sua importância social

Para Bruno, “ler exercita o cérebro, ajuda a desenvolver o vocabulário, faz você escrever e pensar melhor e torna você uma pessoa mais interessante, além de desenvolver a sua imaginação”. Além disso, a professora de redação Ana Lúcia Quinto ainda concorda que a leitura desenvolve o senso crítico das pessoas, fazendo com que através de narrativas, elas percebam as diferenças sociais que as cercam.

A leitura pode ainda, além de “te transportar para outros lugares e outros tempos”, como diz Zolotar, ajudar na articulação de argumentos durante a escrita de um texto, segundo Ana Lúcia. Os livros também possibilitam que os leitores tenham “um momento de pausa num mundo onde estamos quase todo o tempo conectados”, acredita o diretor de marketing.

Bruno comenta ainda que a literatura brasileira passa constantemente por ciclos. Há cerca de três anos atrás, o Brasil estava consumindo muitas obras de auto ajuda, mas desde o ano passado, os livros de ficção tomaram conta do país.

“É muito interessante o real aumento pelo interesse nos livros, mesmo com toda a tecnologia e oferta de mídia que temos, o livro continua tendo a sua relevância e conquistando novas gerações”, diz Zolotar. Afinal, todo bom leitor sabe que as histórias foram feitas para serem contadas e apreciadas.

Confira quais foram os 10 livros mais vendidos no Brasil no primeiro semestre de 2021

De acordo com o portal online PublisNews, responsável por fazer o ranking e o levantamento dos livros mais vendidos durante o ano, a obra mais vendida em 2021 foi “Mais esperto que o diabo”, escrito em 1938 por Napoleon Hill, depois de uma das maiores crises econômicas deixada pela Primeira Guerra Mundial.

Na sequência, vem “Mulheres que correm com os lobos”, da Editora Rocco. Escrito em 1992 pela autora Clarissa Pinkola Estes, é um clássico “long seller” – livro que vende por décadas – que discorre sobre estudos do sagrado feminino e feminismo. Em terceiro lugar está o livro “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior, um romance que conta uma história de vida e morte, e de combate e redenção.

“Do Mil ao Milhão” é o quarto livro da lista. Escrito por Thiago Nigro, a obra ensina aos leitores os três pilares para atingir a independência financeira: gastar bem, investir melhor e ganhar mais. Na metade do ranking, “Pai Rico, Pai Pobre”, de Robert T. Kiyosak, ocupa a quinta posição, celebrando seus 20 anos como o livro número um em finanças pessoais. 

Em sexto lugar vem “O Poder da Autorresponsabilidade”, de Paulo Viera, que traz ao leitor um manual de como conquistar o comando de sua vida. Na sequência, “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se”, de Mark Manson, ocupa o sétimo lugar da lista ensinando o leitor a ter um novo caminho rumo a uma vida melhor, mais coerente com a realidade e consciente dos seus limites.

“A Garota do Lago”, de Charlie Donlea, ocupa a oitava posição no ranking e conta a história de Summit Lake, uma pequena cidade entre montanhas que abrigou o assassinato de Becca Eckersley, no auge de sua vida. Kelsey Castle, uma repórter, vai até a cidade para investigar o caso e desbravar a vida amorosa e as amizades de Becca, afim de desvendar o mistério. 

No penúltimo lugar está o livro “O Milagre da Manhã”, de Hal Elrod, que explica os benefícios de acordar cedo e desenvolver todo o nosso potencial e as nossas habilidades. Por último, a obra “Harry Potter”, de J. K. Rowling ocupa a décima posição. A série acompanha a jornada de Harry e seus amigos na luta contra o bruxo das trevas mais perigoso de todos os tempos.

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