Conheça Nova Hera, drag queen coroada na final do 2º Drag Battle, em Florianópolis

Artista fez uma homenagem ao teatro e aos musicais na final da batalha de drags na Capital

Foto de Redação ND+

Redação ND+ Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O 2º Drag Battle, batalha de drag queens que acontece em Florianópolis, tem uma nova coroada. A artista Nova Hera venceu a final que aconteceu na última quarta-feira (7) no Opium, bar do Centro da Capital. Hera concorreu com Anarquizza De’la Soledade e Deusa Mystika.

Nova Hera, que é de Florianópolis, homenageou o cinema e os musicais. Com trocas de figurino, usando projeções, iluminação e dança, fez uma performance que questionou o sagrado e o profano, e incluiu ainda a interpretação de uma das cenas da personagem Velma Kelly, do musical Chicago. Já o encerramento do número teve as performances de “Like a Prayer” e “Girl Gone Wild”, de Madonna.

Drag Battle, batalha de drag queens que acontece em FlorianópolisNova Hera foi coroada a campeã da batalha de drags – Foto: Carol Passos/Divulgação/ND

“Eu quis reunir tudo o que fiz na competição, tudo o que experimentei, mas em um nível especial e mais elevado. Busquei o lugar do teatro, do ‘bate cabelo’ das drags nas baladas e reuni tudo isso num mix que mostra quem é a Hera. Coloquei ainda uma pitada de arte com metáforas falando sobre nascimento e pecado”, explica a artista vencedora.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Vencedora da batalha, Hera ganhou uma lace humana, um par de lentes especiais, um pacote de limpeza facial, um par de joias, coroa e cetro da Idealiza Rainha. Sua premiação incluiu ainda um ensaio fotográfico com Pedro Ambrósio, um vale-compras de R$ 150 e uma choker personalizada da Sissy Leather. A campeã também terá uma noite de performance exclusiva e ganhará um quadro no hall da fama da Opium.

Anarquizza De’la Soledade e Deusa Mystika ficaram com o 2º e 3º lugares da batalha de drags

A final apresentada pela drag Piettra Beautty teve apresentações inéditas das finalistas que foram avaliadas por um time de jurados, incluindo as convidadas Verona Moon (RS), Sophye Gray (SC) e Bella Malkin (SP). Cada uma das finalistas escolheu temas e performances para sintetizar a essência de suas drags e o trabalho feito ao longo do concurso.

Em segundo lugar ficou Anarquizza De’la Soledade. Uma das filhas da casa de drags House Noite Suja, de Belém, no Pará, a artista chegou a Florianópolis há poucos meses, mas logo resolveu se inscrever no concurso. Ela conta que se sentiu acolhida e que usa o palco para expressar causas que considera essenciais e reforçar a importância de construir afetos.

drag battle, batalha de drag queensAnarquizza De’la Soledade, de Belém do Pará, chegou a Floripa há poucos meses – Foto: Carol Passos/Divulgação/ND

“Trouxe um show que mostra qual artista que quero me tornar”, disse ela, que fez uma performance de dança solo exaltando o respeito às religiões de matrizes africanas e a força das pessoas negras. Interpretou um pot-pourri de “Não Mexe Comigo”, na voz de Maria Bethânia, na “Na Aruanda”, cantada por Carolina Soares, e “Formation”, de Beyoncé.

Coroada com o terceiro lugar, Mystika interpretou uma noiva supostamente feliz, mas que se percebe presa em uma relação submissa. Ao som de “It’s My Life”, da banda No Doubt, e “Telephone”, de Lady Gaga, de forma teatral, a drag matou o marido em uma metáfora que representa parte da história pessoal da artista.

“A minha arte voltou à minha vida para que eu pudesse descobrir quem eu era. Eu vivi um casamento heteronormativo por 10 anos e percebi que se não saísse dali, seria meu fim. Ser drag é questionar gêneros. É uma arte ligada à política e qualquer pessoa pode fazer, independente de gêneros”, explica Mystika que é não-binária, mas sente o desafio de ser vista como uma mulher cisgênero na comunidade drag. Ela foi premiada com uma wig sintética.

As participantes da 2ª edição do concurso foram Acadu, Anarquizza De’la Soledade, A Nova Hera, Ariell Blanco, Athena Lewoo, Deusa Mystika, Dra. Ana Silvia, Gab Gab, Katy Uabba, Kinn Kodakchan, Pandora Lemon e Roxy Trash.

Terceira edição do Drag Battle será em outubro

A Drag Battle terá a terceira edição em outubro. O evento, idealizado pelas produtoras Victoria Becker e Ísis Azazel em parceria com os sócios do Opium Bar, Mariana Thomé e Guilherme Lemos, em breve abrirá novas inscrições. “Criamos o concurso com o propósito de fazer a arte drag brilhar mais. E não vamos parar por aqui”, conta Ísis.

Para Mariana Thomé, a possibilidade de ter um espaço de expressão e um concurso como o Drag Battle é a realização de um sonho. “Desde pequenininha eu me conectei muito com as artes, o criativo, me expressar criativamente.

Chega sempre aquela idade onde isso bate mais forte na gente, e, somado a muitas coisas; você começa a se achar esquisito. Hoje eu chorei. E choro porque eu sempre precisei de um lugarzinho assim. Pra ser esquisita do jeito que sou. Agora criamos mais um lugar onde todos vocês possam se conhecer, se amar, e trabalhar”, discursou Mariana na final da Drag Battle.

Para as artistas, o concurso representou algo além de uma competição. Todas têm planos e agenda para performances e presenças em eventos. A Nova Hera conta que iniciativas como a Drag Battle ampliam o espaço da arte não só na noite, mas em diferentes oportunidades de trabalho. “Sonho muito em transformar o que faço para o teatro. Espero que surjam mais oportunidades de performance”, afirma a vencedora.

Tópicos relacionados