O professor e filósofo Rafael Nogueira, indicado para a presidência da Fundação Catarinense de Cultura, terá hoje uma reunião com o governador Jorginho Melo para traçar as principais diretrizes da nova gestão.
Novo presidente tem sólida formação filosófica e histórica – Foto: O DiaNascido em Santos, é formado em Filosofia e Direito, tem mestrado em História do Direito Brasileiro, e doutorando em Estudos Globais pela Universidade Aberta de Lisboa.
Nogueira concedeu a seguinte entrevista ao grupo ND.
SeguirComo o senhor tem reagido ás criticas de ser um forasteiro na presidência da Fundação Catarinense de Cultura?
A minha reação é muito serena. Todo homem público tem que saber que vai ser criticado. Eu não me sinto um forasteiro em Santa Catarina. Primeiro, porque sou devoto de Santa Catarina de Alexandria. Como santista, percebo que os descendentes de Sebastião Caboto trouxeram para Santos a devoção por Santa Catarina. É a padroeira de Santos é Santa Catarina de Alexandria. E a Igreja principal de Santos era dedicada a Nossa Senhora do Desterro. Sinto-me também muito próximo da cultura catarinense. Ela me encantou desde quando fui convidado para ser jurado no Prêmio Rodrigo de Melo Franco de Andrade. Senti especial predileção pelas atividades culturais que observei em Santa Catarina, entre as quais destaco duas: a arte sacra de Treze Tilias e a pesca cooperativa e artesanal com botos, principalmente de Laguna. Eu me sinto um catarinense, porque já tenho Santa Catarina no meu DNA.
2- Quais seus planos para comandar a cultura catarinense?Primeiro, levantar todos os dados para ver o que funciona bem e que deve ser mantido e aprimorado. Tenho a ideia de criar um sistema estadual com os Institutos Históricos e Academias de Letras. A exemplo das Bibliotecas Públicas são instituições de interesse cultural absoluto. Os Institutos e as Academias com as Universidades preservam os documentos, a memória coletiva e os estudo históricos. Muitas vezes vivem na penúria com risco de de perda de preciosos documentos. Acho que Santa Catarina precisa de um projeto de preservação mais adequado aos Institutos. As Academias também podem criar oficinas literárias para jovens, para novos talentos, com premiações que tenham maior participação popular. Pretendo, também, estimular a economia criativa do Estado. O Estado tem grande potencial para desenvolver atividades criativas na música, gastronomia, artesanato, cinema, literatura, etc. Vamos montar um calendário das festas, organizá-las e promovê-las, com ampla divulgação estadual e nacional.
3-Sua visão e destaques principais da cultura de Santa Catarina?A visão de Santa Catarina é multicultural, de raiz. Grande diversidade das culturas açoriana, alemã, italiana, dos povos nativos, etc. Elas tem uma expressão particular, pois aparecem na cultura, na música, no artesanato, na literatura e na história. Gostaria de fortalecer as festividades que expressam estes aspectos culturais, as expressões regionais. O artesanato diversificado precisa ser mais valorizado. Trabalhar em conjunto com as Academias literárias e Institutos Históricos e resgatar a rica memória catarinense.
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