O lixo do atraso

Cidades simplesmente se transformaram em sujidade, sem darem conta dos efeitos catastróficos do embate entre a natureza e os cidadãos

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Não faz muito tempo que um amigo promoveu na internet teste de memória sobre os anos dourados. E questionou se havia lembranças dos velhos hábitos de se guardarem potinhos de vidro de manteiga para armazenar outros produtos.

Com certeza, nós não descartávamos, como hoje, tantos plásticos, vidros, latas, mesas, camas e até guarda-roupas que triplicaram frotas de caminhões de coletas de lixo, além de emporcalhar praias, ruas e avenidas, entupir bueiros e poluir rios, lagos e mares.

Jogar latinhas na rua, bueiro, praças faz parte da deseducação brasileira – Foto: Divulgação/SamaeJogar latinhas na rua, bueiro, praças faz parte da deseducação brasileira – Foto: Divulgação/Samae

A indústria de embalagem quintuplicou-se e as cidades simplesmente se transformaram em sujidade, sem darem conta dos efeitos catastróficos do embate entre a natureza e os cidadãos, que lançam lixo em qualquer esquina. Jogar latinhas na rua, bueiro, praças faz parte da deseducação brasileira.

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Nem as escolas trabalham com determinação e conhecimento o gravíssimo problema. O cidadão joga lixo na rua pela ausência de consciência e ações públicas. Muito menos os vereadores estão preocupados com o meio ambiente.

A Grande Floripa poderia estar unida com uma política séria de despoluição. Floripa tem as secretarias de Meio Ambiente e de Educação, além da Comcap, e ainda carece de uma consciência para conter a praga do lixo. Os gestores continuam obtusos, olhando apenas para as suas plataformas eleitorais, onde, aliás, há muito lixo!

Enquanto isso, na praia da Cachoeira

– Na nossa época, Lelo, a gente andava por aqui sem pisar em sujeira, só em merda de cão. Hoje, saco plástico é prato feito pros cachorros.

– Os catadores de lixo é que têm ajudado a diminuir a sujeira, observa Lelo.

– Por que a prefeitura não vai lá nas Europa, onde tudo é bem organizado, e copia um bom modelo de coleta de lixo e de reciclagem? Há cidades lá que têm iluminação pública só com a usina de lixo. Aqui, o lixo da Ilha ainda é levado de caminhão pra Biguaçu!

– Gozado, Venanço, os prefeito daqui parecem que são inimigos.

– E são, mais que urubus na carniça. Os votos estão muito espalhados. Ô Lelo, o nosso país é tão atrapalhado que depois de descartar o voto escrito, quer ele de volta, pra sujar novamente a eleição.

– Bem lembrado. E sabemo como o voto impresso produz sujeira. Só aqui na Ilha foi uma lixeira inteira. O eleitor ganhava a metade de uma nota de dinheiro e a outra depois de depositar o voto.

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