“Reza uma lenda muito antiga: era uma vez um vírus que se espalhou por todo os cantos do mundo, criando variantes e cepas. Uma dessas variantes era a poderosa Ômicron, assim chamada por ser muito rápida. Porém, Ômicron tinha uma característica que deixava todos curiosos.
Desfile de Carnaval – Foto: Mafalda Press/Arquivo/NDEla não se espalhava, contaminava ou penetrava em determinados lugares como shows realizados em grandes casas de espetáculos, navios frequentados pela elite, estádios de futebol lotados, corridas de carros e festas em beach clubs. Mesmo que ali estivessem muitas pessoas, Ômicron não estava.
Mas Ômicron se espalhou pela África do Sul em pleno carnaval africano, muito tradicional, e, em seguida, com sede de destruir a festa pagã, espalhou suas mazelas pelos carnavais europeus. Mas quando a variante “pensou” que faria o seu maior estrago – espalhar seus males no carnaval brasileiro – surgiram vários heróis que proibiram a festa.
SeguirDurante todos os dias de carnaval estes nossos heróis ficaram restritos aos resorts com suas famílias e shows particulares e condomínios fechados com seus amigos. E foi assim que uma classe, hipocritamente formada por pessoas com interesses mil, não deixou acontecer o carnaval, mas contratou os sambistas para a suas festas particulares em redutos higienizados e blindados dos vírus e bactérias transmitidos pelo povão.
Conseguiram evitar que a Ômicron devastasse o Brasil impedindo a realização do Carnaval. Que bom que temos tantos heróis preocupados com o nosso povo e com o nosso Carnaval”.
* Texto do manezinho Tarcíbulo Serratine Neto