O livro tradicional vive, não apenas sobrevive. E serão sempre bem-vindas as feiras do livro – como a que ora se instala em Joinville – e tantas outras campanhas, estimulando a aproximação do texto e do livro através da escola e dos mediadores de leitura. Três letras. Ler. É sempre fundamental, seja qual for o veículo. O tradicional ou o eletrônico.
Leitura é sempre fundamental – Foto: Tom Hermans/ Unsplash/ Divulgação/ NDOs tablets estão aí, os novos leitores de texto, também, mas em dez anos de vida ainda não se massificaram, até pelo preço ainda salgado. O Kindle, um dos “mostradores” do livro virtual, demorará ainda uma geração para alcançar preços palatáveis. Leitura sempre foi uma questão de método.
Um ancestral leitor, voraz e ciumento de seus livros, sendo o grande imperador da antiga Pérsia, carregava sua biblioteca sempre que viajava, acomodando-a em quatrocentos camelos treinados para andar em ordem alfabética.
SeguirTer um livro em casa era “chamar” toda a família e até a vizinhança para dele desfrutar, como se fossem os aparelhos de televisão dos anos 1950: juntavam-se na mesma sala as pessoas da família e até os estranhos, nem por isso conhecidos como “livro-vizinhos”.
Reunir-se para ouvir alguém ler tornou-se uma prática comum na Idade Média, depois da invenção da imprensa, por Gutenberg, em Mainz, Alemanha, 1450. Alberto Mangüel, autor e leitor ilustre – na infância lia para o cego Jorge Luís Borges -revela em seu livro “A História da Leitura” que ler “à mesa” não tinha a intenção de “distrair as alegrias do paladar”.
Não. A ideia era juntar os dois prazeres, ou as duas “comidas”: a material e a do espírito.- A leitura era mais um “prato”. Realçava a alegria do palato com uma diversão criativa, uma prática herdada dos tempos do Império Romano.Como se vê, o livro já desempenhou papéis muito mais importantes no dia a dia da família, hoje obcecada pela caixinha eletrônica da televisão.
“Uma nação se faz com homens e livros” – sustentava – amparado por um espesso par de sobrancelhas, mestre Monteiro Lobato, lá pelos idos dos anos 1950.
Mário Quintana ampliou esse conceito, deixando em poesia o seu grande apreço pelos livros:- O universo é um grande livro, e a vida, uma grande escola.Ler é, talvez, o maior dos atributos do ser pensante e a joia mais cintilante de toda a engenharia intelectual. Ler é como se fosse um sexto sentido, tão importante quanto cada um dos outros cinco.