Cacau Menezes cacau.menezes@ndtv.com.br

Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo

Porque o espetáculo Canção, da Camerata Florianópolis, fez o TAC e o Centro vibrarem

Espetáculo que reabriu o Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) após 2 anos e meio trouxe miscigenação do açoriano com o afro. Repertório e cantores 100% catarinenses mostraram a potência da nossa música

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Por Guia Manezinho – Rodrigo Stüpp – Interino
contato: guiamanezinho@gmail.com

A Camerata Florianópolis já está bem acostumada a terminar seus espetáculos com o público de pé. Mas a apresentação na reabertura do Teatro Álvaro de Carvalho, o TAC, foi memorável e eu explico o porquê.

Camerata Florianópolis fez o concentro de reabertura do TAC – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação NDCamerata Florianópolis fez o concentro de reabertura do TAC – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação ND

Primeiro: o repertório de Canção foi 100% regional, miscigenando valores e vozes que embalaram quem conseguiu um dos concorridos ingressos – eles esgotaram em oito minutos.

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Em sua volta ao TAC após 13 anos (de fato, o nosso teatro mais antigo da Ilha ficou pequeno pra multidão que arrasta), a Camerata olhou pra dentro e para os lados.

É claro que muita gente curte os espetáculos badalados de Sertajeno, Rock, Pop, clássicos, Beatles.

Camélia Martins abriu o espetáculo “Canção” com a Camerata no TAC – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação NDCamélia Martins abriu o espetáculo “Canção” com a Camerata no TAC – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação ND

Mas pra quem vive Floripa, começar com Rancho de Amor à Ilha (Camélia Martins) e emendar com duas canções de Luiz Henrique Rosa, o maior nome da Bossa Nova Catarinense, deu uma ideia do que viria.

Vinícius de Moraes chegou a dizer, nos anos 70, que Luiz Henrique tinha um “cheiro internacional”, e isso se consolidou.

Ancestralidade

Mas a Camerata é cosmopolita e trouxe a força do preto, do black, da ancestralidade que fez que as dezenas de músicos no palco se multiplicassem. A gente não via mas sentia.

François Muleka (E), Ana Paula da Silva e Dandara Manoela trouxeram ancestralidade – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação / NDFrançois Muleka (E), Ana Paula da Silva e Dandara Manoela trouxeram ancestralidade – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação / ND

Ouvi de algumas pessoas, logo após o espetáculo, que a força de Dandara Manoela e Ana Paula da Silva cantando juntas, em certo momento com François Muleka, que entidades baixaram.

Observei o maestro Jefferson Della Rocca, naquele momento, de lado, olhos fechados, o show acontecendo por si e pensei comigo: “tem alguém aí nesse comando”.

Floripa é manezinha, mas também é Negra, Afro, é Festa do Divino e Candomblé, e tudo isso vibrou no palco do TAC. Inclusive com Sabarah cantando contra o preconceito racial.

Gazu, ex Dazaranha, aniversariante, ganhou um parabéns pra você orquestrado, pouco depois de comer uma Almôndega do Mozo (ao lado do TAC) e antes de soltar a voz em duas composições recentes que falam de amadurecimento.

Expresso Rural trouxe “Certos Amigos” no Encerramento – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação NDExpresso Rural trouxe “Certos Amigos” no Encerramento – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação ND

Ficou evidente que havia outros planos ainda mais ancestrais do que o TAC, o mais antigo teatro de Florianópolis.

O encontro de ícones como Alisson Mota, da formação original do grupo Engenho (quem tem mais de 40 em Floripa não esquece) e Expresso Rural lembrou Daniel Lucena (partiu em 2020) sem que nome dele precisasse ser dito.

Foi uma noite inesquecível no combalido e vivo Centro Leste de Floripa. Uma noite que a Camerata Florianópolis e os convidados podem reviver para um público ainda maior. É só querer.