Por Guia Manezinho – Rodrigo Stüpp – Interino
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A Camerata Florianópolis já está bem acostumada a terminar seus espetáculos com o público de pé. Mas a apresentação na reabertura do Teatro Álvaro de Carvalho, o TAC, foi memorável e eu explico o porquê.
Camerata Florianópolis fez o concentro de reabertura do TAC – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação NDPrimeiro: o repertório de Canção foi 100% regional, miscigenando valores e vozes que embalaram quem conseguiu um dos concorridos ingressos – eles esgotaram em oito minutos.
SeguirEm sua volta ao TAC após 13 anos (de fato, o nosso teatro mais antigo da Ilha ficou pequeno pra multidão que arrasta), a Camerata olhou pra dentro e para os lados.
É claro que muita gente curte os espetáculos badalados de Sertajeno, Rock, Pop, clássicos, Beatles.
Camélia Martins abriu o espetáculo “Canção” com a Camerata no TAC – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação NDMas pra quem vive Floripa, começar com Rancho de Amor à Ilha (Camélia Martins) e emendar com duas canções de Luiz Henrique Rosa, o maior nome da Bossa Nova Catarinense, deu uma ideia do que viria.
Vinícius de Moraes chegou a dizer, nos anos 70, que Luiz Henrique tinha um “cheiro internacional”, e isso se consolidou.
Ancestralidade
Mas a Camerata é cosmopolita e trouxe a força do preto, do black, da ancestralidade que fez que as dezenas de músicos no palco se multiplicassem. A gente não via mas sentia.
François Muleka (E), Ana Paula da Silva e Dandara Manoela trouxeram ancestralidade – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação / NDOuvi de algumas pessoas, logo após o espetáculo, que a força de Dandara Manoela e Ana Paula da Silva cantando juntas, em certo momento com François Muleka, que entidades baixaram.
Observei o maestro Jefferson Della Rocca, naquele momento, de lado, olhos fechados, o show acontecendo por si e pensei comigo: “tem alguém aí nesse comando”.
Floripa é manezinha, mas também é Negra, Afro, é Festa do Divino e Candomblé, e tudo isso vibrou no palco do TAC. Inclusive com Sabarah cantando contra o preconceito racial.
Gazu, ex Dazaranha, aniversariante, ganhou um parabéns pra você orquestrado, pouco depois de comer uma Almôndega do Mozo (ao lado do TAC) e antes de soltar a voz em duas composições recentes que falam de amadurecimento.
Expresso Rural trouxe “Certos Amigos” no Encerramento – Foto: Tóia Oliveira / Divulgação NDFicou evidente que havia outros planos ainda mais ancestrais do que o TAC, o mais antigo teatro de Florianópolis.
O encontro de ícones como Alisson Mota, da formação original do grupo Engenho (quem tem mais de 40 em Floripa não esquece) e Expresso Rural lembrou Daniel Lucena (partiu em 2020) sem que nome dele precisasse ser dito.
Foi uma noite inesquecível no combalido e vivo Centro Leste de Floripa. Uma noite que a Camerata Florianópolis e os convidados podem reviver para um público ainda maior. É só querer.