Prefeito de Florianópolis quer estimular aproximação com os Açores

Nesta sexta-feira (06) são comemorados 275 anos da chegada açoriana na Ilha de Santa Catarina

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Redação ND Florianópolis

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Quis o destino que nas comemorações dos 275 anos do início da emigração açoriana para a Ilha de Santa Catarina o prefeito de Florianópolis fosse um descendente de moradores do arquipélago português. Topázio Silveira Neto tem raízes na ilha de São Jorge, nos Açores.

Topázio tem ascendência açoriana – Foto: Leo Munhoz/NDTopázio tem ascendência açoriana – Foto: Leo Munhoz/ND

“Minha relação é histórica dos Silveiras. Os registros mostram que os primeiros Silveiras vieram da ilha de São Jorge. Meu bisavô nasceu em Porto Alegre (RS), porque muitos açorianos foram para Porto Alegre”, lembra o prefeito ao revelar que ainda não esteve na terra dos seus antepassados.

Topázio ressalta que a presença açoriana na Capital catarinense moldou o traço cultural que a cidade preserva até hoje. Ele conta que há cerca de dois meses o representante de uma das ilhas dos Açores visitou Florianópolis e ambos foram visitar o Mercado Público. Durante a conversa, uma revelação: a Ilha de Santa Catarina tinha mais rendeiras do que na cidade do político açoriano.

“Ele disse: ‘Vou lhe confessar uma coisa, Topázio, acho que vocês são muito mais açorianos do que nós mesmos. Vocês preservaram a cultura de forma como se a gente tivesse colocado numa garrafa e jogado no oceano, e aquela garrafa manteve a questão cultural’”, contou o prefeito.

“Estávamos olhando uma roda de rendeiras com mais de 40 delas e ele diz o seguinte: ‘Lá na minha ilha, na minha cidade, eu tenho uma rendeira só e ela tem mais de 80 anos, a cultura da renda de birro praticamente se perdeu nos Açores’. Eu até brinquei com ele, vou exportar algumas daqui pra lá”, disse Topázio.

O prefeito de Florianópolis destacou o projeto “Viva Açores – Conhecer é Viver!” realizado pelo Grupo ND para a aproximação cultural e comercial com o arquipélago português do Atlântico. “Durante o projeto foram oficiadas algumas reuniões com o pessoal de lá”, informou.

Marcello Petrelli, Mário Fortuna, Topazio Neto e Luis Virgílio de Souza da Silveira – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/NDMarcello Petrelli, Mário Fortuna, Topazio Neto e Luis Virgílio de Souza da Silveira – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/ND

“Nós temos uma vantagem, nesse caso, por todos falarmos português. No mercado de tecnologia, por exemplo, há possibilidade de a gente trocar experiências, informações e talvez até acordos comerciais, o que hoje pode ser feito remotamente. Podemos ter Florianópolis trabalhando para empresas dos Açores e açorianos trabalhando para empresas de Florianópolis, na área de TI”.

Segundo Topázio, outra área que pede maior aproximação é o turismo. “Garanto que o fluxo de turistas de Florianópolis, ou de Santa Catarina, ou do Sul do Brasil para Açores é muito pequeno, como também é ao contrário. Então acho que a comemoração desses 275 é um novo marco, um novo recomeço para mudarmos esse quadro”.

Programação comemorativa até novembro

As comemorações dos 275 anos do início da emigração açoriana para a Ilha de Santa Catarina devem se estender até o fim deste ano. “Nós estamos com uma programação que tem eventos que irão até o mês de novembro”, anunciou.

Para começar, acontecem nesta sexta-feira (06) os festejos do Terno de Reis, tradição de origem açoriana que encerra o período de celebrações natalinas na Capital.

Em março, dentro da programação de aniversário de 350 anos da Capital, a prefeitura prepara atividades em comemoração à chegada dos açorianos. A ideia é associar a programação com a abertura do Ciclo do Divino. “Queremos envolver a Irmandade do Divino Espírito Santo, porque o Divino se confunde com a cultura açoriana”, frisou o prefeito.

No dia 31 de agosto, dia municipal da açorianidade, instituído pela Lei nº 9.318/2013, também haverá uma programação comemorativa. Em novembro, ocorrerá a 25ª Assembleia do Conselho Mundial das Casas dos Açores, quando Florianópolis receberá representantes de comunidades açorianas de todo o mundo.