Disseminar a história da população negra de Florianópolis. Este é o objetivo do projeto realizado desde 2015 por Paulo Nogueira, o Professor das Ruas.
Paulo Nogueira conta a história do povo negro de Florianópolis em aulas urbanas – Foto: Divulgação/Sérgio Vignes/NDO manezinho de 35 anos conta que fugiu de casa quando era adolescente para não ver sua mãe sofrer violência doméstica e viu no conhecimento que adquiriu vivendo nas ruas de Florianópolis a oportunidade de melhorar sua condição de vida.
De forma autodidata, Nogueira percorreu os museus e centros históricos da Capital no tempo em que viveu em situação de rua, por mais de uma década, aprendendo sobre a história do povo negro.
Seguir“Eu via muita gente vendendo bala de goma, vendendo pulseira, e eu queria trazer um diferencial pras ruas. Aí eu trouxe um pouco de conhecimento pra mim, pra minha vida, e vi que isso poderia virar profissão, virar trabalho”.
Paulo afirma que sua vontade pela história existe desde pequeno, mas lembra que, na época em que estava na escola, pouco aprendeu sobre o legado que as pessoas pretas deixaram para a sociedade.
“O que eu aprendi sobre a história do negro começa na escravidão, em 1530, e finaliza em 1888 com uma mulher branca assinando a carta da Lei Áurea. Eu acho que a escola brasileira, enquanto trabalha com a história das pessoas pretas, é muito falha. A história do açoriano você encontra em qualquer lugar”, destacou.
O Professor das Ruas promove tours pelas ruas de Florianópolis há sete anos, contando um pouco da cidade e das pessoas pretas que ali viveram, como a história do poeta Cruz e Sousa e da professora e política Antonieta de Barros. Ele também mostra qual era a principal rota de fuga de escravos na região e onde os negros eram vendidos.
As aulas urbanas são realizadas conforme demanda e podem ser agendadas através de rede social e também pelo telefone (48) 9-9831-1220. Falando de valores, Paulo Nogueira aceita contribuições espontâneas.
Professor das Ruas oferece aulas sobre povo negro de Florianópolis – Foto: Divulgação/Sérgio Vignes/NDInfelizmente, segundo ele, as aulas são pouco procuradas. Na última vez que aconteceu, em maio de 2022, o professor recebeu cinco alunos. Para conseguir se manter, ele caminha por bares em busca de pessoas que estejam dispostas a receber um pouco do seu conhecimento histórico em troca de algum valor em dinheiro.
“As pessoas gostam do meu trabalho quando são abordadas por mim na mesa de bar, mas, quando eu trago um conhecimento negro, um percurso negro pelas ruas de Florianópolis, as pessoas pouco gostam de conhecer”, lamenta.
O professor conta que tem vontade de fazer uma especialização em História para melhorar cada vez mais as suas aulas.
“Poder ensinar às pessoas a história correta, não a história do opressor, não a história da pessoa que sobreviveu e conseguiu manter o seu nome nela através de sangue e sofrimento. Eu acredito muito no poder do conhecimento e que a gente pode mudar o ser humano através desse conhecimento”, afirmou.