O poder de contar histórias é transformador, faz brilhar os olhos e encanta o coração. A curiosidade e o encanto pela História e por histórias levou o professor Elton Zeni a iniciar uma coleção de cédulas e moedas. Afinal, o que melhor do que elas para explicar as transformações sociais pelas quais o Brasil já passou.
As moedas catalogadas pelo professor compreendem o período da república até hoje, com início em 1889. – Foto: Valeria Cenci/NDElton é formado em Administração e atua como Diretor de Regulação da UCEFF, de Chapecó. Ele começou a juntar as moedas e cédulas desde a adolescência, mas foi há 15 anos que passou a levar a tarefa a sério. Iniciou estudos sobre o ato de colecionar e sobre a História por trás de cada item.
O principal motivo que levou Elton a colecionar foi a grande troca do sistema monetário no Brasil. Devido à inflação, muitas moedas e cédulas ficaram acumuladas e ele passou a guarda-lás. Anos após, ganhou alguns itens e então percebeu a possibilidade de coleção.
Seguir“A partir do momento que decidi de fato colecionar, busquei estudar a numismática, que é o ato de colecionar cédulas e moedas, cataloguei os materiais que eu tinha e busquei adquirir novos objetos. Até mesmo comprei algumas peças.”
Muitas pessoas usam da numismática como forma de investimento financeiro, pois é um bem que pode atingir altos valores a depender do estado de conservação e caraterísticas como raridade e antiguidade. Mas para Elton essa é uma atividade cheia de sentimentos.
“Quer saber quanto vale? Não vale nada, porque eu não vou vender. Quero passar a minha coleção para os meus filhos e seguir com esse trabalho repleto de história. Quero deixar como legado”, explica.
Para Elton, a moeda mais especial não tem valor colecionável, mas é significativa, pois ganhou ela do pai. “Meu pai chegou um dia para mim com a moeda e disse que achou ela na rua. Ela não tem valor comercial, mas não importava, eu ganhei dele”, conta com emoção.
A coleção
As moedas catalogadas pelo professor compreendem o período da República até hoje, com início em 1889. Uma coleção resumida em juntar itens nacionais. Ele explica que são cerca de 600 moedas e cédulas, de modelos diferentes, já entraram em circulação neste período. Destas, Elton conta com mais de 400.
“A partir de agora são as mais raras que faltam. Para completar é necessário comprar de casas especializadas, investir maiores valores. Além disso, as comemorativas, algumas delas nem sequer circularam, mas essas não são meu foco”, explica.
Entre os itens catalogados estão moedas e cédulas de réis, cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro real e real. Além destas, algumas moedas do império compõem o material, mas não representam o objetivo da coleção.
“Para mim, é muito mais divertido essas moedas mais comuns, posso conseguir peças com amigos, posso trocar, e isso é muito interessante. Em Chapecó, por exemplo, tem um grupo que se reúne para fazer troca ou venda”, esclarece.
Elton conta que dentre todas essas diferentes especies monetárias, alguns tipos já foram completos, como, por exemplo, moedas de prata lançadas nesse período. “Essas são fáceis de conseguir, tenho todas”, conta.
A peça mais curiosa é uma moeda romana, datada em 180 d.C. “Essa não teve valor alto, mas comprei pela curiosidade. Graças a essa moeda pude conhecer a história dela e a época em que circulou.”
Algumas das moedas são guardadas pelo valor emocional e de curiosidade. — Foto: Valeria Cenci/NDColecionável ou não
Existem algumas características que fazem uma moeda ou cédula se tornar um item colecionável e de alto valor de mercado. Moedas em ótimo estado de conservação e com baixa tiragem costumam ser as mais valiosas. Um exemplo é a ‘Flor de Estampa’, o que significa que a cédula nunca circulou, e representa o maio valor colecionável. A cada marca de circulação, de uso, o item perde valor de coleção.
Porém, em razão de tantas trocas monetárias, exitem materiais de grande tiragem e por esse motivo, muitas moedas, são de baixo valor colecionável e até mesmo podem ser vendidas por quilo. O professor conta que nos períodos de troca monetária do país, as moedas eram vendidas pelo Banco do Brasil e compradas para fazer objetos de artesanato e, até mesmo, eram utilizadas para contrapeso de portões antigos.
Para saber quanto vale cada moedas ou cédula existem casas especializadas em catalogar e precificar conforme as características. Para quem tiver interesse, existe o site da Sociedade Numismática Brasileira, que conta com uma lista de lojas especialistas no Brasil. Além de apresentar orientações sobre essas coleções.
Elton iniciou a juntar as moedas e cédulas desde a adolescência, mas foi a cerca de 15 anos que passou a levar a tarefa a sério. – Foto: Valeria Cenci/NDMoedas do Brasil
O Brasil, ao longo dos anos, passou por diversas mudanças financeiras, processos de inflação e cédulas que chegaram a valer 500 mil, a exemplo dos Cruzeiros. Conforme informações do Banco Central, desde a independência, em 1822, o Brasil já teve nove trocas de padrão monetário e sete moedas.
A partir dos réis até o real, o motivo das trocas se resumiu a um só: a inflação. Os réis ficaram mais de 400 anos em circulação, e representa a moeda mais duradoura, já o real é a segunda moeda com mais tempo, já são 26 anos.
Conforme documento do Banco Central, as cédulas utilizadas no Brasil passaram a ser fabricadas na Inglaterra. O motivo era uniformizar as notas em circulação e acabar com as falsificações. Foi em 1835 que as antigas notas e as cédulas para o troco do cobre foram substituídas por cédulas do Tesouro Nacional, fabricadas por ‘Perkins, Bacon & Petch (Inglaterra)’.
Para iniciar a coleção, Elton passou a estudar a história das moedas e cédulas e as formas de coleção. – Foto: Valeria Cenci/ND