Um prédio histórico em chamas: um dos galpões da Cidadela Cultural Antárctica pegou fogo nesta sexta-feira (19) em Joinville, destruindo parte de um patrimônio cultural centenário da cidade.
A história do espaço, porém, começou muito antes de ele ganhar o nome que remete à cultura e à arte. Tudo começou em 1889, com a abertura da cervejaria Tiede. Mais tarde, na década de 1910, o empreendimento acabou sendo vendido após a morte do seu fundador, Alfred Tiede, e foi rebatizado como Cervejaria Catharinense que, além de cerveja, também produzia licores e gasosas.
Espaço abrigou as cervejarias Tiede, Catharinense e Antárctica – Foto: Divulgação/NDJá na década de 1950, a cervejaria foi incorporada pela Companhia Antártica Paulista. O local tinha fontes de água pura, o que facilitava a produção da bebida. A fabricação de cervejas prosseguiu até a década de 1990, quando o local já era administrado pela Bebidas Antarctica Polar.
SeguirEm 2001, a empresa vendeu todo o patrimônio para a prefeitura de Joinville por R$ 2,1 milhões. A compra ocorreu no governo de Luiz Henrique da Silveira, que prometeu transformar a antiga cervejaria em um espaço cultural. Nascia ali a Cidadela Cultural Antárctica.
Papéis encontrados no incêndio são da época em que o local era usado como cervejaria – Foto: Redes sociais/NDO local foi tombado como patrimônio histórico em 2010 e, em 2012, o Plano Municipal de Cultura estabeleceu que a Cidadela Cultural deveria ser utilizada exclusivamente para a cultura.
Isso, no entanto, não aconteceu: por vários anos, o espaço abrigou órgãos da administração municipal, como a Secretaria de Proteção Civil e o antigo Ittran (Instituto de Trânsito e Transporte de Joinville).
Atualmente, a Cidadela Cultural Antárctica é a casa da Ajote (Associação Joinvilense de Teatro) e da Aaplaj (Associação de Artistas Plásticos de Joinville), além de guardar parte do acervo do MAJ (Museu de Arte de Joinville).
O galpão destruído pelo fogo nesta sexta-feira (19), porém, já estava interditado por causa de um deslizamento de terra nos fundos da estrutura e era usado apenas para armazenar arquivos.
Um dos galpões da Cidadela Cultural Antárctica pegou fogo nesta sexta – Foto: Ricardo Fortuna/NDDurante a história como Cidadela, o espaço passou por diversas perícias para apurar as condições estruturais e oportunizar uma revitalização. No entanto, poucos reparos foram feitos nos últimos anos e o futuro do local ainda parece indefinido.
Na campanha das eleições municipais do ano passado, o atual prefeito Adriano Silva (Novo) elencou a formação de uma parceria público-privada para o espaço no plano de governo. Até agora, porém, não há projeto de revitalização, segundo a prefeitura.