Retratos de indígenas no estilo Lambe-Lambe integram exposição em Florianópolis

Projeto Yvyrupá Território, do fotógrafo Radilson Carlos Gomes, pode ser visitado até 17 de julho no Museu da Imagem e do Som de SC, em Florianópolis

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Hello, Leitores!!! Para os amantes de fotografia e cultura, tenho uma dica incrível para dar, a exposição Yvyrupá Território: Retratos e Relatos dos Povos Indígenas em Santa Catarina, do fotógrafo Radilson Carlos Gomes, que pode ser visitada – gratuitamente – até o dia 17 de julho no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC), em Florianópolis.

Projeto Yvyrupá Território, do fotógrafo Radilson Carlos Gomes, pode ser visitado até 17 de julho no Museu da Imagem e do Som de SC, em Florianópolis Luila Vomero, Letícia e Radilson na Aldeira Feliz em Major Gercino, fotos que participam da exposição retratos indígenas. Divulgação/ND

O fotógrafo contou aqui para o Mundo Maria, que as 120 fotografias, todas no formato 3×4, foram captadas com uma Câmera Fotográfica Artesanal Lambe-Lambe de 1915 que foi totalmente restaurada. Integram ainda a mostra dois vídeos com os bastidores e relatos de indígenas Guarani, Kaingang e laklãnõ-xokleng, em Santa Catarina.

“Todos os registros dos 120 indígenas foram feitos com equipamento analógico, e para a execução da mostra fotográfica elas foram digitalizadas e utilizadas nos diversos formatos”, compartilhou Radilson, e destacou que para a realização dos registros em aldeias indígenas das cidades de Biguaçu, Major Gercino e José Boiteux, foi solicitada autorização das lideranças locais.

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Projeto Yvyrupá Território, do fotógrafo Radilson Carlos Gomes, pode ser visitado até 17 de julho no Museu da Imagem e do Som de SC, em Florianópolis Registro do fotógrafo Radilson Carlos Gomes da Silva, para a exposição em Florianópolis. Crédito: Radilson Carlos Gomes da Silva/Divulgação/ND

O fotógrafo conta que a expressão Yvyrupá ou Yurupá (como se lê) é utilizada pelos Guaranis para designar uma espécie de estrutura que sustenta o mundo terrestre. “Seu significado evoca o modo de ocupação do território pelos Guarani, sempre de maneira livre, respeitosa e harmônica”, me contou.

Radilson contou ainda que os retratos em formato 3×4 formam um grande mosaico de identidades e rostos explicitando de forma visual traços das etnias, de suas linguagens e costumes. “A proposta é colocar em evidência a questão dos territórios indígenas a partir de sua identidade: olhar para os povos indígenas e reconhecer em seus rostos o direito originário ao território”, ressaltou.

O projeto foi contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, promovido pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) em 2020, com o 1º lugar na categoria Povos Indígenas, e conta com apoio do Museu da Imagem e do Som (MIS/SC) e da SóClick.

Sobre o uso da câmera fotográfica artesanal lambe-lambe

Radilson destacou que desde o final do século XIX, no Brasil e no Mundo a captação de retratos fotográficos para identificação dos indivíduos na sociedade teve como uma das principais protagonistas as câmeras fotográficas de jardins, as chamadas câmeras lambe-lambes ou câmeras minuteras.

Projeto Yvyrupá Território, do fotógrafo Radilson Carlos Gomes, pode ser visitado até 17 de julho no Museu da Imagem e do Som de SC, em Florianópolis Registro na Aldeia Sassafrás, Comunidade Xokleng em José Boiteux. Crédito Radilson Carlos Gomes da Silva/Divulgação/ND

No entanto, o fotógrafo me contou que foi a fotografia lambe-lambe que democratizou o acesso da população de baixa renda aos retratos de identidade. “A partir de 1º de maio de 1943 com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) quando instituída a Carteira de Trabalho obrigatória e por muitos anos o retrato de identidade feito por uma lambe-lambe representava o primeiro acesso a carteira de trabalho de boa parte da população brasileira. Dessa forma, registrar os povos indígenas com um ‘aparelho de retrato de identidade’, queremos vincular sua identidade ao território”, completou.

Serviço: Exposição Yvyrupá Território: Retratos e Relatos dos Povos Indígenas em Santa Catarina

Local: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC) (que fica no Centro Integrado de Cultura (CIC) na Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 – Agronômica, Florianópolis/SC)

Visitação: até 17 de julho de 2022, de terça-feira a domingo, das 10h às 21h

Entrada gratuita

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