O Dia Municipal do Rendeiro e da Rendeira é comemorado nesta quinta-feira (21) em Florianópolis e, é claro, a data não passou em branco. Uma roda de rendeiras foi formada no vão central do Mercado Público da Capital, onde a batida dos bilros se uniu à cantoria das tradicionais ratoeiras em uma celebração da cultura florianopolitana.
Seu Dinho e dona Anita se dedicam à renda de bilro no Mercado Público – Foto: Bruna Stroisch/ND“É o primeiro encontro das rendeiras depois de dois anos de pandemia. Então, poder se encontrar é uma alegria, é um prazer, aqui no Mercado Público, nesse espaço memorável, para cantar uma ratoeira, para comemorar”, destacou a secretária adjunta de Turismo de Florianópolis, Roseli Pereira.
A secretária adjunta também ressaltou a diversidade na roda, com rendeiras e rendeiros de todas as idades, e a importância de passar a tradição adiante: “Nós temos jovens, temos crianças, temos projetos em escolas, temos homens, mulheres. As nossa mestras e mestres estão passando essa tradição pra outras gerações a partir de oficinas e isso é que mantém a nossa tradição viva.”
De mãe para filha
O barulho dos bilros de Dona Zulma Matias se mistura ao barulho dos carros que passam à beira da Lagoa da Conceição. São 67 anos fazendo renda e história no mesmo lugar. “É tudo na minha vida. O que eu mais adoro é fazer renda”, disse ela, que aprendeu o ofício aos 5 anos através da mãe, da avó e das tias.
Dona Zulma lembrou que “as avós traziam a gente para perto dela, botavam quatro bilrinhos do lado da almofada e botavam a gente a fazer, para aprender os pontos primeiro, para depois fazer diretamente. Era ótimo. A gente fazia com tanto carinho com elas”.
Em todo esse tempo Zulma nunca deixou de fazer a renda. Foi uma das poucas que resistiu ao avanço da modernidade, mas lembra com saudades de uma época em que havia mais rendeiras do que recursos.
“Com 20 anos, eu coloquei a lojinha na praia, uns bambuzinhos que colocava a renda em cima, e a gente vendia ali na praia mesmo. Depois, a gente se mudou, veio para o lado de cima da estrada. Aí, pegamos uma lojinha de madeira e ficamos vendendo nessa lojinha. Agora, fizemos a lojinha de material”, contou Zulma.
Tradição viva na arquitetura e no comércio
Apesar de já não serem tantas quanto em outras épocas, a principal avenida da Lagoa da Conceição ganhou o nome delas, das rendeiras. Mas na cidade, a tradição está viva não só em um dos endereços turísticos mais cobiçados da Ilha, mas também na arquitetura e comércio local.
As rendeiras, com a cultura dos colonizadores açorianos, estão representadas no Lago da Alfândega – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDOutro lugar icônico para comemorar o Dia da Rendeira e do Rendeiro é o Largo da Alfândega, no Centro de Florianópolis. Ao lado, fica o histórico Mercado Público Municipal, onde também se fomenta, se ensina e se vende as peças que são admiradas por moradores e turistas do mundo inteiro.
Conheça mulheres e homens que mantêm a tradição da renda de bilro na reportagem do Balanço Geral Florianópolis!