Transcrevo, ainda com profundo pesar pela perda catarinense de uma de suas maiores expressões artísticas e culturais, a parte final da “Introdução” do livro que escrevi sobre o duplamente imortal Rodrigo de Haro.
Um de nossos últimos encontros em sua residência – Foto: Idesio Leal“Há mais de dez anos sentia-me devedor de uma homenagem a este grande ícone da cultura catarinense e brasileira. Compromissos profissionais retardaram a conclusão do projeto, que era originalmente muito mais ambicioso.
Foram dezenas de horas gravando e centenas de agradáveis e ricas conversas, pautadas ou improvisadas. Todas as vezes que anunciava na entrada de sua casa que faria “visita de médico”, ali permanecia por uma ou duas horas, extasiado com seus conhecimentos e sua sabedoria.
SeguirEste livro não tem a pretensão de ser uma biografia, tributo que transfiro para colegas mais competentes e amigos ligados à arte e cultura que tiveram o privilégio de saciar em períodos mais longos a sede de lucidez, humanismo e criatividade que Rodrigo costuma saciar aos que o rodeiam.
Não se trata, muito menos, de uma obra acadêmica.
É, na realidade, um trabalho jornalístico que representa uma modesta homenagem, em forma de testemunho, à um ser humano excepcional, a um poeta inigualável e a um artista sábio, sensível, misterioso, mágico, profundo, que orgulha as tradições culturais de Santa Catarina e do Brasil.
Uma obra que me exigiu sacrifício físico, muitas horas de estudo, pesquisa e trabalho, as semanas de apreensão durante a internação delicada do artista em 2017 e, sobretudo, a ansiedade de conclui-la pela relevância histórica ao homenageado. Mas que teve indescritíveis recompensas profissionais, filosóficas, espirituais e humanas pelo longo convívio com o mais erudito dos catarinenses nestes dois séculos.”