Santa Catarina, heroína e padroeira dos catarinenses

Para homenagear a patrona catarinense, o arcebispo metropolitano de Buenos Aires, dom Iosif celebra uma missa na Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau, no Centro da Capital

Carolina Coral – Especial para o ND Florianópolis

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Único Estado do país que tem o nome de sua padroeira, Santa Catarina celebra nesta sexta-feira (25) o dia de Santa Catarina de Alexandria. Para homenagear a patrona catarinense, às 9h30, o arcebispo metropolitano de Buenos Aires, dom Iosif celebra uma missa na Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau, no Centro da Capital. Às 18h, acontecerá o translado das relíquias de Santa Catarina de Alexandria da Igreja de São Nicolau para a Catedral Metropolitana, onde será realizada uma missa na presença dos líderes religiosos das igrejas ortodoxa e oriental.

O colunista do Grupo ND Moacir Pereira escreveu, em 2002, o livro “Santa Catarina de Alexandria, a origem, o mosteiro e a padroeira”, após sua participação na primeira e única missão oficial catarinense no mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai, no Egito, onde se encontram os restos mortais da padroeira.

Pouca gente conhece a história de Santa Catarina de Alexandria – Foto: Leo Munhoz/NDPouca gente conhece a história de Santa Catarina de Alexandria – Foto: Leo Munhoz/ND

“Quando cheguei lá, procurei registrar tudo e levantar dados do mosteiro, o qual tem mais de 1.500 anos e é impressionante. No meu retorno, passei a pesquisar de forma mais aprofundada sobre Santa Catarina de Alexandria em diversas fontes do mundo, fiz o livro contando sua história e as relações com o nosso Estado”.

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Origem

O nome Santa Catarina foi dado em 1526 pelo navegador Sebastião Caboto quando aqui chegou, na região do Ribeirão da Ilha. Segundo os historiadores Humberto Correa, Walter Piazza e Oswaldo Cabral, a denominação teria sido uma homenagem à esposa do navegador, que se chamava Catarina, e também pelo fato de ele ter desembarcado na ilha em 25 de novembro, dia de Santa Catarina de Alexandria.

Desde o início da criação da diocese de Florianópolis, em 1908, a santa já era venerada na região. Diante disso, dom Joaquim Domingues de Oliveira pediu ao Papa Pio XI que tornasse Santa Catarina de Alexandria oficialmente padroeira diocesana. Por um decreto expedido em 26 de julho de 1922, o Papa a declarou padroeira principal da diocese de Florianópolis e cotitular da Igreja Catedral.

Historiadores acreditam em uma versão para o nome do Estado – Foto: Leo Munhoz/NDHistoriadores acreditam em uma versão para o nome do Estado – Foto: Leo Munhoz/ND

Duas relíquias

Uma das relíquias da santa está na Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau, localizada no Centro de Florianópolis. Outra se encontra na Capela Ecumênica do Tribunal de Justiça, na Capital, construída especialmente para acolher a relíquia da padroeira. Essa é fruto de uma solicitação de Esperidião Amin, então governador do Estado em 2000, e veio do mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai no Egito, onde se encontram os restos mortais da santa.

Coragem e fé

A santa nasceu na cidade de Alexandria, no Egito, no início do século 4, e é uma das mais célebres mártires dos primeiros séculos, venerada pela Igreja Ortodoxa como uma grande mártir. Já na Igreja Católica é reverenciada como um dos 14 santos auxiliadores.

De origem aristocrática, Santa Catarina era dotada de grande beleza física e de profunda sabedoria. Ainda jovem, recebeu uma intensa formação cristã, o que a levou a se converter e a defender o pensamento cristão com afinco. Naquele tempo, ocorriam as perseguições aos cristãos no império romano, e corajosamente Santa Catarina enfrentou o imperador Maximino para defender os fiéis que eram condenados. A santa foi instada por ele a renunciar ao cristianismo e a cultuar os deuses romanos, e como se negou a renegar o cristianismo foi condenada à morte.

É também conhecida como a Santa Catarina da Roda devido ao fato de esse instrumento ter sido o escolhido pelo imperador para executar a sentença de morte da santa. Entretanto, a roda dentada que viria a estraçalhar o corpo de Santa Catarina quebrou-se, levando o imperador furioso a ordenar que ela fosse decapitada por uma espada. Por isso, a santa é invocada por todos os que trabalham com roda. Na cidade de Tangará, no Vale do Rio do Peixe, em Santa Catarina, por exemplo, as indústrias de celulose e embalagem, atividades que utilizam rodas, não trabalham em 25 de novembro, que é considerado um dia para distribuir presentes.

União ecumênica

Desde segunda-feira, o arcebispo metropolitano de Buenos Aires, primaz e exarca da América do Sul, Dom Iosif, faz sua primeira visita à pastoral do Estado para as celebrações da patrona Santa Catarina de Alexandria, as quais ocorrerão hoje. Em Florianópolis, além de encontros com lideranças e respectivas comunidades sob o seu homofórion, Dom Iosif deverá cumprir agenda com as autoridades locais, civis e eclesiásticas.

“Fazer minha primeira visita pastoral a esta formosa e dinâmica cidade que tanto amamos é uma verdadeira alegria em todos os sentidos. Já virou uma belíssima tradição que o Metropolita venha comemorar o dia da padroeira da cidade e do estado, uma santa mártir muito antiga, comum à igreja cristã unida naquele tempo”, afirma dom Iosif.

Além disso, ele revela que “é uma grande bênção estar em contato com as relíquias da santa custodiada na capela ecumênica do Poder Judiciário e celebrar o seu dia com nossos fiéis, e depois na companhia do arcebispo católico local, como símbolo de que a vocação ecumênica não é uma utopia, nem uma ideologia estranha do cristianismo, mas a vontade mesma do Senhor: unidade na diversidade”.

O padre André Sperandio, reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau, comenta que Florianópolis foi uma das primeiras colônias gregas do Brasil, no ano de 1883. Ele conta que havia quatros anos não se celebrava o Dia de Santa Catarina de Alexandria, os dois primeiros devido à substituição do bispo, e os dois seguintes em função da pandemia. “As expectativas neste ano são grandes, principalmente pela presença de dom Iosif. Este será um festejo muito comemorado pelos fiéis e que reforçará o vínculo entre as igrejas católicas e ortodoxas”, afirma.