Por 30 anos Ernesto Meyer Filho foi funcionário do Banco do Brasil. O horário de entrada no cargo público era registrado às 8h e saída às 18h. Ao chegar em casa começava um novo turno, agora como artista. As noites eram de produção intensa de obras feitas com caneta esferográfica, grafite, nanquim e guache. Famoso pelos galos fantásticos, Meyer Filho completaria 100 anos nesta quarta-feira (4).
Meyer Filho, que morreu em 1991, completaria 100 anos nesta quarta-feira (4) – Foto: Pedro Alipio Nunes/DivulgaçãoNatural de Itajaí, o artista se mudou para Florianópolis aos 4 anos, ao lado do pai Ernesto Meyer e da mãe a escritora Rachel Liberato Meyer. Passou boa parte da vida morando na rua Altamiro Guimarães. Sua casa possuía um ateliê no segundo andar, mas era na mesa da sala de jantar onde ele gostava de criar acompanhado. “Parece que ele precisava de barulho para produzir”, lembra sua filha Sandra Meyer.
A sacada da residência também era um local especial. Nela funcionou o primeiro museu, mesmo que improvisado, das obras de Meyer Filho. Anos mais tarde, já famoso nos quatro cantos da Ilha, Meyer seria o primeiro artista catarinense a expor individualmente no Museu de Arte de Florianópolis, que hoje é o Masc (Museu de Arte de Santa Catarina). Fundado em 1949, o Museu recebeu outros trabalhos do artista em 2000, quando Meyer completaria 80 anos. “Muito além de Marte” teve comparecimento em peso. “Florianópolis não é uma cidade grande, ter aquele público presente mostrou como ele era querido e admirado”, comenta Sandra.
SeguirMeyer Filho, o arquivista
O primeiro trabalho de Meyer Filho, intitulado “Pesca da tainha”, retratava uma cena típica da cidade manezinha. O lance artesanal pode acompanhado no Campeche, Barra da Lagoa e Armação, mas o artista assistiu a chegada dos peixes nos Ingleses, Norte de Santa Catarina. Sua obra de estreia foi guardada por anos pela sua mãe Rachel, depois foi arquivada pelo próprio Meyer.
Com o reconhecimento e a intensa produção, passou a guardar também recortes de jornais, folders de exposições e demais papéis que continham referências ao seu trabalho. Sua extensa obra tinha como curador ele mesmo. O acervo recheado de galos coloridos foi encerrado com seu último trabalho de 1991, mesmo ano de sua morte.
Ano de aniversários dos artistas
Em maio Rodrigo de Haro completou 80 anos. Se estivesse viva Eli Heil faria 90 anos. Vera Sabino atingiu sete décadas de vida. Junto a Meyer Filho, eles são alguns do artistas florianopolitanos mais representativos. Em comum, trabalhos em que a arte ajudou a construir a imagem que hoje se tem da Capital.
Exposição de 1974, na Assembleia Legislativa reuniu 13 artistas de Florianópolis – Foto: Instituto Meyer Filho/Divulgação“A certeza de que a arte, assim como o amor e a mística, se realiza numa entrega total, sem pedir nada de volta, já gratificada na profunda alegria que o exercício da pintura e a manipulação nobre das coisas visíveis proporcionam, é sua maior lição”, afirmou Rodrigo de Haro em um folder de uma exposição de 1974 que reuniu 12 artistas.
Um centenário de celebrações
O centenário de Meyer Filho será comemorado com pelo menos duas atividades em Florianópolis. O Parque Linear do Itacorubi recebe um painel com um galo numa paisagem de fazenda. “A região, que hoje é muito urbanizada, era rural. Queríamos representar isso na obra”, comenta Sandra. Filha do artista, ela preside o Instituto Meyer Filho, dedicado a memória do artista e ao estímulo a novos artistas. Em etapa de finalização, a obra será entregue em dez dias.
Para o próximo ano está prevista uma grande exposição no Masc entre os meses de agosto e novembro. O trabalho de realismo extraordinário, feito ao longo de toda a sua carreira ganhará o espaço do museu novamente.
O projeto 100 anos de Meyer Filho – exposição no Masc, pode ser apoiado via Lei municipal de incentivo à cultura e lei federal de incentivo à cultura.
Mais informações em 99911 6534| 3334 0560| Institutomf@gmail.com