O abril da procissão de Passos já vai longe, mas as ruas ainda estão pulsantes de fé. Esse sentimento que preenche e regenera a alma humana, vivendo grave momento de desamparo num Brasil refém de um estranho arbítrio institucional.
Precisamos voltar ao outeiro do Senhor dos Passos para reaver nossa até aqui inabalável fé democrática. Nessa visita carregaremos uma pedra, das pesadas, como vimos pagadores de promessa fazendo, nos anos de nossa infância.
Procissão – Foto: Leo Munhoz/NDffFaremos mais: subiremos a ladeira e rezaremos na capela do Menino Deus, ali onde mora a impressionante imagem do Senhor, há 258 anos. Vamos nos ajoelhar e persignar, dizendo uma prece sussurrada, o “Pai Nosso”. Daremos, então, a volta pela escada, espécie de pequeno Gólgota que expõe os pés desnudos da imagem.
SeguirPés que os fiéis beijam, fazendo pedidos.Naquele recanto sagrado deixaremos nossos apelos de socorro por esse nosso desvalido Brasil. Que o Senhor dedique um período razoável do seu expediente para salvar o país dessa espécie de “dengue” institucional, que está enfraquecendo o seu coração e o levará à morte, esvaindo-se em sangrias.
Pediremos ao Senhor dos Passos que estenda a todos os brasileiros a bela fé que Lhe dedicam todos os ilhéus da velha Desterro – os que carregam os oratórios e as pedras brutas nas costas, como essas que estamos levando.Salve o Brasil, Senhor, dos poderes inchados e das pedras contra a Constituição, das vontades infladas e não representativas, posto que não ungidas pelo voto.
Pediremos à Santa Clara, nosso Senhor dos Passos, para “clarear” os horizontes da pátria humilhada. E para regenerar os pecadores do erário nesses mais de 5.570 municípios espalhados pela Terra da Santa Cruz.Contornaremos a escadinha, voltaremos a “olhar nos olhos” de Dos Passos, oferecendo nossa ajuda de pecadores para que Ele continue a carregar o pesado lenho.
Rogaremos para o entendimento geral entre povo e parlamentares, magistrados e distribuidores de justiça. Dizem que o olhar de Dos Passos assustava porque “era vivo”. Os olhos se mexiam, piscavam. Imãs incrustados pelo lado de dentro das pálpebras da imagem, funcionavam como “elemento perturbador”.
As pessoas passaram a ter medo da imagem. Diz o folclore que a Irmandade se viu obrigada a se desfazer daquele recurso. Pois gostaríamos que os olhos “vivos” de Dos Passos fulminassem os usurpadores de poder, especialmente aqueles que pretendem inaugurar a “democracia sem povo”.Vamos orar lá no alto desse Calvário, para salvar esse rapaz de 522 anos.