“Quando volta a Estrelinha?”: pelos cantos do bairro São Pedro – ou Pontal, como chamam os nativos -, é a pergunta que mais se ouve. As crianças, os adultos, quem participou do Carnaval de Navegantes, Litoral Norte de Santa Catarina, nos anos 1980, ou quem nunca pulou ao som do samba na avenida. Todos querem saber quando a Estrela do Mar volta a desfilar.
Bairro Pontal (São Pedro) se junta para os preparativos do Carnaval – Foto: Kassia Salles/NDA pergunta já tem resposta e o retorno, data marcada e local certo: 19 de fevereiro, na avenida prefeito Cirino Adolfo Cabral, a Estrela do Mar desfila com cerca de 250 pessoas, entre crianças, adultos, bateria e porta-bandeira, carros alegóricos e, acima de tudo, a alegria de voltar.
São oito anos sem festa. Desde 2015, Navegantes não tem desfile de escolas de samba. Nesse período, a Estrelinha do Mar aperfeiçoou a bateria, por meio de oficinas de música, parcerias com escolas do Rio de Janeiro e muita expectativa. “Não foi nada fácil”, conta o presidente da escola, Caueh Rebelo.
Depois disso, com a pandemia, tudo parou e, no final de 2022, veio o chamado para colocar os carros na avenida. “Foi meio em cima da hora, estamos correndo para fazer tudo, mas o Carnaval vai acontecer, dia 19 estaremos lá”, garante Caueh.
E no azul dos teus mistérios também quero morar
O enredo deste ano gira em torno da água, adequado para marcar o retorno da festa em uma cidade rodeada por ela – de um lado, o rio Itajaí-Açu, e do outro, o Oceano Atlântico -, no mês de Nossa Senhora dos Navegantes (padroeira da cidade), de Iemanjá, rainha dos mares, e do bloco de um bairro marcado pela pesca.
Maria Izabel ajuda a coordenar tudo que é preciso para colocar o bloco na avenida – Foto: Kassia Salles/NDO Pontal foi o início de Navegantes, um dos bairros mais antigos e tradicionais da cidade, cuja pesca tem papel essencial na movimentação da economia. Com isso, não é difícil imaginar a relação de quem mora ali com a água, e o quão natural é falar dela, além de significativo para o retorno do Carnaval.
“Vamos falar do que a água nos dá, do significado dela, e também da poluição, questões importantes”, explica Caueh. O enredo, este ano, chama “E no azul dos teus mistérios também quero morar”.
As fantasias e o tema deste ano são assinados pelo carnavalesco Jorge Júnior. Serão 11 alas na avenida. O mestre de bateria é o carioca Guilherme Dias, que já foi ritmista da Unidos do Viradouro, e há 15 anos foi mestre de bateria da Estrela do Mar e, agora, está de volta.
Thuany Mahomed será a Rainha de Bateria este ano. A primeira porta-bandeira será Gabriella Mafra, ao lado do primeiro mestre sala, John Rei.
Para colocar o bloco na rua, ensaiar é essencial. Este ano, os ensaios acontecem no molhe de Navegantes, um espaço aberto para receber a bateria e as alas, e aperfeiçoar cada detalhe da festa.
Estrelinha das crianças
A Estrelinha, como era conhecida, recebeu esse nome porque começou como um bloco infantil de Carnaval. Fundado em dezembro de 1982, estreou no desfile na folia de 1983, e foi campeão. Maria Izabel Emilio, mãe de Caueh e membro essencial da Estrelinha, lembra do início do bloco, incentivada pelo irmão, Calinho.
A Estrelinha começou como bloco de crianças e, este ano, elas terão uma ala só delas – Foto: Kassia Salles/ND“Os instrumentos eram de madeira, feitos à mão, as famílias se envolviam, toda a comunidade se juntava na frente do bar do Seu Leca para ensaiar”, relembra.
As crianças continuam sendo parte integrante do bloco e terão uma ala só delas no desfile de 2023. As fantasias ainda estão em confecção, pelas mãos das costureiras do bairro Pontal.
Tema do enredo deste ano é água – Foto: Kassia Salles/ND