Temores e exageros

Não se analisam os entraves de soluções imprescindíveis a uma cidade, cuja grande maioria da população vive numa ilha de 480 km²

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As divergências em torno do inacabável Plano Diretor de Floripa são mais de interesses pessoais e de grupos do que de atritos ideológicos.

As acusações de negativismo, direcionadas a supostos esquerdistas, que estariam entravando a discussão, cegam os que não querem ver os problemas e ameaças ambientais, que podem resultar de um plano de favorecimento.

Vista aérea da região continental de Florianópolis – Foto: RICARDO WOLFFENBUTTEL/NDVista aérea da região continental de Florianópolis – Foto: RICARDO WOLFFENBUTTEL/ND

Não se analisam os entraves de soluções imprescindíveis a uma cidade, cuja grande maioria da população vive numa ilha de 480 km². Na Lagoa da Conceição, por exemplo, peixes, siris e camarões continuam morrendo, e só nesta próxima segunda-feira é que sai um laudo sobre as causas da mortandade.

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Rios, como o do Brás, lagos e lagoas estão cada vez mais poluídos, além do aumento da contaminação das águas de praias gordas e magras. Mas, entre indicativos de solução apresentados por acusadores obtusos, está o da liberação de mais andares para edifícios na ilha, como se a verticalização fosse minimizar os problemas ambientais numa cidade ainda carente de redes de esgoto.

A propósito, as redes pluviais recebem pesadas cargas de esgoto doméstico, despejadas in natura no mar, rios, lagos e lagoas. A ampliação da rede de esgoto de Ingleses-Santinho, por exemplo, deveria ser concluída em 2020, e tudo leva a crer que só terminará em 2023,já que a construtora pediu aumento do valor do contrato, que começou com pouco mais de R$ 84 milhões e que deve ultrapassar os R$ 100 milhões.

Os conflitos de interesse, o corporativismo, a desintegração entre o crescimento econômico e o desenvolvimento social, a omissão de parte substantiva dos vereadores e o jogo político-partidário destroem uma cidade que ainda tem potencial para ser a melhor referência turística da América do Sul.

Enquanto isso, na Cachoeira do Bom Jesus…

– Lelo, eles querem deixar construir prédios de 16 andares no Norte da Ilha.

– O quê? Tão maluco. Aí mesmo que os peixes vão embora pro oceano.

– Venanço, ali na Cachoeira tem uma casa que ligou esgoto na rede pluvial. Nós já nos movimentamos. Até o Raimundo, que foi intendente aqui; aliás, o melhor deles, já botou a mão na massa

– Ah, sim, o Raimundo é um ixtepô sério

– Lelo, se os políticos, inclusive os de meia tigela, ouvissem a gente, nós íamos dar boas ideias. O problema é que aqui quem manda é só quem tem a caneta especial. Aí nós nos ferramos.

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