Três décadas de um legado cultural de cerâmica na Escola de Oleiros de São José

Escola de Oleiros de São José celebra 30 anos este mês com programação para a comunidade

Soraya Falqueiro - Especial para o ND Florianópolis

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A Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, localizada na Ponta de Baixo, em São José, comemora 30 anos de fundação. Para celebrar as três décadas de trajetória, a escola promoverá uma festividade no dia 30 de novembro, data exata da inauguração em 1992, a partir das 19h30. Na solenidade, os 159 alunos atualmente matriculados nos cursos de modelagem figurativa, modelagem diversas e curso da tradicional roda de oleiros receberão o certificado e, como participantes da memória do patrimônio, 30 personalidades referência serão homenageadas.

Peças de cerâmica retratam a cultura açoriana – Foto: Divulgação/PMSJ/NDPeças de cerâmica retratam a cultura açoriana – Foto: Divulgação/PMSJ/ND

Este ano, como novidade, a escola de oleiros entra no cronograma natalino da prefeitura, e o tradicional presépio que fica instalado no coreto da Igreja Matriz de São José será montado em frente à escola. Também haverá exposição retratando a história da instituição, com fotografias dispostas em um varal decorativo, e apresentação de músicas natalinas com a presença de coral e bandas locais.

São José mantém a tradição da louça de barro desde 1750, quando começou a receber a chegada de imigrantes açorianos. Desde então, sua cultura e suas tradições foram passando por transformações ao longo do tempo, mas hoje ela é uma boa referência na cidade em toda a Grande Florianópolis. Segundo a diretora da escola de olaria, Heloisa Souza, que atua na gestão desde 2015, conforme a tradição foi se estabelecendo, a produção e a atuação da escola foi se tornando ainda mais reconhecida e procurada, tanto por alunos josefenses quanto de outras localidades.

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Tradição é mantida no município da Grande Florianópolis – Foto: Divulgação/PMSJ/NDTradição é mantida no município da Grande Florianópolis – Foto: Divulgação/PMSJ/ND

A instituição de São José oferece cursos gratuitos para alunos a partir de 9 anos, sem limite de idade, e fornece material para as aulas. Para participar, as inscrições geralmente são feitas na segunda semana de fevereiro, na própria sede da escola. Nos cursos, os alunos aprendem a fazer panelas, vasos, canecas e figuras do folclore como boi de mamão, bernunça e maricota. No local também é ensinada a técnica indígena do acordelado.

Conhecimento assegurado e até exportado para os Açores

O artista, oleiro e professor Lourival Medeiros foi aluno e, mais tarde, chegou também a atuar como diretor da escola. Segundo ele, nem nos Açores este patrimônio parece estar tão bem protegido quanto acontece nas terras josefenses.

“Quando estive na Ilha Terceira, nos Açores, só havia uma olaria tradicional funcionando. E quando fui à ilha de São Miguel, na região de Vila Franca do Campo, visitei uma olaria museu onde, em vez de assistir, acabei por ministrar algumas aulas”, conta.

Hoje Lourival tem um ateliê de olaria próprio e ministra cursos de roda de oleiros em São José, Florianópolis e Imbituba. “A escola foi muito importante para minha formação, tanto como estudante quanto na minha experiência atuando na direção, sobre questão curricular e tantos outros assuntos importantes. A escola contribui para a comunidade e para manter assegurado o patrimônio histórico e cultural”, comenta o oleiro.

Escola de Oleiros, na Ponta de Baixo, em São José – Foto: Marcela Ximenes/NDEscola de Oleiros, na Ponta de Baixo, em São José – Foto: Marcela Ximenes/ND

Tradição mantida viva

Nos séculos 19 e 20, a cidade de São José foi um polo produtor e exportador de louças de barro. Nesse período, muitas famílias viveram do sustento da produção de louças e a região da Ponta de Baixo foi a que mais concentrou olarias na época. Com o declínio do uso desse estilo de louça, um dos mestres oleiros que manteve a prática viva foi Joaquim Antônio de Medeiros, personalidade que empresta seu nome à escola.

Em 1918, ele se tornou proprietário de uma olaria na Ponta de Baixo. Em 1934, construiu um novo estabelecimento, uma casinha de estilo arquitetônico luso-brasileiro colonial, com vãos simétricos, formando fachada principal, janelas e portas que seguem a mesma estrutura padronizada. Em 1992, a Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros assumiu a casa e até hoje mantém o legado cultural da produção de cerâmica.

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