Valda Costa entra para a galeria dos murais do Centro

Novo mural já está em produção na empena lateral do Oscar Hotel, no Centro de Florianópolis, e homenageia a artista plástica Valda Costa (1951-1993)

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Fachada lateral do Oscar Hotel, no Centro de Florianópolis, recebe um novo mural retratando a artista plástica Valda Costa – Foto: PHOTO-2023-11-04-16-10-40Fachada lateral do Oscar Hotel, no Centro de Florianópolis, recebe um novo mural retratando a artista plástica Valda Costa – Foto: PHOTO-2023-11-04-16-10-40

A artista plástica Valda Costa (1951-1993) é a nova personalidade mulher e negra a integrar a “galeria” de grandes murais no Centro de Florianópolis. Trata-se da primeira intervenção do festival Street Art Tour deste ano.

O trabalho está a cargo do pintor e muralista carioca Cazé, um dos convidados da edição deste ano.

O novo mural ocupará a empena lateral do Hotel Oscar, tradicional edifício situado na Avenida Hercílio Luz com a Rua Anita Garibalde.

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Desde a sexta-feira o painel começou a ganhar contornos e alguma cores e deverá ser concluído até o dia 19 deste mês no encerramento do Street Art Tour.

Ainda estão previstos pelo menos outros novos murais também na região central durante o festival.

Valda a musa de Martinho de Haro (1907-1985)

Vivalda Costa nasceu em 1951 na comunidade da Coloninha e ainda na infância foi morar com a família no Morro do Mocotó.

Atuou como auxiliar de enfermagem no Hospital de Caridade até ser descoberta pelo artista Martinho de Haro, que foi o seu tutor e a quem considerava sua “musa”.

A foto traz a artista plástica Valda Costa, uma mulher negra, jovem e com sorriso intensoArtista plástica Valda Costa (1951-1993) será o tema de um novo mural que será pintado na fachada do Hotel Oscar, no Centro de Florianópolis, como parte do festival Street Art Tour 2023 – Foto: DIVULGAÇÃO

Foi na década de 1970 que “nasceu” a artista Valda. Ao mesmo tempo em que retratava com muita verve a realidade do morro e urbana, circulava nas altas rodas da sociedade florianopolitana.

Também foi acolhida pelo galerista e jornalista Beto Stodieck e tantos outros artistas contemporâneos, como também pelos expoentes do modernismo catarinense – Silvio Pléticos, Meyer Filho e, claro, Martinho de Haro.

Aclamada localmente como a “nova Djanira” ou a “nossa Di Cavalcanti”, Valda protagonizou uma vida de intensas batalhas. Moradora do morro, ela também viveu intensamente a boemia, sucumbiu a amores bandidos, se entregou ao álcool e às drogas.

Obra da pintora catarinense Valda Costa, chamada de Portinari de Santa Catarina – Foto: Reprodução / Obra de Valda CostaObra da pintora catarinense Valda Costa, chamada de Portinari de Santa Catarina – Foto: Reprodução / Obra de Valda Costa

Mesmo celebrada no circuito das artes visuais e na alta sociedade florianopolitana, Valda Costa foi sucumbindo emocionalmente, mentalmente e fisicamente.

Sofria com os vícios e com as dificuldades financeiras para criar os filhos. A depressão e a dependência resultaram em recorrentes internações até que veio a falecer aos 42 anos.

Valda é uma estrela de grande autenticidade, que viveu e lutou em um meio carregado de contradições por sua condição de jovem negra e de origem humilde.

Mas foi brilhante em retratar essa realidade e se impor como artista e mulher dona do seu destino.

E nada mais justo do que esse grande mural à altura de uma grande estrela que se junta a outros personalidades negras da nossa história na galeria de grandes murais, como Antonieta de Barros e o poeta Cruz e Sousa.

Assista abaixo ao documentário sobre Valda Costa.

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