O vitral da sala de jantar do Museu Histórico de Santa Catarina, localizado no Palácio Cruz e Sousa, no Centro de Florianópolis, passa por um processo de restauração desde a última sexta-feira (4). O projeto de restauração representa um marco importante para a preservação da história e da cultura do Estado.
Vitral passa por restauração no Palácio Cruz e Sousa – Foto: LEO MUNHOZ/NDConforme a administradora do museu, Marli Scomazzon, 67, é a primeira vez que o vitral passa por processo semelhante desde a sua instalação, feita na década de 1920, pela Casa Conrado – primeiro ateliê de vitrais do Brasil. “A restauração é a realização de um sonho de vários administradores”, destaca Marli.
O vitral é uma peça única, segundo a restauradora do Museu Histórico de Santa Catarina, Márcia Escorteganha, 56. Ele está localizado no segundo andar do prédio, na parte doméstica, onde os antigos governadores do Estado moravam.
SeguirSegundo Márcia, o andar de cima foi fechado para visitação em 2019, quando o projeto para a restauração foi liberado e os trabalhos iriam começar.
“O laudo desse vitral é de 2018, mas somente em 2019 conseguimos realizar o projeto. Chamamos a restauradora Mariana. Ela é uma das únicas especialistas de vitrais do Brasil, de alta qualidade. Ela fez o laudo, e também teve um workshop. Por conta da pandemia, precisamos parar”, relembra.
Restauração do vitral no Palácio Cruz e Sousa ficará pronta até o fim de 2023 – Foto: LEO MUNHOZ/NDSomente agora, em agosto de 2023, o museu conseguiu dar continuidade ao tão aguardado processo com a conservadora e restauradora Mariana Wertheimer, 56. A especialista de Porto Alegre (RS) é reconhecida por sua expertise em Conservação e Restauro de Vitrais, tendo realizado intervenções em painéis medievais do Mosteiro de Santa Maria da Vitória e em painéis modernistas do Instituto Nacional de Estatística, ambos em Portugal.
“Para mim é um grande prazer estar aqui, uma honra. Foi um processo longo, iniciado em 2019, e sempre fui muito bem recebida. Me sinto muito acolhida pelo museu e pelos catarinenses”, relata Mariana.
Por meio de um processo minucioso e complexo, Mariana explica que o trabalho que está sendo feito neste vitral, ela só realizou somente uma vez em outro local.
“O painel tem alguns cuidados sérios, mas ele é muito conservado e bem cuidado. Para a restauração, vou também entrar em contato com a neta dos responsáveis da Casa Conrado, que como ateliê não existe mais, mas ela estuda vitrais e pode ser que tenha algum tipo de arquivo, quem sabe até o projeto. Então talvez a gente consiga algumas informações bem importantes”, revela.
Reinauguração do segundo andar do Museu Histórico
Previsto para terminar em dezembro, a restauração do vitral é um dos processos finais para a liberação do andar, que deve ocorrer também no fim de ano. Márcia, responsável pela restauração de pinturas murais, conta que após a entrega dos vitrais, o Museu vai realizar uma reinauguração com uma grande exposição.
Vitral foi instalado em 1920 no Palácio Cruz e Sousa – Foto: LEO MUNHOZ/ND“Além dos vitrais, tem vários projetos em andamento. Vai ter a instalação de um elevador de acessibilidade, ventiladores, climatização com controle de temperatura e umidade. As áreas de acesso já estão prontas, as pinturas murais também estão praticamente prontas, então, finalizando os vitrais, reabriremos o segundo andar”, destaca.
Últimos moradores
As ações de restauração e reforma do Museu foram viabilizadas por meio de uma emenda de 2020 apresentada pela então deputada federal Angela Amin (PP). De acordo com Marli, a deputada visitou o prédio em 2018 e, após uma conversa sobre as necessidades do prédio, a propôs a emenda no valor de R$ 250.271,00.
“O Esperidião Amin foi o último a morar nesse prédio, quando foi governador de 1983 até 1986. Em dezembro de 1986, ele sancionou a lei que transferia o Museu para o Palácio Cruz e Sousa. Então, por isso, eles têm amor por isso aqui”, destaca a administradora.