Morando na Dinamarca desde abril de 2021, Luis Fernando Rego, bailarino formado pela Escola do Teatro Bolshoi do Brasil, que, inclusive, completa 22 anos nesta terça-feira, dia 15, conta como tem sido a experiência no país escandinavo.
Luis Fernando Rego: do Complexo do Alemão para Dinamarca. – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação ND“Apesar das diferenças econômicas e cultuais, não sofri porque o povo de lá é muito amigável. Só precisa se adaptar à doutrina deles, mas eu me adaptei bem, o país é muito desenvolvido.”
Os principais desafios no início foram abrir uma conta bancária e o pouco tempo de sol no inverno (o sol demora pra nascer e se põe muito rápido (08:30 até 14:00 ).
Seguir“Como para mim o sol representa alegria e, às vezes, meu trabalho depende do sol, foi um pouco difícil no início”, comenta o bailarino.
Já entre as conquistas, Luis Fernando cita o inglês, cursos técnicos que está fazendo, a participação em outras companhias de dança e o convívio com “coreógrafos maravilhosos”, como define.
Mas uma das maiores conquistas foi a estabilidade pessoal, confessa.
Superação, esforço, talento e inspiração. Luis em uma coreografia. – Foto: Divulgação Escola Bolshoi/ND“Estou muito feliz por estar trabalhando lá, morando na Dinamarca, país que valoriza a arte, um país organizado, de muitas qualidades e poucas desigualdades, o mais importante para o bem-estar do ser humano. Minha companhia (Companhia Tivoli Ballet Theatre) é maravilhosa, as pessoas são incríveis e só tenho a agradecer por estar lá”, sublinha o profissional, que está em Joinville visitando a escola e amigos. Volta para Dinamarca nesta quarta-feira, dia 16.
A história da estrela Luis
Luis Fernando Rego, 21 anos, é o quinto filho de oito da dona Tânia Cristina. Era morador do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e conheceu a dança quando precisou levar a irmã para as aulas de balé e, como numa dessas surpresas do destino, se apaixonou pela arte do movimento.
Ingressou no projeto social ViDançar, que forma bailarinos no conjunto de favelas da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. E a estrela de Luis logo brilhou, chamando a atenção de uma professora que o incentivou a participar da seleção da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, única sede da escola fora da Rússia.
Ele, na verdade, sempre sonhou com os palcos do mundo. Desde que ingressou na Escola Bolshoi, em 2017, se dedicou e driblou as dificuldades para alcançar este sonho, de se formar como bailarino.
Na maior cidade de Santa Catarina, ele foi aprovado para fazer parte do projeto, com direito à bolsa integral. Apesar disso, as despesas com moradia e alimentação seriam pesadas para o adolescente. Foi aí que surgiu a ajuda de outra família vinda do Complexo do Alemão que também estava em Joinville por causa da dança. Os pais da bailarina Camila Braga o acolheram durante todo o período na escola.
Em 2019, Luis se formou e acabou contratado pela Cia. Jovem Bolshoi Brasil, mais uma prova do talento do bailarino carioca. E em meio à pandemia, com vontade de alçar voos ainda mais altos, ele foi selecionado pela Companhia Tivoli Ballet Theatre, da Dinamarca.
“Com certeza a Escola Bolshoi me abriu muitas portas. Eu sempre sofri preconceito, por ser negro, homem que dança balé, mas isso nunca me desestimulou, pelo contrário, eu sempre tive apoio de todos ao meu redor, e reconhecimento dos profissionais com quem trabalho”, finaliza Luis.