Reencontro e qualidade marcam Festival de Dança de Joinville: ‘o mais alegre que já tivemos’

Após um ano sem edição e outra marcado pelo formato híbrido, a 39ª edição reaproximou público e bailarinos em 12 dias de evento

Juliane Guerreiro Joinville

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Durante os 12 dias de Festival de Dança de Joinville, a cidade do Norte de Santa Catarina viveu intensamente a arte que lhe rendeu o título de Capital Nacional da Dança.

Qualidade e reencontro marcaram a 39ª edição do Festival de Dança de Joinville – Foto: Maykon Lammerhirt/DivulgaçãoQualidade e reencontro marcaram a 39ª edição do Festival de Dança de Joinville – Foto: Maykon Lammerhirt/Divulgação

Foi um evento marcado pelo reencontro. Após 2020 sem festival e 2021 em uma edição híbrida, com restrição de capacidade de público, este ano permitiu a volta dos abraços e do contato mais próximo entre bailarinos e público, além de uma aproximação maior entre os próprios artistas.

Para Ely Diniz, presidente do Instituto Festival de Dança, o resultado foi uma das edições mais alegres do evento. “Esse foi, talvez, o festival mais alegre que já tivemos. As pessoas se falavam, se abraçavam, reviam os amigos depois de três anos. Foi muito bom”, destaca.

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E bom não só pelo clima festivo, mas também pela qualidade levada aos palcos. Diante do recorde de coreografias inscritas, a nota de corte acabou ficando mais alta. “90% das notas foram acima de 9, até mesmo de grupos que às vezes ficaram em quarto lugar”, comenta.

Qualidade dos trabalhos impressionou os jurados e o público – Foto: Maykon Lammerhirt/DivulgaçãoQualidade dos trabalhos impressionou os jurados e o público – Foto: Maykon Lammerhirt/Divulgação

Evento para colocar as contas em dia

A 39ª edição do Festival de Dança de Joinville foi também uma chance de colocar as contas em dia, ou quase. Segundo Ely, novos patrocinadores chegaram e a bilheteria também aumentou.

Apesar disso, pendências das edições anteriores ainda impactaram o caixa. “Esse ano ainda estamos devolvendo o crédito de cursos comprados em 2020. Além disso, na Feira da Sapatilha, quase 50% dos estandes tiveram crédito abatido de 2020 e 2021”, explica.

Assim, ele destaca que o ano foi de cuidado com o orçamento. “O importante é que termine no azul e com alguma condição para o ano que vem”, avalia Ely.

Retomada de atrações e novidades na programação

Neste ano, o Festival de Dança de Joinville retomou duas atrações já bem conhecidas pelo público: o antigo Encontro das Ruas, dedicado à cultura hip-hop, e a Noite de Gala, marcada por grandes espetáculos.

Espetáculo “ST Tragédias” emocionou o público na Noite de Gala – Foto: Nilson Bastian/DivulgaçãoEspetáculo “ST Tragédias” emocionou o público na Noite de Gala – Foto: Nilson Bastian/Divulgação

“O Reencontro das Ruas foi uma solicitação das danças urbanas e nós reabrimos esse espaço. Foi muito bom e pode ser melhorado para ficar vibrante como antes”, diz Ely.

Já sobre a Noite de Gala, a retomada foi possível com o “alívio financeiro”. “Há uns quatro anos, como estávamos com orçamento um pouco apertado, resolvemos parar com a noite e voltamos esse ano. Ela veio para ficar, não sai mais do nosso calendário”, comenta.

E além da retomada de eventos já consagrados, a 39ª edição também trouxe novidades, como o Festival 40+, dedicado aos bailarinos adultos. “Foi o melhor de tudo, a gente se pergunta por que não fez isso antes”, destaca Ely.

As mudanças e o desafio de se reinventar

Outras mudanças também fizeram parte desta edição, como o fim da Curadoria Artística, que era formada por três profissionais da dança e foi substituída por consultores artísticos em áreas diversas.

“O trabalho da curadoria foi extremamente importante, mas, de repente, não estava acrescentando e entendemos que queremos trabalhar com consultores, que dão a opinião e a gente aceita ou não”, explica Ely.

Foram oito noites de Mostra Competitiva no palco do Centreventos – Foto: Maykon Lammerhirt/DivulgaçãoForam oito noites de Mostra Competitiva no palco do Centreventos – Foto: Maykon Lammerhirt/Divulgação

Já no palco, companhias conhecidas e vitoriosas, como a Escola de Ballet Adriana Assaf, não se apresentaram. Por outro lado, grupos de diversos locais estrearam, alguns com vitória.

“Nós já tivemos vários grupos que eram preponderantes em determinados períodos e, por motivo ou outro, acabam não vindo mais. Mas a fila anda, a fila é longa, o que é muito legal porque contribui para a qualidade. Gostaríamos de ter os dois, os tradicionais e os novos oxigenando o festival”, destaca Ely.

E para atrair grupos e também o público, trazer novidades é não só fundamental, mas um desafio. “É fundamental pra que o evento não morra”, fala. A próxima edição, aliás, vai marcar os 40 anos do festival e já tem data marcada: 18 a 29 de julho de 2023.