‘Rock in Rio da Dança’: os desafios em realizar o maior Festival de Dança do mundo

19/07/2023 às 04h40

Marcelo Misailidis e Ely Diniz contam os bastidores do Festival de Dança de Joinville

Foto de Lincoln Pradal

Lincoln Pradal Joinville

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O Festival de Dança de Joinville já começou, e para organizar o maior evento do gênero do mundo, é preciso muita organização, trabalho duro e saber lidar com o imprevisível. Para Marcelo Misailidis, coreógrafo e consultor artístico do evento, o festival que ocorre no Norte de Santa Catarina é o “Rock in Rio da Dança”.

Misailidis é consultor artístico do Festival de Dança de JoinvilleMarcelo Misailidis é consultor artístico do Festival de Dança de Joinville – Foto: Divulgação/ND

Misailidis conhece bem os corredores do festival. Ele já frequenta o evento desde a 4ª edição seja como bailarino, coreógrafo, jurado, curador e, agora, consultor artístico. Segundo ele, é impossível prever as situações que poderão aparecer ao longo do evento.

Marcelo Misailidis e Ana Botafogo comemoram três décadas de parceria artística na Noite de Gala – Foto: Divulgação/NDMarcelo Misailidis e Ana Botafogo comemoram três décadas de parceria artística na Noite de Gala – Foto: Divulgação/ND

Uma destas situações ocorreu quando uma apresentação “absolutamente vitoriosa”, nas palavras de Misailidis, foi desclassificada, pois o grupo não interpretou corretamente o cronômetro e estourou o tempo de espetáculo.

“Muito embora você adquira experiência a cada edição, isso não significa que não irão surgir situações novas. Você precisa estar sempre atento ao imprevisível”, explica o coreógrafo.

Além do número elevado de participantes, há um contingente de centenas de profissionais atuando em diferentes áreas do Festival, o que torna o desafio de se organizar um evento deste porte ainda maior.

“Nas primeiras edições, não havia o gigantismo que há hoje. A coisa está muito profissionalizada hoje em dia, há um nível de precisão da organização muito maior. Esse festival é praticamente o ‘Rock in Rio da Dança’”

Festival de Dança esteve em risco

A frente do Instituto Festival de Dança desde 2007, Ely Diniz viveu diversos momentos marcantes e desafiadores na organização do evento. Nenhum destes, porém, superou o período de pandemia, segundo ele.

Ely Diniz, presidente do Instituto Festival de Dança de Joinville, discursa na abertura do evento – Foto: Festival de Dança de Joinville/Divulgação/NDEly Diniz, presidente do Instituto Festival de Dança de Joinville, discursa na abertura do evento – Foto: Festival de Dança de Joinville/Divulgação/ND

“Nada marcou mais do que 2020 e 2021. Nós estávamos com o Festival pronto em abril de 2020 e tivemos que desmontá-lo. Em 2021, realizamos o evento no meio da pandemia e dependíamos das decisões da área da Saúde para organizá-lo”, explica.

Mas não foi apenas o cumprimento das normas sanitárias que desafiou a organização do Festival durante a pandemia. A perda de patrocínios impôs uma nova realidade financeira ao evento. “Em 2021, houve momentos em que questionamos, entre nós e o Conselho, se o Festival continuaria”, comenta.

De acordo com Ely Diniz, a queda de arrecadação chegou a 50%. “Foi uma queda abrupta, um problema seríssimo”. Problema este que deverá estar nas páginas de um livro que contará os desafios e dificuldades enfrentados pelo Instituto Festival de Dança de Joinville. A publicação da obra está prevista para o segundo semestre deste ano.

Não foi a primeira vez, porém, que dificuldades financeiras atrapalharam organização do evento. Nos anos 90, quando houve o congelamento de poupanças por parte do governo federal, o Festival de Dança passou por um momento bastante difícil, de acordo com Diniz. “Eu não estava aqui, mas há relatos de que foi um ano terrível”, conta.

O que vem pela frente?

O trabalho não para. Após o fim de cada edição, a organização avalia todos os pontos que precisam ser ajustados e o próximo Festival começa a ser estruturado. De acordo com Ely Diniz, o plano é continuar crescendo em termos de qualidade técnica.

“Crescer é uma coisa que me preocupa. Este ano já batemos todos os recordes de participantes, batemos os 13 mil. A estrutura da cidade está praticamente no limite”, explica.

Com isso, o investimento para as próximas edições deve ser para elevar o refinamento artístico e o nível competitivo do Festival de Dança. “A gente alcançou um nível alto, as noites são extremamente disputadas, e com isso a qualidade vai subindo ano a ano”, pontua Diniz.

“Queremos efetivamente participar mais, deixar um legado maior para a cidade. Contribuir com a dança e a cultura de Joinville”

Ainda há ingressos disponíveis para as noites competitivas do Festival, e o público também pode acompanhar as apresentações realizadas nos palcos abertos, distribuídos em diferentes pontos da cidade. Além disso, todas as novidades podem ser acompanhadas na programação da NDTV Joinville e no Portal ND+.

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