Quem é a mulher por trás dos ‘supertalls’, os arranha-céus mais altos do mundo

Por trás do arranha-céu mais alto da América Latina, que fica em Balneário Camboriú, está a engenheira Stéphane Domeneghini

Foto de Grazielle Guimarães e Luiz Lerner

Grazielle Guimarães e Luiz Lerner Itajaí

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“Tenho que provar o dobro do que um engenheiro precisa, mas isso me faz mais forte”, a frase de coragem é da engenheira Stéphane Domeneghini, responsável por alguns dos mais altos arranha-céus da América Latina, entre eles o que está no topo do ranking dos residenciais mais altos do continente, que fica em Balneário Camboriú, Litoral Norte de Santa Catarina.

Atuando no ramo há mais de 13 anos, a profissional conversou com a equipe de reportagem da Diversa+ sobre os desafios que as mulheres enfrentam na construção civil no Brasil, um setor ainda de maioria masculina.

Em Balneário Camboriú está o arranha-céu mais alto da américa latinaStéphane Domonoghini é a engenheira por trás dos supertalls os arranha-céus mais altos do mundo – Foto: Reprodução/ND

Stéphane destaca que sempre precisa estar um passo à frente e se sair muito melhor do que outros homens do setor para receber os mesmos reconhecimentos. Contudo, de certa forma, isso pode ser visto de maneira positiva.

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“As cobranças internas e externas me forçam a melhorar a cada dia e atingir um nível superior de trabalho e eficiência”, explica a gerente de engenharia aplicada e gerente de supertalls -edifícios com altura superior a 300 metros- da FG Empreendimentos.

arranha-céu mais alto da América Latina foi desenvolvido por uma engenheira Imponente, o One Tower é o residencial mais alto da América Latina e fica em Balneário Camboriú – Foto: FG Empreendimentos/Reprodução

Além da pressão externa, o que impulsiona a engenheira a ter um melhor desempenho é a pressão interna, com ela mesma, na busca por superar os próprios limites da técnica e de fato ter conhecimento sobre a área, de olho nas inovações do mercado e novas tecnologias.

Domeneghini lembra que as mulheres trazem resultados impressionantes para o setor, já que possuem técnicas naturais muito úteis, como o perfeccionismo. Utilizando isso a favor, o público feminino tem aumentado dentro da construção civil.

Na FG, por exemplo, cerca de metade dos funcionários são mulheres. Contudo, a nível nacional a realidade não é a mesma. Em 2021 as mulheres representavam 19% dos registros ativos nos conselhos regionais brasileiros de acordo com dados do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia).

Na época, 183,6 mil mulheres atuavam no setor, enquanto os homens eram mais de 793,7 mil. “Eu não tenho dúvidas de que um dia o mercado nacional vai chegar ao nível da FG e espero levar a mensagem de que isso é possível”, reforça a engenheira. “Quero fazer parte da história e inspirar as pessoas”,

Da engenharia surgiu do desejo de marcar a humanidade

Stéphane Domeneghini escolheu ser engenheira civil porque desde pequena tem o desejo de participar de construções importantes para a humanidade, que além das características físicas, também impressionam e inspiram as pessoas.

Atualmente, o maior desafio dela é gerenciar o projeto de um prédio de 500 metros de altura, classificado entre os 10 mais altos do mundo. E quanto maior a altura, maior é a necessidade de técnicas e trabalho efetivo.

Olhar atento aos arranha-céus de todo o mundo

Buscando tornar esses empreendimentos realidade, recentemente uma equipe da FG, incluindo Stéphane, foi a Nova York para visitar os maiores e mais belos prédios do mundo.

O objetivo agora é “importar” os diferenciais dos Estados Unidos para o Brasil. Dentre as prioridades estão técnicas mais eficazes de conforto estrutural, prevenção de incêndios, estudos avançados sobre fundações e, principalmente, melhorias na logística de obras para otimização de tempo, recursos humanos e financeiros.

“A sabedoria é importante, mas o fundamental é a inovação, e é por ela que eu estou na FG” – Stéphane Domeneghini

Novamente enfatizando a força das mulheres, ela diz que “no momento estamos pareô a pareô  com os homens porque atingimos um limite de conhecimento onde não restam muitos avanços, o que torna as oportunidades menos desiguais”.

Ainda, a engenheira menciona a falta de inovações na construção civil brasileira, que segue estagnada há cerca de 50 anos. Nesse período, o mundo passou por diversas revoluções na área e evoluiu muito, logo, a mulher deve utilizar suas capacidades para transformar coisas que o setor precisa no Brasil. “A sabedoria é importante, mas o fundamental é a inovação, e é por ela que eu estou na FG”.

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