Você sabia que 48% dos MEIs (Microempreendedores Individuais) são mulheres? Os dados são do “Relatório Especial de Empreendedorismo Feminino no Brasil”, do Sebrae de 2021, e mostram ainda que o nosso país tem o maior número de empreendedores no mundo. Reforçando: quase a metade é composta por mulheres!
O empreendedorismo feminino só cresce, mas e quando se trata das mulheres negras e seu afroempreendorismo?
Empresária Chayeni Cristiny e produto da Mi Amarante – Foto: Internet/ReproduçãoA pesquisa fez recortes raciais dessas empreendedoras e mostrou: as negras ainda são minoria entre elas. Também chama a atenção que somente 35% das mulheres brancas empreendem por necessidade, enquanto esse é o caso para 51% das negras.
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Isolamento por transição capilar trouxe novo olhar
E essa necessidade ganhou força durante a pandemia. A Chayeni Cristiny, empresária de Florianópolis, que o diga. Durante o processo de transição capilar ela optou por viver os dias isolada, fazendo cursos profissionalizantes que a auxiliassem a empreender.
A transição é algo que naturalmente faz uma mulher negra de redescobrir. E foi por este motivo que ela encontrou no segmento de vestuário uma oportunidade de ter um novo olhar sobre si. A loja online trabalha com peças exclusivas e a proprietária comemora o sucesso em pouco mais de um ano.
“Eu escolho as peças pensando em cada cliente e, além disso, sempre penso em uma forma de fazer uma entrega diferenciada”, conta Chay, que sempre manda bilhetes personalizados, mimos e material informativo falando sobre os cuidados com a peça.
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Não para por aí
Além da Chay, posso citar muitos outros casos, ainda bem! A Mi Amarante é uma delas: hoje tem um leque de roupas e produtos só com estampas afro. A proprietária é advogada, mas o empreendedorismo está nas veias.
Outra área que também tem sido muito procurada é a da estética. Conheço mulheres negras donas de empreendimentos marcantes e super equipados (que resistiram às restrições da Covid-19), e também especialistas que atendem em domicílio.
A pesquisa do Sebrae é certeira quando mostra que na maioria dos casos empreendemos por conta da necessidade. Mas o diferencial, o “resistir” negro, é algo que estatística nenhuma consegue mensurar. Nós existimos, resistimos e surpreendemos! Até semana que vem!